quinta-feira, 10 de março de 2016

"O Brasil tem cura"


   Eu já havia sinalizado, aqui no blog, que estava lendo - com muita curiosidade - o livro O Brasil tem cura, de Rachel Sheherazade. Já findei minha leitura há algum tempo, mas acabei por não registrar aqui minhas impressões. Passo a fazê-lo agora.
   De um modo geral, gostei do livro. Ele reacende na memória muita coisa da História do Brasil recente e traz alguns bons diagnósticos e soluções. Contudo, acho que peca por acreditar na simplicidade de uma solução óbvia, mas que é monstruosamente complicada: "Só é possível transformar o Brasil redefinindo nossos modelos mentais, as formas pré-estabelecidas de ver e julgar a realidade para, consequentemente, passarmos a agir de modo diferente".
   Antes de analisar a obra, gostaria de fazer um pequeno registro da carreira vitoriosa da bela jornalista paraibana. 
   Rachel conta que, em 1992, na Universidade Federal da Paraíba, onde estudava, "alguns professores eram militantes ferrenhos e verdadeiros aliciadores da esquerda" e que "no ambiente acadêmico, intitular-se 'de direita' era confessar-se um antidemocrata, saudoso da ditadura, amante de torturas, enfim, uma completa aberração política e social". 
   Sinceramente, penso que não mudamos muito sobre isso. Ainda temos, na Filosofia e na Sociologia, um grande número de professores tentando doutrinar os jovens, soprando-lhes ventos "esquerdistas". Além disso, dizer-se "de direita" parece significar endeusar o deputado Bolsonaro, mesmo que isso esteja longe de ser o caso.
   Ela conta também que "sem qualquer crise de consciência política, identificava-me com princípios de ambos os lados, como o Estado mínimo e as liberdades individuais - bandeiras à direita - e mais justiça social - preceito da esquerda".
   Não gosto muito da expressão "Estado mínimo", preferindo  o "Estado suficiente". Lógico que esse "suficiente" é bem longe daquela "burocracia" enorme, que incha o Estado, fazendo dele um monstrengo que custa muito caro à sociedade. Mas, vá lá... Estado mínimo e liberdades individuais. Ora, quem não quer "liberdades individuais"? Não acredito que um socialista responda negativamente a isso. É certo que ele diria que, em prol de maior justiça social, seria admissível restringir uma parcela dessas liberdades... mas, em tese, não é necessário ser contra elas. Por outro lado, será mesmo que alguém que não é de esquerda faria franca oposição a uma sociedade onde houvesse mais justiça social? A menos de algumas pessoas que poderiam enxergar que o custo excessivo de programas sociais atrapalha suas vidas, não vejo uma definitiva oposição a este ponto por parte daqueles "de direita".
   Depois, Sheherazade trata da ascensão do PT. Diz ela: "Para quem acreditou na mudança, era como um divisor de águas, como se a moralidade do Brasil, enfim, ali nascesse". Contudo, segundo ela: "Transcorrido um ano da chegada do PT ao poder, as máscaras do partido começaram a cair". E a jornalista passa a narrar os escândalos que envolvem o Partido dos Trabalhadores e alguns de seus afiliados, para concluir que "o PT revelava-se um partido como qualquer outro, com integrantes sujeitos a todas as fraquezas morais e éticas, e passíveis de se corromper".
   A partir daí, segundo a autora, seu interesse pela Política aumentou. Ela continua, então, a falar de sua trajetória pessoal, inicialmente como repórter na Paraíba até ser convidada, por orientação do próprio Sílvio Santos, para ser âncora do SBT Brasil. 
   Depois eu conto mais...

terça-feira, 8 de março de 2016

Feliz Dia 8 de março...


   ... a todas essas maravilhosas mulheres!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Pior tempo da minha vida...


   Neste final de semana, fiz a pior corrida da minha vida. Parti bem para os 10 km da etapa Outono da Corrida das Estações. Fechei bem o primeiro quilômetro. É verdade que o sol estava atrapalhando, mas fui continuando bem, enquanto passava pelo segundo, terceiro... No sexto quilômetro, algo passou a incomodar sob a sola do tênis - esse é o que reservo somente para corridas, para não sofrer com o desgaste dos treinos. Pensei que algo estava grudado, e tentava arrastar o pé entre as passadas, de modo ao "troço" se soltar. Com 6,5 km, aquilo já estava atrapalhando, e até machucando, em algumas pisadas. Decidi parar para ver o que era. Uma borracha transversal estava se soltando. Tentei, em vão, arrancá-la em definitivo. Parei, então. Não dava mais para correr com aquele incômodo.
   Fui caminhando desolado ao longo do percurso. O pedaço de borracha dobrava e desdobrava. Contudo, eu nunca havia parado no meio de uma prova. Seria a primeira vez, depois de muitos anos de corrida. Quando já chegava ao sétimo quilômetro, pensei: "Caracas, ainda vou ter que andar com esse tênis mais três quilômetros?! Isso será horrível!". Decidi, então, voltar a correr... mesmo com aquela pisada estranha - ora apoio total, ora piso de lado.
   Cheguei com 1h 00 min de corrida... mais dez minutos que meu melhor tempo para os 10km. Mas cheguei! Rsss.
   A dúvida agora: o que fazer com meu tênis de estimação? Consertá-lo? Cortar a borracha em definitivo? Usá-lo só para treinos? Jogar fora o objeto? Nem sei!

