Meu compadre é realmente um grande entendedor de futebol. Foi-se o tempo, entretanto, que eu podia acompanhá-lo - mesmo que sem a mesma competência - neste assunto. Aliás, não só acompanhá-lo no discurso, mas também na "prática" futebolística. Além de jogarmos juntos no Caiçaras, ainda frequentávamos o Maraca.
Hoje, ele ainda joga bola, enquanto eu só corro para manter a forma - sem bola nenhuma à minha frente.
Mas já que o assunto é futebol, permito-me um pensamento spinozano nessa hora. "Spinozano", do Baruch Spinoza, e não do Valdir Espinosa.
Essa referência surgiu na minha cabeça após a dolorosa desclassificação da Copa Libertadores, aqui no Rio de Janeiro, pelo Boca Juniors - com toda a torcida do flamengo apoiando o time argentino. Como o Fluzão jogou muito e teve um pequeno azar no final, misturado ao cansaço dos jogadores, lembrei da Ética, IV, Apêndice, cap. XXXII:
"Não temos o poder absoluto de adaptar as coisas exteriores ao nosso uso. Contudo, suportaremos com equanimidade os acontecimentos contrários ao que postula o princípio de atender à nossa utilidade, se tivermos consciência de que fizemos nosso trabalho; de que a nossa potência não foi suficiente para poder evitá-las...".
Futebol e Spinoza, caro compadre!!!