quarta-feira, 8 de julho de 2015

Saindo do armário


   A expressão que dá título ao post já se tornou comum, significando a revelação de alguém, há muito oculta, de que era gay. No entanto, no texto do jornalista Guilherme Fiuza, na revista Época de 29 de junho, ela foi usada, inteligentemente, para outra situação.
   No texto, ela faz referência a um discurso do ex-presidente Lula, que desgostoso com seu partido, reconhece que "A gente só pensa em cargo". Fiuza, de bate pronto, mandou essa: "Demorou, mas finalmente o fisiologismo petista saiu do armário". 
   Ainda rindo...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Nobreza


   A revista Veja de 1º de julho trouxe uma matéria chamada "Nobreza sem monarquia". Falava dos "nobres" brasileiros que brigam pelo reconhecimento de seus títulos de barão, conde, marquês, etc. e tal, em um órgão lá de Portugal. O processo parece ser bem rígido, e pode ter um custo aproximado de R$ 10 mil. Sinceramente, não me interessei muito pelo assunto, mas passei os olhos pelo texto. Achei um dos entrevistados tão engraçado.
   O conde de Wilson (Eduardo Pellew Wilson) que me perdoe, mas ri com suas opiniões. É verdade que ele só me chamou atenção por um outro dado apresentado: o conde é professor de Filosofia. Vamos, então, ao que nos disse o conde-filósofo sobre uma nobreza que vive como classe média: "Classe social é uma invenção inglesa do século XIX. Para nós, o conceito econômico não tem validade. Ter ou não dinheiro depende das circunstâncias, mas ser nobre é uma situação perene". Até aqui, poderíamos dizer que o conde é um aristotélico que vê uma diferença natural entre os homens... se bem que, para o Estagirita, isso não era caracterizado por títulos nobiliárquicos hereditários. Mas aí vem uma opinião do conde-filósofo sobre sua digníssima esposa, que é sua prima, descendente do médico de imperadores do Brasil (de todos... os dois? Rsss). A matéria informa: "Wilson deixa claro que jamais se casaria com alguém sem 'um fio' de nobreza. 'Para um nobre, o passado familiar é a coisa mais importante do mundo. Eu não sou nada além de uma sucessão do que veio antes. As pessoas de fora não compreendem essa mentalidade'".
   Eu realmente, por não ser nobre, não compreendo bem as opiniões do conde de Wilson. Mas, como filósofo, me preocupo muito com a opinião do professor Wilson.

Conselho de um CEO


   O ex-CEO da IBM Louis Gerstner dizia que "People don't do what you expect, but what you inspect". Ou seja, é necessário ser ativo, verificando o que se promete, e não apenas esperando a materialização do que foi prometido.

"A conspiração de imbecis"


   Umberto Eco deu várias entrevistas ultimamente por conta do lançamento de seu novo livro Número Zero. Uma delas foi à revista Veja. Algumas opiniões do grande literato são bastante interessantes. 
- Sobre as informações que circulam na net:
"Num mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, você não concordaria que há muitos imbecis? [...] Com a internet e as redes sociais, o imbecil passa a opinar a respeito de temas que não entende.";
"A primeira disciplina a ser ministrada nas escolas deveria ser sobre como usar a internet: como analisar as informações.";
"Os jornais, em vez de se tornar vítimas da internet, repetindo o que circula na rede, deveriam dedicar espaço para a análise das informações que circulam nos sites."
- Sobre as "teorias da conspiração" que se multiplicam na net:
"A característica de uma conspiração verdadeira é que ela é invariavelmente descoberta. Houve uma conspiração para matar Júlio César, e todos sabemos. O perigo está nas conspirações falsas, pois você não consegue desmenti-las - mas elas se prestam à manipulação".
- Sobre o Estado Islâmico... e a natureza humana:
"Veja o Estado Islâmico, que eu chamo de o novo nazismo: querem aniquilar outras etnias, impor um credo, conquistar o mundo. Nunca nos livramos permanentemente dessa atitude."

Delação...


