Mostrando postagens com marcador eterno retorno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eterno retorno. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Nietzsche e os estoicos


   Sabemos que o bigodudo Nietzsche tratou do "eterno retorno [do mesmo]" sem dizer que esta ideia já estava presente na Antiguidade, com uma força autoral bastante significativa no Estoicismo. É lógico que todos os nietzscheanos dizem que o conceito estoico não é tão elaborado quanto o do alemão, e que, se neles a percepção é meramente cosmológica, no do bigodudo há ares éticos, principalmente. O fato, entretanto, é que a intuição estoica é bem forte, e parece reivindicar mais originalidade que a do alemão.
   Uma coisa que sempre se diz - ou seria melhor escrever "que os nietzscheanos sempre dizem"? - é que a concepção estoica é fatalista demais, e que só resta ao homem seguir resignado esse retorno do mesmo. Eu sempre caí nesse engodo. Mas, eis que lendo do De vita beata, ou seja, o Da felicidade, de Sêneca, me deparo com a seguinte passagem: "Só a virtude pode chegar lá, passo a passo dominará o caminho, mantendo-se firme, suportando todos os imprevistos, sem resignação, mas com alegria, consciente de que as adversidades da vida fazem parte da lei da natureza" (Grifo meu).
   Percebe-se, portanto, que, além de usurpar o conceito de "eterno retorno" dos estoicos, o alemão também acabou tomando deles algo que poderia ser comparado ao "amor fati", afinal é isso o que o tal "sem resignação, mas com alegria" parece sugerir.
   Esse tal de Nietzsche é bem espertinho, mesmo!