Num dos encontros do Notas Filosóficas - acho que sobre o Epicurismo -, alguém perguntou sobre a diferença entre "Autoajuda" e aquilo que se estava lendo, no caso, as Cartas de Epicuro.
Apesar de parecer esquisito, isso não é absolutamente óbvio de um leigo entender. Temos que pensar que, em princípio, realmente as orientações dos filósofos da Antiguidade, diziam respeito a uma "ajuda" para viver melhor - ainda que se possa questionar se a ideia seria exatamente de uma "autoajuda". Ou seja, poderíamos pensar que há diversos tipos de orientações de "autoajuda", uma mais "banal", onde se lê simplesmente o óbvio, aquilo que pretendemos ver escrito, e que tem a função clara de nos "empurrar" para frente, crendo em algo que há certamente de ser conquistado, a partir simplesmente do nosso desejo de que o seja, e uma "autoajuda filosófica", que efetivamente propõe uma reflexão sobre o mundo e sobre a vida, com o intuito de ajudar seu leitor a obter felicidade. Deixando de lado esse estilo "clichê" da autoajuda, como não reconhecer que Ética a Nicômaco é um livro que nos ajuda, a partir de uma reflexão séria, a ser mais felizes... portanto, é um livro de "autoajuda".
Dizer isso, assim tão friamente, choca um pouco. Afinal, o prestígio da nossa tão querida Filosofia parece ficar meio abalado na comparação com esse gênero literário tão "mercadológico" quanto esse de que falamos.
E não são só os filósofos que renegam o rótulo "autoajuda". Segundo a Revista Época dessa semana, até o óbvio "autoajúdico" Augusto Cury diz que seus livros não pertencem a esta categoria, pois são livros de "psicologia aplicada".
Na contramão dessa rejeição está o filósofo pop Alain de Botton. E a revista conta uma coisa engraçada e, penso, correta: "Para Botton, o problema não é a autoajuda em si, mas a quantidade de autores ruins que se dedicam ao gênero".
Legal a opinião de Botton... que a academia não nos ouça!
Depois, escrevo mais.