quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ciconia


   Ciconia é o nome latino da nossa "cegonha". Mas, aqui, não se trata do pássaro, e sim de um vinho.
   Provei o Ciconia hoje. Trata-se de um alentejano produzido com as castas Touriga Nacional, Syrah e Argonez, em 2013. O vinho tem 13,5% de teor alcoólico e é mais complexo do que aqueles alentejanos frutados mais jovens. Talvez, também pela presença da Syrah.
   O Ciconia ganhou o primeiro lugar no Portugal Wine Trophy.
   O preço? Meros R$ 40. Vale a pena conferir.

FHC e a maconha


   Por falar em Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente, ontem, participou de um debate sobre a regulamentação de substâncias entorpecentes. Apesar de ser um líder conservador, FHC afirmou que é favorável à legalização da maconha e disse que a política de guerra às drogas é equivocada.
   O ex-presidente narrou a conversa com uma senhora, moradora de uma favela, e que ela teria dito: "Tenho um filho que entrou para o crime, e o outro não. Quando a polícia chega, bate nos dois e em mim também". Mesmo que descontemos um possível excesso da senhora, sabemos que - até por conta do estresse dos policiais, quando entram no ambiente hostil das favelas - há uma postura,  no mínimo, pouco inteligente no trato com os moradores destas regiões.
   Dartiu Xavier da Silveira, professor de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, afirmou o seguinte: "Identificamos o inimigo errado. A cada cem pessoas que usam maconha, apenas nove se tornam dependentes. O problema não é a substância em si".
   Fernando Henrique endossou as palavras do professor, dizendo: "Temos combatido fantasmas. Matam-se traficantes, mas não se acaba com o tráfico. [...] Para reduzir o consumo, tem que atacar a demanda, como foi com o tabaco".

Prejuízo da Petrobras (2)


   O levantamento da Petrobras concluiu também que o período de atuação do esquema de pagamentos indevidos se estendeu desde 2004 até 2012.
   Chamou atenção o fato de que, apesar de todo o blá-blá-blá do PT, a "maracutaia" - enquanto esquema organizado, pelo menos - ficou circunscrita aos governos petistas, livrando FHC desta mazela. 

Prejuízo da Petrobras


   Não sou especialista em Contabilidade. Ao afirmar isso, deixo claro que não sou a melhor pessoa para criticar o Balanço divulgado ontem pela nossa grande empresa de petróleo. 
   Contudo, mesmo admitindo minha ignorância na matéria, achei muito primária a forma de cálculo que permitiu aos auditores avaliar em R$ 6,2 bilhões as perdas da empresa com "corrupção". 
   Vejamos como foi feito o cálculo. Identificaram-se os contratos que envolviam as empresas citadas na Operação Lava Jato. Somaram-se os valores destes contratos, chegando-se a R$ 199,6 bilhões. Aplicou-se o percentual de 3% - que corresponde ao que foi informado pelos delatores, na supracitada investigação, como sendo a propina paga para distribuição entre os partidos políticos. E, pronto, o número "mágico" de R$ 6,2 bilhões apareceu.
    Ora, os valores destinados às próprias empresas não foram levantados? E aqueles roubados pelos funcionários da própria Petrobras? 
   Eu sei que os valores de perdas devem ser bastante "conservadores" no Balanço, mas acho que os auditores pecaram por excesso nesse conservadorismo. Se procurassem a fundo, acho que descobririam algo umas três vezes maior... basta pensar nos "famosos" 10% de "taxa de facilitação" usuais.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Três amigos, três mulheres e duas paixões


