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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Golpismo?


   Embora, em princípio, eu seja contra o impeachment da Dilma, não acho correto falar em "golpismo", referindo-se a quem o defende. 
   O apelo ao fato de Dilma ter sido eleita "democraticamente" não me parece correto, a fim de validar a tese do "golpismo" contra quem quer retirá-la da Presidência. Isto porque é necessário lembrar que a democracia não se esgota na eleição. Ou seja, pode haver uma votação majoritária em alguém sem que esta pessoa realmente esteja "democraticamente eleita", no sentido exato da expressão. Difícil entender? Não acho. E explico minha opinião.
   A eleição de alguém implica que esta pessoa foi considerada digna de representar as posições daqueles que a escolheram. Além disso, que os métodos empregados no processo eletivo respeitaram as regras previamente estabelecidas. Desta feita, se é descoberto que houve compra de votos, ou "Caixa 2", ou pressão indevida sobre os eleitores, etc. e tal, o candidato eleito pode ter seu mandato cassado... apesar de, aparentemente, tudo ter corrido de acordo com o devido processo eletivo.
   Em resumo, há que se saber se houve legitimidade naquela outorga da representação ao candidato. Embora não haja nenhum impedimento previsto para casos de "estelionato eleitoral", em tese, um governante perde legitimidade se ele começa a fazer o que disse que não faria antes das eleições. Para não ficarmos só no caso brasileiro, pensemos no que ocorreu na Grécia. O primeiro ministro Tsipras foi escolhido pelo povo justamente porque prometia romper com o modelo de submissão dos gregos aos credores que impunham uma forte austeridade a eles. Sob essa bandeira, Tsipras conquistou o voto e se tornou a voz daqueles que o elegeram. Num movimento contrário, contudo, às suas propostas, ele teve que assinar um novo acordo com a União Europeia, a fim de obter recursos para poder continuar saldando suas dívidas. E este acordo submetia o povo, novamente, a duras restrições. Será que ele ainda tem legitimidade para continuar sendo o mandatário popular? Pelo menos em teoria, acho que não. Isto não quer dizer que simplesmente por tomar medidas impopulares alguém tenha que ser demovido do poder, mas que deve ter bastante cuidado com o que promete antes de chegar lá.
   Voltando ao nosso Brasilzão querido. Se a presidente Dilma não sabia o que estava ocorrendo em primeiro governo, não tinha competência para continuar nele... mas, se assim o povo quis, que ela continue até os eleitores resolverem trocar. Mas se ela sabia e, descaradamente, mentiu para os eleitores, simplesmente a fim de viabilizar uma continuidade no poder, ela vendeu uma imagem falsa àqueles que votaram nela. Neste caso, pelo menos em tese, ela não pode legitimamente representar seus eleitores, e, por esse motivo, não deve continuar conduzindo os rumos da nação. Mais ainda, se houve irregularidades na prestação de contas - as tais "pedaladas" -, ela cometeu crimes que precisam ser punidos, e ela, repito, não tem mais a legitimidade que se espera de alguém vencedor em eleições ocorridas de forma justa... e democrática.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Dilma, a culpada... Será?


   Outra matéria da mesta revista diz que "O esporte do momento em Brasília [...] é ridicularizar Dilma". Obviamente, uma sequência de considerações infelizes na abertura dos Jogos Indígenas, com o enaltecimento da mandioca e a referência a "mulheres sapiens", deu material para as piadas. Contudo, parece que o aumento dos índices de rejeição à presidente está fazendo com que seus aliados tradicionais, inclusive o maior deles, o ex-presidente Lula, exagerem no tom das críticas. Será que eles não estão sendo simplesmente oportunistas?
   A matéria propõe uma pergunta: Mas será ela [Dilma] a verdadeira responsável pela crise que acomete o Brasil em 2015?
   E a resposta é: "Ninguém discorda de que a presidente tem responsabilidade - e muita - pela crise econômica. Mas os fatos políticos dos últimos meses, e em especial das últimas semanas, demonstram que a crise prolongada - política, social, criminal e econômica - é sintoma da ruína de uma era, uma era definida não por Dilma, mas por quem a concebeu politicamente: Lula, o pai".
    Ah... o Lula é? Justamente ele, que acusa sua "filha" de estar no "volume morto"?
   Eu só não sei se o próprio estilo pessoal de Dilma, autoritário e, até certo ponto, grosseiro - de acordo com informações que vazam dos corredores do Palácio do Planalto -, acaba ajudando a inflacionar as críticas e troças. Talvez, numa espécie de "vingança", aqueles que a cercam carregam nos discursos contra ela.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Bombardeio dobrado...


   Que nossa presidente tem sofrido duros ataques, todos sabem. Mas acho que nem ela esperava tanto "fogo amigo". Primeiro, o prefeito Fernando Haddad entrou na Justiça para obrigar o governo da Dilma a cumprir a lei que muda a correção das dívidas, reduzindo os pagamentos que São Paulo faz à União. Aliás, em defesa da presidente da República, saiu a senadora Marta Suplicy, que se disse surpresa e criticou o prefeito petista. Ok... bastante compreensível a posição da senadora. Mas... eis que depois, a própria Marta deu uma entrevista à revista Veja - o que, por si só, já é um ato antipetista. Rsss -, criticando o PT. 
   Caramba... agora ficou complicado, hein, Dilminha!