Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A garota dinamarquesa


   Confesso que, com muito atraso, assisti ao filme A garota dinamarquesa. Não posso deixar de registrar que a estória, baseada em fatos reais, me impressionou bastante... e por vários motivos.
   O primeiro deles se refere à força do sentimento de não pertencimento ao próprio corpo da personagem principal. Penso que isso, no início do século XX, devesse ser um fardo ainda maior do que percebemos hoje. 
   Em seguida, impressionaram-me os diagnósticos e tratamentos disponíveis para o caso, à época. Coisa de causar terror. 
   Passando pela observação da dificuldade da emoção da esposa da personagem principal, submetida à dupla sensação de amor e culpa, fico refletindo sobre a novidade da cirurgia a que seria submetido o protagonista da história.
   Para quem não lembra bem, trata-se da história de Einer Wegener, casado com Gerda. Ambos eram pintores. Em determinado momento do casamento, Gerda precisa de uma modelo e usa o marido, em vestes femininas. Isso parece despertar em Einer um sentimento de prazer. E, depois, de inconformismo com sua condição masculina. Depois de algumas tentativas de "tratamento", Einer assume sua feminilidade, na pessoa de Lili Elbe. A nova condição tumultua o casamento. Mas, com apoio da (ex-)esposa, Wegener aceita submeter-se a uma cirurgia inédita de mudança de sexo, sob direção do Dr. Kurt Warnekros. Seriam três cirurgias, em sequência, a fim de capacitar Lili, inclusive, a ter filhos. Pelo menos, era o desejo dela. Após a última, ocorre uma infecção que acaba por matar a nova senhora.
   Um avanço para a época, a meu ver, foi o fato de, após a primeira sequência de cirurgias, o rei dinamarquês ter concedido a Lili a anulação de seu casamento com Gerda Wegener; bem como a mudança de seu nome, inclusive com a obtenção de uma nova certidão de nascimento e de um novo passaporte - em ambos constando como sexo o feminino.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Palavra de médico sobre homossexualidade (2)


   Ainda na mesma linha do post anterior, há outro artigo do Dr. Drauzio Varella, do mesmo livro. Vejamos alguns trechos de "O sexo redefinido":
   A ideia de que existam apenas dois sexos separados pela presença ou ausência de um cromossoma Y é simplista. Os cromossomas podem dizer uma coisa, enquanto ovários, testículos, hormônios e a anatomia sexual indicam outra direção.
   Quando a genética é levada em consideração, a linha divisória entre os sexos fica nebulosa. A divisão genética existente nos tecidos de uma pessoa nem sempre se enquadra na ortodoxia binária: masculino/feminino.
   Do ponto de vista genético, existe entre as mulheres e os homens típicos um espectro de pessoas com variações cromossômicas sutis, moderadas ou acentuadas.
   O dogma de que cada célula contém exatamente o mesmo set de genes está ultrapassada. Em alguns casos, os cromossomas se misturam no óvulo fertilizado, de modo que um embrião que iniciou como XY pode perder o cromossoma Y em um grupo de células (mosaicismo).
   Nesses casos, se a maioria de suas células for XY, a aparência física será de homem. Se a maioria for XX, a mulher terá ovários atrofiados e baixa estatura (Síndrome de Turner).
   À medida que a Biologia deixa claro que o conceito de sexo envolve um espectro, a sociedade e as leis terão que decidir como traçar a linha divisória entre os gêneros. Devem ser considerados os cromossomas, as células, os hormônios ou a anatomia externa? E o que fazer quando esses parâmetros se contradizem?
   Diante de tal complexidade, não seria mais sensato considerarmos irrelevante o sexo ou o gênero de qualquer pessoa?

Palavra de médico sobre a homossexualidade


   Interessantíssimo o livro Palavra de médico - ciência, saúde e estilo de vida, de Drauzio Varella, publicado pela Companhia das Letras. Como o título indica, o livro aborda vários temas. 
   Diante da discussão aquecida sobre sexualidade e gêneros que temos presenciado atualmente, alguns debatedores apelam ao argumento de que não são levados em consideração aspectos científicos da questão, dando relevo apenas a teorias sociológicas ou mesmo psicológicas, que, para esses debatedores, não pertencem ao campo da objetividade científica, mas tão somente ao das opiniões subjetivas.
   Contra esses - de um campo mais conservador, normalmente -, podemos invocar alguns trechos do que diz o Dr. Drauzio Varella, no artigo "Homossexualidade, DNA e ignorância":
    A antiga visão do sexo como binário, condicionado pelos cromossomas XX ou XY, está definitivamente ultrapassada. Ela é incapaz de explicar a diversidade de orientação sexuais existente nos seres humanos, nos demais mamíferos e até nas aves.
   Transmitidas de pais para filhos, epimarcas específicas nas regiões do DNA ligadas às reações dos tecidos fetais à testosterona oferecem bases mais sólidas, inclusive para entender os casos de bebês com órgãos sexuais ambíguos e das pessoas que julgam ter nascido em corpos que não condizem com sua identidade sexual.
   A homossexualidade é um fenômeno de natureza tão biológica quanto a heterossexualidade. Esperar que uma pessoa homossexual não sinta atração por outra do mesmo sexo é pretensão tão descabida quanto convencer heterossexuais a não desejar o sexo oposto.
   Os que assumem o papel de guardiões da família e da palavra de Deus para negar às mulheres e homens homossexuais os direitos elementares não são apenas sádicos, preconceituosos e ditatoriais, são ignorantes.