   Vou contar uma estorinha. Era uma vez, três amigos que gostavam de três mulheres.
   O primeiro gostava muito da Dilma, a presidente da República. Talvez não seja exatamente da Dilma que ele goste, mas de tudo o que ela pretensamente representa, ou melhor, o que ela representa para ele: alguém que defende uma melhor distribuição de renda dentro da sociedade e uma valorização do modo "social" de fazer Política.
   O segundo gostava da Suzy - vale qualquer nome -, que tinha relações de trabalho com esse meu amigo. Da mesma forma, talvez ele goste mais do que ela representa para ele, do que aquilo que ela realmente é.
   O terceiro amigo gostava da Barbie - também vale qualquer nome -, que, de forma idêntica, tinha fundamentalmente relações de trabalho com ele.
   O que aconteceu com estes amigos?
   O primeiro viu sua "musa" ser criticada por um montão de gente. Ele conseguiu separar o que vê - tanto as críticas, quanto as atitudes dela - daquilo que não vê - as intenções de sua digníssima amada. Preferiu identificar-se com o que não vê, crendo que os motivos de seu "amor" continuam pertinentes. Algumas vezes, dá ares de que não está completamente confortável com sua escolha, mas aparentemente não está tão angustiado assim.
   O segundo passou por uma situação que o decepcionou. Determinada atitude da sua amada não se coadunou com suas expectativas. Aquilo que ele viu - a ação propriamente dita - não se encaixou com o que ele não viu - as motivações da moça. Angustiado, ele ficou tentando justificar as ações a partir do caráter que ele acreditava que a Suzy tinha. Como o tal caráter não poderia servir de motivação para o tal ato, sua imaginação fica dando voltas em busca de um motivo "nobre", que não destrua de vez a bondade atribuída a ela.
    O terceiro é um amigo mais pragmático. Alguns dizem "racional" demais. Ele também passou por uma situação que exibiu certo descompasso entre o que ele considerava ser "a Barbie" e uma atitude tomada por sua amada. Ficou com o que viu. Sem falsas esperanças sobre a "continuidade" de um possível caráter ideal, diante de um ato "vil", simplesmente deu de ombros à sua ficção, permanecendo com a realidade concreta.
   Dá para entender, pelo que já foi dito, a parte do título do post referente aos "três amigos" e às "três mulheres"... mas e as "duas paixões"? Bem... explico.
   Aqui, "paixões" não está no sentido usual de "sentimento arrebatador", mas no sentido spinozano do termo, ou seja, de algo que nos submete, que nos torna passivos, diante de sua força.
   Neste sentido, tanto meu primeiro quanto meu segundo amigos estão submetidos afetivamente à imagem de algo que não é real, que idealizaram, e não podem encarar a distinção entre essa figura construída e aquela que efetivamente está diante de suas vistas. Reagem, como conseguem, de uma forma melhor ou pior. O primeiro se angustia menos que o segundo, mas não se pode dizer que está completamente bem.
   E o terceiro amigo? Este não tem uma paixão, ele é ativo - spinozanamente falando. A ficção não está acima da realidade, e muito menos acima dele próprio. Ele "comanda as ações", digamos assim, ainda que não tenha poder direto sobre os eventos que envolveram sua "amada". Avaliada a situação, compreendido o acontecido, ele não se submeteu à sua imaginação, e se afastou de qualquer dependência da figura ideal da amada, protagonizando, dali em diante, a história de sua vida. 
   Agora, sim... três amigos, três mulheres e DUAS paixões.

Scivias


   Obviamente o título do post se refere ao livro Scito vias Domini (Conhece os caminhos do Senhor), de Hildegarda de Bingen.
   A novidade que trago é que o texto foi traduzido para o Português e publicado pela Editora Paulus, agora em 2015.
   O livro conta com um Prefácio escrito pela professora de História Caroline Walker Bynum, da Universidade de Columbia. Esta parte do livro está disponível no link:  http://www.paulus.com.br/loja/appendix/3899.pdf
   Vale a pena dar uma lida.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Manifestações do último final de semana


   Vocês perceberam que o nome de Lula começou a aparecer nas manifestações contra o PT e a Dilma? Mas, ao contrário de antes, não é mais como "salvador da pátria", mas como alvo de denúncias, também.
   A última pesquisa do Datafolha - aquela que indicou que 63% apoiavam o impeachment - tinha um item tratando do Lula. Vejam só:

Em quem votaria para presidente caso houvesse novas eleições?
- Aécio (PSDB): 33%
- Lula (PT): 29%
- Marina Silva (PSB): 13%
- Joaquim Barbosa: 13%
- Outra resposta: 9%
- Não sabe: 3%

   Xiiiiii!