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sábado, 21 de maio de 2022

História da Liberdade Religiosa

 

    Comprei esses dias o livro História da liberdade religiosa - da Reforma ao Iluminismo, de Humberto Schubert Coelho, publicado pela Vozes Acadêmica e pelo Instituto Homero Pinto Vallada, agora em 2022.

    O livro é dividido em seis capítulos: (1) Raízes medievais e renascentistas da luta pela liberdade religiosa; (2) Nasce a Reforma; (3) O mundo moderno: religião e ciência reconfiguram sua relação; (4) Despertar espiritualista na aurora do Iluminismo; (5) A geração de Voltaire; e (6) A Era das Luzes.

    Nosso filósofo aparece no capítulo 3, no artigo de título "O papel decisivo de Espinosa no entendimento moderno da religião".

    Há uma rápida biografia, seguindo-se logo a apresentação das ideias spinozanas, ao longo dos seus diversos escritos.

    Diversas passagens são interessantes, mas eu destacaria essa, que achei, no mínimo, curiosa:

    "[...] suas [de Spinoza] ideias estão muito longe de serem fáceis, transparentes ou desambíguas, dando margem tanto para a defesa do materialismo mais radical quanto para a mística mais exaltada ao longo do século XVIII. Em ambas as vertentes, a presença de Espinosa formatou significativamente aquilo que entendemos por materialismo e mística modernos, com influência sobre autores tão discrepantes quanto os philosophes franceses e os idealistas alemães".

    Reconheço que há passagens do texto spinozano que podem sugerir certo materialismo - apesar de não concordar que ele seja um materialista -, bem como há, no mínimo, uma passagem que flerta com o misticismo - o que também não me parece ser a posição do holandês. Daí a dizer que ele "formatou significativamente aquilo que entendemos por materialismo e mística modernos", acho um pouco extremado. 

    De qualquer modo, o livro parece ter um conteúdo bem amplo, facilitando a pesquisa de vários nomes envolvidos com a liberdade religiosa ao longo da história. Acho que vale a pena adquirir.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Fichte


   Em O caminho para uma vida bem aventurada ou A doutrina da religião (1849), Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) escreveu:
   
   "A religião não é uma ocupação independente que seria possível praticar fora das outras ocupações, por exemplo, em certas horas; mas é o espírito interior que penetra, anima e impregna todo o nosso pensamento e toda a nossa ação".
   
   Quem dera fosse assim para todos aqueles que falam tanto sobre o assunto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pierre Bayle

   Os spinozanos conhecem Pierre Bayle, pelo menos em relação à sua afirmação sobre Spinoza ser um "ateu virtuoso", no famoso Dictionnaire Historique et Critique. Mas, e além disso, o que sabemos de Bayle?
   Essa pergunta me passou pela cabeça, quando, durante uma aula com o professor Danilo Marcondes, falando sobre o Ceticismo Fideísta da Modernidade, foi dito que Pierre Bayle (1647-1706), originalmente protestante, havia se tornado católico e, depois, regressou ao calvinismo. 
   Naquele momento, a única pergunta em que pensei foi: Se o argumento cético da falta de critério para definir qual a doutrina filosófica correta desembocara na utilização da fé como critério, como é que se troca de "fé"? Não duplicamos o problema então, já que agora teríamos várias "fés" equipolentes, e retornaríamos ao problema do critério dos céticos?
   Nosso eterno professor Danilo indicou que foi justamente isso que deu surgimento ao Deísmo, que via em Deus o único critério de verdade, comparando as "religiões positivas" às doutrinas teóricas, a respeito das quais não havia critério definitivo a ser adotado.
   Esse "indeciso" Bayle merece mais alguma investigação, não é? 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Religião

   Alguns amigos do blog sabem que já fui budista. Apesar de considerar o Budismo uma doutrina interessante - ou, talvez, uma religião interessante -, tenho a clara noção de que não sou mais um "seguidor" da mesma. 
   Não se pode dizer que tive alguma grande decepção com o Budismo - como acontece com alguns "desencantados" com suas religiões de origem, que acabam por se converter a alguma outra. O que aconteceu, de fato, foi que a Filosofia me arrebatou por completo, e o pensamento mítico-religioso foi perdendo lugar em minha alma.
   Sempre pensei na religião como algo que pudesse tornar o homem mais humano - bem menos do que outras pessoas, que pretendem que o homem se torne mais divino - e mais feliz. E, isso, acabei por encontrar na Filosofia.
   De qualquer forma, para quem sente que a Filosofia é algo meramente "racional" - o que, em verdade, não é... ou melhor, não é só -, há filosofias claramente voltadas para o aspecto mais existencial do homem. E não me refiro, com isso, apenas ao Existencialismo. Penso, por exemplo, que as filosofias epicurista e estoica dão conta, plenamente, dessa dimensão existencial do homem, sem deixar nada a dever ao Budismo, e que podem facilmente ser adotadas como "religiões", no sentido de melhorar a vida do homem.
   A bem da verdade, o próprio Cristianismo absorveu parte do legado filosófico antigo, sendo não só um "Platonismo popular" - como afirmam alguns -, mas isto com uma mistura de Estoicismo. A Providência Divina, por exemplo, está totalmente apoiada nesta última escola helenista.
    Portanto, se alguém "precisar" de uma religião de primeira linha, sugiro a Filosofia... e, principalmente, o Estoicismo. Rsss. Nada de ir ao Oriente buscar "velhas novidades", nós já temos "rivais" bastante adequadas no nosso Ocidente mesmo.