Houve uma discussão bastante interessante sobre Lógica, aqui no blog, com o amigo Existenz. Ele, brilhantemente, como sempre, defendeu um ponto de vista diferente do meu quanto ao pertencimento, ou não, da causalidade nas relações lógicas. Eu defendi que a causalidade não pertencia à Lógica e ele indicou, pretendendo uma ideia lato sensu de Lógica, que havia, sim, essa relação. Talvez, como ele colocou, eu estivesse muito preso à Lógica Clássica, apenas. Ele ponderava sobre uma maior radicalidade na percepção de mundo do ser humano, vendo aí uma utilização da racionalidade... ou, talvez, da própria lógica, em sentido mais amplo, o que permitiria dizer que, nessa perspectiva, a causalidade pertencia ao campo lógico.
Acabamos, naquele momento, não nos estendendo mais sobre o assunto, após a competente argumentação do amigo. De qualquer forma, acho que ele acabou por fundamentar seu ponto de vista tomando a direção errada. Acertadamente, afirmou que existem diversos tipos de Lógica. Entretanto, o que ele queria reforçar, como eu já disse acima, era essa experiência mais "fundamental" - no sentido de "primeira" - do homem com o mundo, segundo um aspecto pré-científico... talvez, pré-racional, mas citou Lógicas que caminham num sentido contrário, sendo, por vezes, até menos intuitivas que a Lógica Clássica.
Sem querer voltar especificamente a esse ponto, gostaria de citar, com algumas alterações, um exemplo interessante do livro de Introdução à Lógica, do César Mortari.
Lá vai...
Uma questão interessante diz respeito à correspondência (ou não) do sentido "lógico" da conjunção e do "e", em Português. Considere a sentença: "João pulou do edifício e morreu". Estamos afirmando duas proposições básicas: "João pulou do edifício" e "João morreu". Em termos estritamente lógicos, se A ^ B é verdadeiro, B ^ A também é. Desta forma, "João morreu e pulou do edifício" é tão verdade quanto "João pulou do edifício e morreu". A "tradução" da ideia da conjunção seria a de que "tanto é verdade que João morreu, quanto que pulou do edifício". Mas a interpretação usual é que há uma conexão temporal entra as proposições atômicas originais, o que nos leva a deduzir uma relação de causalidade entre "João pulou do edifício" e "João morreu".
Foi no sentido posto pela problemática acima que eu afirmei que a causalidade não pertence à Lógica. Ainda que estejamos - conforme concordei com Existenz - tratando de Lógica Clássica, não há como negar que essa relação causal que pertence ao mundo empírico não parece, intuitivamente, ser facilmente transposta para o mundo lógico, mesmo que este esteja sendo considerado de modo bastante fundamental e primeiro, conforme o desejou mostrar o amigo Existenz.