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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Ainda divagando sobre "determinado" Spinoza


   Louis Althusser  dizia, em Ler O Capital, que "[Spinoza] é o único ancestral direto de Marx".
  No artigo Is it simple to be Spinozist in Philosophy? (https://www.radicalphilosophyarchive.com/article/is-it-simple-to-be-a-spinozist-in-philosophy), a autora Katja Diefenbach, apresenta de modo interessante a visão de Althusser sobre Spinoza, no que concerne a sua relação com o marxismo. 
  Vejamos a parte em que o filósofo franco-argelino "critica" Marx por ele não ter captado um ponto importante da teoria spinozana:
      "At strategic points in Reading Capital, Louis Althusser introduces Spinoza's idea of an immanent cause as the decisive concept that is absent from Marx's discourse. For the Althusser of 1965, Spinoza's model of causality is the great missing link in Marx'se thought, a philosophical omission and lacuna of symptomatic force. It explains the whole detour that Marx was forced to take through Hegel's system of thought. Because Marx was neither aware of the concept of immanent causality in Spinoza nor produced it himself, the idea of the effectivity of structure is foun only in practical state in the complexity with which Marx depicts the social reproduction of economic relations in Capital".
   

terça-feira, 27 de março de 2018

O Capital


   Todos conhecem a extensão da opus majus de Karl Marx (1818-1883), mesmo quando se trata apenas do volume publicado durante a vida do filósofo alemão. Muitos desejam compreender melhor as ideias marxianas indo diretamente à sua obra, mas acabam por se intimidar diante do "tijolo" que é o livro. Normalmente, essa dificuldade é contornada com o uso de textos que resumem diretamente O Capital ou daqueles que explicam as teorias de Marx e, indiretamente, tratam dos seus escritos. Particularmente, acho uma boa saída. Mas... há um pequeno livro chamado Compêndio de O Capital, de Carlo Cafiero, que pode permitir esse acesso.
   Em princípio, essa poderia ser apenas mais uma sugestão de leitura, mas ela carrega um valor diferente de outros "resumos" ao Livro I de O Capital. Carlo Cafiero (1846-1892) foi um filósofo político italiano, que desenvolveu uma série de estudos sobre o anarquismo e o comunismo. Mas, especificamente no caso deste compêndio, houve certa "chancela" do próprio Marx. Vejamos esta estória.
   Cafiero enviou a Marx seu compêndio, junto com uma carta, em 23 de julho de 1879, concluída assim: "[...] recorro a vós para pedir o favor de dizer se, no meu estudo, consegui entender e comunicar a exata concepção de seu autor".
   Marx responde, dizendo que já tomara contato com tentativas de resumo de sua obra, e cita alguns defeitos destas. A aprovação da obra de Cafiero vem quando Marx escreve que as "tentativas pareceram fracassar em seu principal objetivo: despertar o interesse do público para quem os livros eram destinados. E é aí que está a enorme superioridade do vosso trabalho".
   A tradução brasileira foi publicada pela Hunter Books, em 2014