terça-feira, 26 de agosto de 2014

Spinoza na praia


   No último domingo, estava um sol agradabilíssimo aqui no Rio. Já eram umas dez da manhã quando decidimos ir à praia.
   Entre uma cervejinha e outra - fui à pé, hein, gente. Nada de beber e dirigir. Rsss -, batendo um papo com a filha e a esposa; trocando umas palavras com os vizinhos de barraca; vimos um amigo "rato de praia" chegar. O sujeito é tão popular que leva um tempão só saudando os conhecidos. 
   Durante a nossa parte do horário de saudações, chegou outro amigo dele. Fomos apresentados ao André e, ao longo da conversa, soubemos que ele fora lutador de Muay Thai. Nada mais interessante, já que inscrevi minha filha nesta prática desportiva há pouco tempo. Conforme o esperado, o sujeito é forte à beça. Inicialmente, o papo versou sobre lutas; foi passando por filmes; até que, por conta de um comentário sobre "Nosso lar", paramos em religião. André foi bastante comedido na sua análise sobre o Espiritismo, indicando que respeitava todos os tipos de manifestação religiosa. 
   Nesse momento, minha esposa indicou que eu gostava do assunto "religião", embora não praticasse nenhuma, e arrematou dizendo que isso se devia à minha paixão pela Filosofia. O ex-lutador, então, disse que também apreciava este "assunto", e perguntou:"Você conhece um filósofo chamado Spinoza?"
   Obviamente, abriu-se outra linha de papo. Spinoza na praia - Quem diria, hein? Ainda não refeito da surpresa inicial, pude ouvir André dizer que não só ele, mas também o pai e o irmão gostavam de Spinoza. Três spinozanos em uma tacada só!?!?! Milagres acontecem. Rsss.
   Não deu para explorar, em profundidade, o conhecimento do novo amigo. Ele parecia bastante impressionado pelo possível panteísmo spinozano... e essa foi a tônica de suas observações. Seguimos, então, conversando sobre Filosofia. Por fim, ainda soube que ele era Fluminense - como eu.
    Minha esposa brincou com nosso amigo "rato de praia", que aquilo só poderia ser uma brincadeira, combinada entre os dois, para me deixar feliz. 
    O importante é saber que Spinoza também frequenta as praias! Rsss.

104!


   Os amigos vão chegando... apesar do blog estar meio "paradão". A ideia sempre foi compartilhar com os amigos as minhas leituras momentâneas e as reflexões que iam surgindo sobre as mesmas. Mas, por vezes, são tantas as leituras obrigatórias - embora todas envolvam também prazer - que nem dá tempo de registrar nada. Mesmo assim, contando com a compreensão dos amigos já presentes, vamos agregando outros amigos.
   Isso tudo é para dizer que agora somos 104 amigos. Seja bem vinda, Bé Rocha, nossa nova amiga. Fique à vontade para registrar aqui qualquer comentário que achar valer à pena compartilhar. Gostei de ler o seu perfil. O fechamento do mesmo é "Quem sou, um ser intrigante, que não se esconde, mostra quem realmente é.... sou Humana isso é que sou..."
   Novamente... Seja bem vinda!
   

"O portal da Filosofia"


   Há bastante tempo, escrevi minha impressão sobre o livro O portal da Filosofia - uma breve leitura das obras fundamentais da Filosofia (Volume 1), de autoria do Robert Zimmer - que, aliás, foi muito boa. Depois disso, consegui ver parte do segundo volume original, em alemão, e percebi que a Ética, de Spinoza, estava lá. Compartilhei isso com os amigos aqui do blog. Mas... cheguei a pensar que este outro volume não seria traduzido... depois de tantos anos da publicação do primeiro.
   Hoje, no entanto, passeando pelas livrarias da vida, "esbarrei" com o volume dois da obra, publicado pela Martins Fontes, agora em 2014. Para um primeiro contato com cada uma das obras apresentadas, acho que é uma leitura interessante. Neste volume temos - além da Ética: a Metafísica, as Meditações (Marco Aurélio), A consolação da filosofia, a Suma Teológica, Da douta ignorância, o Leviatã, Investigação sobre o entendimento humano, Do espírito das leis, Emílio, Fenomenologia do Espírito, A essência do cristianismo (Feuerbach), Sobre a liberdade, A decadência do Ocidente (Oswald Spengler), O Ser e o Nada, Dialética do esclarecimento, Verdade e Método (Gadamer) e Contra o método (Feyerabend).
   Tendo comprado o livro mais cedo, ainda nem li o texto sobre Spinoza, mas, pela impressão que tive do volume anterior, acho que vale como uma brevíssima introdução aos textos apresentados, principalmente para aqueles que ainda estão conhecendo a Filosofia.

