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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Ciro Gomes e o PT (2)


   Depois daquela entrevista de Ciro Gomes à Folha de S. Paulo, foi publicada uma matéria de capa na revista Isto É, em 18/11/18, com o seguinte título "Uma nova esquerda - A banição do PT - liderada por Ciro Gomes, a oposição tenta se reinventar, exclui o Partido dos Trabalhadores das negociações e o relega ao isolamento político".
   No texto, fala-se da reunião do PDT ao PSB, à Rede e mesmo ao PCdoB, para a formação desta "nova esquerda". E ressalta:
   "O pedetista [Ciro Gomes] faz questão de ressaltar que o isolamento do PT não é o objetivo do grupo. É uma consequência. 'Nossa tarefa não é de se contrapor ao PT. Mas achamos que a hegemonia pouco crítica do PT já deu. Passou da conta e fez muito mal ao Brasil. Não existiria Bolsonaro sem o antipetismo, que foi introduzido por ele".
   

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O PT e a esquerda no Brasil


   Ficou claro, já após o primeiro turno da mais recente eleição presidencial brasileira, que o PT tinha perdido alguns de seus amigos mais próximos.
   Talvez, a baixa mais importante tenha sido a do candidato do PDT, Ciro Gomes, terceiro colocado naquela ocasião.
   Para quem não lembra, esperava-se apoio declarado imediato do candidato do PDT à chapa de Haddad (PT) e Manuela D'Ávila (PCdo B) para o segundo turno. Afinal, como adversário desta estava Jair Bolsonaro (PSL), representando a "direita". Mas... Ciro não se manifestou de pronto, e ainda se ausentou do país naquele momento crucial da disputa. Em seu retorno, não fez um pronunciamento - avidamente aguardado pelos petistas -, limitando-se a dizer que explicaria, após o segundo turno, sua posição de aparente "neutralidade", digamos assim - embora ele mesmo tenha rejeitado este status.
   Passada a eleição, com vitória do candidato de direita, Ciro deu uma entrevista reveladora à Folha de S. Paulo.
   Para começar, disse que não traiu o PT, porque não tinha empenhado a palavra em apoiá-lo. Contudo, mais complicado foi dizer "Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT".
   Poder-se-ia dizer que o extremamente autêntico - às vezes, até demais - candidato tivesse como motivação principal a mágoa em relação ao PT na condução da indicação da candidatura à Presidência. Primeiro porque o PT insistiu em lançar Lula como candidato - mesmo este estando preso -, em detrimento de reunir a esquerda e indicar o próprio Ciro. Depois, porque o PT tentou minar a candidatura de Ciro, assim que ele rejeitou o convite para compor, como vice, a chapa de Lula, "convencendo" o PSB a não apoiar a candidatura própria de Ciro à Presidência.
    Fato é que, mesmo após o fim das eleições, Ciro se manteve afastado do PT. Por isso, ao se desenhar uma nova oposição de esquerda, a ser liderada pelo próprio Ciro, o maior partido deste campo político foi afastado da composição. 
   Mas será que apenas Ciro decidiu se afastar do PT? E seria isso motivado apenas por esta eleição de 2018?
   Depois continuamos...