   Fico na dúvida se deveria completar o título do post, após a palavra "delação", com "premiada" ou "criticada". Isto porque, conforme soubemos, a presidente Dilma tratou do tema "delação" de modo bastante crítico, apesar do nome do instrumento jurídico ser chamado "delação premiada". Disse nossa líder máxima que: "Em Minas (Gerais), na escola, quando você aprende sobre a Inconfidência Mineira, tem um personagem que a gente não gosta porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. Ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora; a ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente".
     Antes de tudo, tenho que parabenizar a ex-ativista Dilma, pois eu não garanto que eu mesmo, sendo submetido à tortura, manteria os segredos necessários para assegurar a vida de amigos envolvidos em atividades revolucionárias... não que eu conheça algum, a bem da verdade. Rssss.
   Feito esse registro positivo sobre nossa presidente, enquanto ativista, teríamos que lembrar o outro lado da estória. Poucos dias antes de sua reeleição, a presidente Dilma deu uma entrevista à revista Carta Capital, onde dizia: "Para obter as provas, a Justiça e o Ministério Público valeram-se da delação premiada, um método legítimo, previsto em lei. E muito útil para desmontar esquemas de corrupção. Na Itália, contra a máfia, funcionou muito bem".
   Deve ficar claro que as duas situações são bem distintas - aquela da Inconfidência Mineira e esta que envolve políticos, vários deles do partido da presidente.
   Se o "subversivo" Tiradentes tinha um espírito libertador para com um país submetido ao jugo explorador da metrópole, o daqueles que estão envolvidos nesta delação de agora são, em conjunto com aqueles que estão sendo denunciados, uns aproveitadores. E da mesma forma que aproveitaram o momento em que os políticos estavam distribuindo o dinheiro, agora tentam se dar bem quando o barco está afundando. Por este motivo, presidente, acho que sua primeira opinião deveria ter se mantido inalterada.

O "Não" da Grécia


   Fico pensando que, se a professora Leda Paulani estiver certa com sua tese de que se propagandeia a ideia do caos econômico para aplicar os remédios neoliberais da austeridade, não pode ser isso o que está acontecendo com a Grécia?
   Aparentemente, não. Afinal, muitos parecem reconhecer que a Grécia não acertou suas contas públicas com a celeridade necessária, o que, pelo menos em parte, tornou alguns problemas mais agudos do que deveriam ser. 
   Esperemos pelos próximos capítulos desta novela. O que fará agora a União Europeia? O que farão os credores? Não seria melhor receber menos, mas receber? Será que punir "exemplarmente" um país, a fim de evitar que outros possíveis "caloteiros" reneguem seus compromissos, é a melhor solução?
    Será que nossos amigos Sócrates e Sólon seriam melhores negociadores que Tsípras? Rsss. Seria Nietzsche menos rigoroso que Angela Merkel? Rsss 

Leda Paulani


   Dia desses, assisti na televisão uma entrevista com a economista Leda Maria Paulani - professora da USP -, no programa "Diálogos com Mário Sérgio Conti". Ela foi apresentada como alguém que, apesar de ser petista "de carteirinha", estava desencantada com os rumos da economia brasileira. Mesmo já tendo sido secretária do governo petista do município de São Paulo, capitaneado pelo prefeito Fernando Haddad, ela apresentou críticas às ações implementadas por Dilma e seu ministro Levy, neste momento. 
   Sua tese central é a de que: "Dizer que tem descontrole faz parte da estratégia de terrorismo para a austeridade aparecer como única opção". Ou seja, segundo ela, a mídia se presta a um papel de alardeadora do caos econômico a fim de garantir a adoção de políticas neoliberais.
   Particularmente, gostei da entrevista. Acho que pode haver, sim, exagero em algumas informações, tentando provocar uma reação popular a uma política mais voltada para o social e menos para o capital. Penso, também, que alguém que é especialista no assunto - uma economista, acadêmica e ex-secretária de governo, portanto, teórico e prática - deva apontar esses excessos. Temo, contudo, que alguns "erros" apontados possam estar incluídos nessa categoria apenas por uma postura ideológica de quem os identifica. E, ainda que reconhecendo meu despreparo econômico, diante de tão excelsa figura, penso ser o caso que se dá com a professora Leda Maria Paulani.
   Como sempre gosto de fazer, fui pesquisar "o outro lado" dessa estória. Encontrei, por exemplo, o Rodrigo Constantino insistindo em uma visão incorreta da professora Leda no que se refere à política de juros. Porém, mais importante do que a posição de Rodrigo, parece-me a do colunista da Folha de São Paulo Alexandre Schwartsman - aliás, o "colunista", como eu coloquei, é de uma imprecisão absurda. O senhor Alexandre é doutor em Economia pela Universidade da Califórnia, e já foi diretor de Assuntos Internacionais do nosso Banco Central. Em um de seus artigos, chamado "Leda no País das Maravilhas", Schwartsman aponta vários enganos da professora Leda.
   Acho que sempre acrescenta podermos ver os dois lados de uma contenda. Desta forma, podemos observar fragilidades em cada posição, bem como argumentos fortes, que parecem imunes aos golpes alheios. Para quem quiser, há pelo menos duas leituras interessantes:
Leda Paulani:
http://novo.clipclipping.com.br/impresso/ler/noticia/2401592/cliente/496
Alexandre Schwartsman:
http://rota2014.blogspot.com.br/2015/05/leda-no-pais-das-maravilhas-por.html
   Boa leitura!