"Fantástico" (2)

   
   Xiiii... já faz tanto tempo que escrevi o último post que não lembro todos os detalhes da segunda matéria apresentada no programa. De qualquer modo, o assunto era um local na Colômbia que tinha casos de Mal de Alzheimer muito precoces. Pessoas com cinquenta anos já estavam incapazes para as atividades normais, forçando filhos relativamente jovens a abandonarem sua rotina para cuidarem dos pais.
   Um cientista passou a investigar essa cidade e, através de um levantamento cuidadoso em cartórios, identificou que os casos pertenciam àquele viés hereditário da doença - aproximadamente 5% dos casos de Alzheimer pertencem a este tipo - e descobriu até o casal que "originou" essa onda de casos.
    Foi muito triste, para quem tem uma mãe não tão idosa sofrendo deste mal, ver pessoas em idade tão mais jovem padecendo da mesma doença. Aliás, foi perguntado ao médico qual o paciente mais jovem que ele identificou, ao que ele respondeu "Trinta e oito anos". Surpreendentemente triste.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

"Fantástico"


   No último domingo, um programa da TV Globo, o "Fantástico", apresentou duas matérias que me deixaram "mexido".
   A primeira dizia respeito à violência que se comete contra as mulheres na Índia. Sempre ouvimos falar dos estupros - até coletivos -, mas o excesso de casos de ácido lançado contra as mulheres... e, principalmente, a falta de punição para os culpados, deixou-me chocado. Fotos de algumas moças com o rosto deformado foram apresentadas. Mas o caso mais grave de ataque, em que a jovem, de apenas quatorze anos, ficou com o rosto completamente desfigurado, teve que proteger os telespectadores da força da imagem, "embaçando" o rosto da moça. A situação era tão severa que a jovem tinha que utilizar uma espécie de canudo nas narinas, que se fecharam com a deformação, a fim de poder respirar. A própria repórter se emocionou tanto que chorou, durante a entrevista.
    O único aspecto positivo da reportagem foi a informação de que as leis contra esse tipo de crime foram modificadas e que, pela primeira vez, houve uma condenação para um homem que fez isso.
    Chamou atenção, porém, um fato muito triste. O advogado que defende a moça considerou que parte da culpa era dela. Ou seja, aquela velha ideia machista de que o homem que agride uma mulher o faz por conta de ela ter dado motivos. Algo parecido foi sugerido em uma pesquisa, aqui no Brasil - embora, depois, indicou-se que havia um engano nos dados apresentados -, que registrou que, no caso de estupros, é a mulher que "provoca" o estuprador, seja usando roupas curtas, seja se insinuando, através de gestos.
   Absurdo total!
   Voltamos à questão da existência de valores mínimos a serem compartilhados universalmente.
   Depois comento a outra matéria.

Time sem vergonha! (3)


    Eu nem vou dizer que já sabia, afinal isso é muito óbvio. Mas o fato é que o desastre realmente já estava previsto. O curioso é que, a cada partida, ouvíamos a Comissão Técnica da seleção brasileira dizer que o time estava evoluindo. Eu, sinceramente, não entendo baseado em que isso era dito.
   É claro que a falta do Neymar atrapalhou... nem sei se o futebol da seleção, mas, pelo menos, o aspecto psicológico dos caras. Falo que nem sei se o futebol, porque, afinal, no jogo do Chile, o Neymar não jogou absolutamente nada. 
    O susto que tivemos com a Alemanha só não ocorreu antes porque os times que enfrentamos não eram tão fortes. O único jogo decente da "seleção" foi aquele em que o Neymar se machucou. E isso não quer dizer que houve uma evolução - como dizem os jogadores e a Comissão Técnica -, mas simplesmente porque pegamos um time que joga aberto e que dá espaço para jogar também.
    A minha sorte é que, desde o jogo passado, fiquei em frente a televisão sem estresse. Assisti aos jogos tranquilo. Neste último, então, diante da franca diferença de forças entre os dois times, nem deu para ficar nervoso.    
    Eu diria que, na verdade, fomos muito longe.
    Vejamos o que acontece com Argentina, Holanda... e a Alemanha, daqui para frente. Eu aposto na Alemanha, mas torço pela Holanda - terra do nosso querido Spinoza. Rssss.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Time sem vergonha! (2)


    Nossa querida amiga de além-mar ficou rindo de mim, pela última postagem no blog. Ainda bem que ela fez isso, em vez de me dar um puxão de orelha... que eu, na verdade, até mereceria.
   O fato que me deixou "fulo" foi esse time não conseguir jogar como o Brasil que conhecemos. Ganhamos?! Mas o futebol brasileiro certamente perdeu. Um time em que, no meio campo - aliás, nem sei se dá para dizer que este "timeco" tem um meio campo -, só aparecem os jogadores de marcação e no qual só há chutões para frente não merece carregar o símbolo da seleção brasileira de verdade.
   Agora, sem querer deixar minha amiga triste, tenho que confessar algo: embora eu também tivesse muita simpatia por Portugal, não dá para comparar a história da seleção lusa com a nossa. Deste modo, mesmo contando com o melhor jogador do mundo, o cracaço Cristiano Ronaldo, não decepciona tanto o futebol apresentado pelos portugueses, e, com isso, a sua eliminação precoce. É verdade que o excesso de gols levados chateou muito. Mas não era o caso, penso humildemente, de se decepcionar tanto com a saída de Portugal como o seria com a do Brasil.
    Mas, sinceramente, penso que não será possível ver o Brasil na final... a não ser que algo mude radicalmente.