Dia 13 de março


   Espero que o dia 13 de março, em que estão convocadas manifestações contra o governo, seja pacífico.
   Nenhum dos dois lados deve ceder a provocações. Cada qual se arme única e exclusivamente de seu discurso. Ninguém deve aceitar opiniões que não são as suas simplesmente porque elas estão em um jornal ou porque um líder disse que é assim. Mas se não for possível argumentar em meio à manifestação - o que normalmente é o caso -, que se respeite a posição alheia.
    Somos adversários apenas partidários, mas somos um só povo.
   Uma solução há de se pactuar, em prol do nosso Brasilzão!

"Lula coagido a depor"


   O título do post é o mesmo de outro artigo do jornal O Globo, desta vez, de autoria de Frei Betto.
   Tanto o título quanto o início do artigo parece ser uma defesa franca do ex-presidente. Frei Betto lembra que, na primeira prisão de Lula, em 1980, estava na casa de seu amigo. Ao falar desta segunda "prisão" - as aspas são colocadas pelo próprio autor -, é solta uma farpa contra aqueles que "transformaram a convocação em prisão e o depoimento em confirmação de que há um novo réu na Lava-Jato". Resta uma crítica ao juiz Sérgio Moro, como "homem midiático", o que "não combina com a egrégia função". E o governo Dilma ganha um elogio por respeitar a autonomia da Polícia Federal.
   Mas, depois, Frei Betto parece mudar um pouco os ares do artigo. Reconhece que "o PT cometeu muitos erros ao longo de seus 14 anos à frente do governo do Brasil" e que "os três símbolos da identidade do partido perderam credibilidade: organizar a classe trabalhadora; ser ético na política; realizar reformas estruturais".
   Ainda descrevendo os erros do PT, Betto indica que o partido agarrou o poder e começou a tropeçar nessa necessidade de mantê-lo a qualquer custo, tanto assim que "alianças promíscuas o [PT] fizeram perder a credibilidade".
   Uma crítica àqueles que abandonam a racionalidade, pré-julgando Lula, aparece no penúltimo parágrafo: "Quando o emocional se sobrepõe ao racional, faltam pedras para jogar na Geni!".
   Mas outra lambada no PT, no último parágrafo: "Um fato preocupa: o PT jamais julgou a conduta ética de seus militantes acusados pela Lava-Jato. Nem os absolveu, nem os condenou. Calou-se. E quem cala consente".
   Frei Betto já foi muito mais próximo de Lula do que é hoje - pelo menos é o que se diz. De mentor pessoal do ex-presidente a mais um dos ex-companheiros de lutas pregressas, o frei perdeu espaço para os "compadres" de Lula. No artigo, contudo, Frei Betto parece alguém que, sem querer esquecer o passado de lutas sociais, algumas vitoriosas, não se ilude com o presente cheio de problemas do Partido dos Trabalhadores. Acho, porém, que mesmo quando defende a racionalidade contra um juízo meramente "emocional", Betto se engana, visto que a maior parte daqueles que defendem Lula e o PT só o faz justamente porque se nega à crítica racional dos fatos, apegando-se exclusivamente à ideologia irrefletida do "nós, humildes, contra eles, elite". 
   Aliás, uma pergunta: mais pessoas passaram a defender o PT ou a recusar seu modus operandi? A mim parece que mais gente, inclusive petistas históricos, como é o caso do próprio Frei Betto, está passando por um processo de rejeição ao "novo PT", do que está começando a apoiá-lo agora.

Artigo de Ancelmo Gois


   Em O Globo de sábado, fora da sua coluna, Ancelmo registrou em um pequeno artigo sua opinião sobre o ex-presidente Lula. O título do artigo era "O sonho esmorece, em um dia triste".
   Abaixo, alguns trechos do artigo.
   "Não há almoço grátis, ainda mais com essa turma do cimento. A conta, pode crer, foi incluída no preço de uma obra pretérita ou futura. Foi o meu, o seu, o nosso dinheiro que bancou a reforma do apartamento de Guarujá e do sítio em Atibaia.
   [...] muitos dos que o acusam já fizeram a mesma safadeza. Mas a promiscuidade dos outros não o absolve. Pelo contrário, acho. Frustra corações e mentes de milhões de brasileiros [...] que acreditaram num projeto generoso e socialmente inclusivo do PT. E frustra, principalmente, quem acreditou neste retirante nordestino que venceu desafios gigantes e chegou a comandar a sétima maior economia do planeta.
   Ao chegar ao poder, em 2003, Lula encantou o Brasil e o mundo ao [...] acelerar as políticas sociais. Fez isto sem deixar de ser o Lula de sempre. Aquela foto dele carregando um isopor na base naval de Aratu, na Bahia, ilustra o que quero dizer [a foto está no artigo].
   [...] Acho, ontem [dia do depoimento de Lula à Polícia Federal], foi um dia triste. Se o sonho não morreu, esmoreceu. Não sei o que pensa hoje FH. Mas, em julho, em entrevista [...], o tucano, mesmo achando impossível que Lula não soubesse de nada, ponderou: 'Lula é um líder popular. Não se deve quebrar esse símbolo, mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido'."
   Olhando retrospectivamente, parece-me que o inquestionável líder dos metalúrgicos, homem humilde, com desejo de melhorar a justiça social no Brasil, muito por conta da sua própria história, acabou sendo "absorvido" com prazer por um projeto de esquerda que tinha, também, como preocupação a maior justiça social. Eu escrevi "também" porque talvez essa não fosse a maior preocupação, a qual poderia ser tão somente tomar e manter o poder. E ponto final. Ou seja, talvez a preocupação com o social viesse apenas à reboque da verdadeira intenção: estar no poder.
   Obviamente, estar no poder é necessário para fazer as mudanças. O que acontece, contudo, é que para estar no poder não vale qualquer coisa... pelo menos, é o que penso.
   Deste modo, o homem humilde e de boa vontade pode ter sido, inicialmente, "usado" no jogo de poder. O problema é que, depois, aparentemente, ele tomou gosto pelo jogo, e resolveu participar dele de outro modo. Agora, é ele a usar a máquina... com todas as regras invisíveis - que só são conhecidas por aqueles que estão apostando tudo nas mesas da "politicagem".

sexta-feira, 4 de março de 2016

Ainda na alcova


   Continuo lendo "A Filosofia na alcova", de Sade. Cheguei à parte mais "filosófica" do livro, que dizem ter sido inserida tardiamente entre as falas das personagens. Trata-se de "Franceses, mais um esforço se quereis ser republicanos". Nesta, aparece de modo mais direto a crítica à religião e aos costumes.
   Depois, comentarei especificamente o que lá está escrito. Mas a condução coercitiva do Lula, hoje, me fez associar tal fato com um pedaço do texto. Aliás, outro dia li uma reportagem de um jornalista que dizia que a situação do nosso ex-presidente é bem tranquila... afinal, basta ele explicar claramente sua situação em relação aos imóveis - os quais, diga-se de passagem, ele poderia facilmente adquirir com seus próprios recursos, advindos das várias "palestras" ministradas... algumas bancadas pelo pessoal da OAS e companhia.
   Mas voltemos a Sade. Ele trata, no texto em questão, dos "crimes que possamos cometer contra nossos irmãos", indicando que "eles se reduzem a quatro principais". Estes são: a calúnia; o roubo; os crimes que, causados pela impureza, desagradam e o assassinato.
   Sade diz que não considera a calúnia um mal. E ele explica o porquê. Se a calúnia atinge um homem verdadeiramente perverso, ela é quase indiferente; e se recai sobre um homem virtuoso, "que ele não se alarme; que ele se mostre, e todo o veneno do caluniador acabará sendo inoculado no próprio. Para tais pessoas, a calúnia é apenas um escrutínio depuratório do qual sua virtude só sairá mais brilhante".
   Comparando o escrito com nosso ex-presidente, que se diz o homem mais honrado do Brasil, eu recomendaria que, em vez de ficar soltando notinhas através do Instituto Lula, ele se apresentasse de peito aberto ao Ministério Público - e a quem mais lhe aprouver - e contasse sua verdade... ou melhor, a verdade. Afinal, como diz Sade, "para tais pessoas [as virtuosas, como Lula diz ser], a calúnia é apenas um escrutínio depuratório do qual sua virtude só sairá mais brilhante".
   Mostra para eles, Lulão... mas cuidado com o que vai falar. Rsss