terça-feira, 27 de julho de 2010

Sócrates, por Kolakowski (1)

  Já citei, várias vezes, a minha admiração pelo filósofo polonês Leszek Kolakowski. Além dos seus textos propriamente filosóficos, os de História da Filosofia - se é que realmente é possível fazer História da Filosofia sem ser filosófico - também são ótimos, por serem extremamente claros, apesar da brevidade.
  O Sobre o que nos perguntam os grandes filósofos - volume I contém a análise do polonês sobre o "onipresente" Sócrates, chamado por ele de "o mestre da Europa".
  Um trechinho interessante:
  "Temos a impressão, às vezes, de que Sócrates somente finge que não sabe..., que apenas quer forçar o interlocutor ao diálogo, para que este possa chegar por si mesmo à descoberta da verdade ou que possa corrigir suas convicções, que, ao cabo, provam ser um tanto tolas".
  Parece-me que Kolakowski vai além da opinião corrente de que Sócrates era ou apenas alguém que já tinha uma verdade pronta na manga, mas não queria exibir, ou apenas um desrespeitoso, que só queria mostrar a tolice dos outros. O polonês põe em questão o fato de Sócrates pretender, senão o parto de uma verdade - com sua maiêutica -, pelo menos a percepção de que as convicções tidas como mais certas para alguém pudessem ser avaliadas e corrigidas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mais um lançamento spinozano

  Comecei a ler - bem devagarzinho, enquanto curto outras leituras "expresso" - "Espinosa", de Wolfgang Bartuschat, professor de Filosofia da Universidade de Hamburgo. O livro foi publicado pela Editora Artmed... que tem sido bastante feliz em suas publicações na área da Filosofia.
  O livro tem uma estrutura bastante interessante. Primeiro, como deve ser sempre, posiciona a vida do autor no contexto cultural dele. Depois, trata dos primeiros escritos spinozanos, citando especificamente o Breve Tratado sobre Deus, sobre o homem e sua felicidade e o Tratado sobre a correção do intelecto. Em seguida, apresenta o sistema filosófico do luso-holandês, dividido em: pressupostos gerais, ontologia, teoria do conhecimento, doutrina dos afetos e razão e liberdade humana. Avança, então, para os temas religião e política. E conclui com um capítulo chamado "Após Espinosa".
  Embora eu não concorde com uma "Nota preliminar" que consta do livro, sem dúvida, ela chama atenção para algo que os spinozanos devem refletir: a "fragmentação" do sistema spinozano para que se possa concordar com ele.
  Em termos gerais, a nota diz algo como: "Espinosa é um pensador do passado... O espinosismo não marca quase nenhuma presença na discussão filosófica contemporânea... Naturalmente, tem-se como indiscutível que Espinosa foi um 'grande' pensador... por isso, poder-se-á encontrar em sua filosofia, junto a tanta coisa morta, também algo vivo. É muito fácil, porém, julgar como vivo e atualizável aquilo que, como fragmento, é destacado do contexto sistemático no qual Espinosa expôs sua filosofia - a qual deve ser compreendida justamente como uma crítica a esse procedimento de se considerar algo isoladamente".
  Pensemos, então... sem, entretanto, perder de vista, que há posturas do Tratado Teológico-Político, por exemplo, que se sustentam plenamente, mesmo sem a perspectiva mais geral da Ética, que sempre vemos como pano de fundo da filosofia spinozana.

"A religião..."

  Só como informação geral: a célebre frase "A religião é o ópio do povo", normalmente atribuída a Karl Marx, na verdade, é de autoria do poeta alemão Heinrich Heine (1797-1856).

Outra felicidade...

  Ainda quando não havia este blog, e trocávamos nossos pontos de vista apenas por "cartas" - já eram e-mails, mas que sugeri chamar de cartas, por tradição à forma "epistolar" de filosofar -, ficava ansioso para receber as considerações do brilhante amigo Existenz sobre as minhas opiniões.
  Quando da entrada dele neste espaço, fiquei felicíssimo com a constância - e a potência reflexiva - de seus comentários. Temi um pouco que, com meu afastamento, sua presença pudesse não se dar mais. Entretanto, foi com grata surpresa que, além dos novos amigos, pude rever um comentário seu - ao qual responderei em breve -, quando foi "provocado".
  Obrigado pela excelente participação, amigo Existenz!

Voltando... aos poucos

  Minha primeira alegria - além de voltar a escrever algo no blog - é ver que somos mais amigos dos amigos - 45, agora! Aos mais recentes, minhas boas vindas - que certamente repercutem as de todos os outros amigos mais "antigos".
  E, como sempre, desejo aos recém chegados que algo possa lhes ser acrescentado com essa nossa troca de pontos de vista... e que possam sentir-se à vontade para participarem e agregar conteúdo às nossas discussões.
  Outra coisa que sempre indico é que nosso espaço não é limitado aos temas que são inicialmente propostos por mim. Vocês podem, nos comentários, trazer alguma reflexão nova, que eu lançarei entre os posts, a fim de ampliar o campo de discussão.
  Muito obrigado pela presença, e sejam muito bem vindos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Voltando à lógica

  Houve uma discussão bastante interessante sobre Lógica, aqui no blog, com o amigo Existenz. Ele, brilhantemente, como sempre, defendeu um ponto de vista diferente do meu quanto ao pertencimento, ou não, da causalidade nas relações lógicas. Eu defendi que a causalidade não pertencia à Lógica e ele indicou, pretendendo uma ideia lato sensu de Lógica, que havia, sim, essa relação. Talvez, como ele colocou, eu estivesse muito preso à Lógica Clássica, apenas. Ele ponderava sobre uma maior radicalidade na percepção de mundo do ser humano, vendo aí uma utilização da racionalidade... ou, talvez, da própria lógica, em sentido mais amplo, o que permitiria dizer que, nessa perspectiva, a causalidade pertencia ao campo lógico.
  Acabamos, naquele momento, não nos estendendo mais sobre o assunto, após a competente argumentação do amigo. De qualquer forma, acho que ele acabou por fundamentar seu ponto de vista tomando a direção errada. Acertadamente, afirmou que existem diversos tipos de Lógica. Entretanto, o que ele queria reforçar, como eu já disse acima, era essa experiência mais "fundamental" - no sentido de "primeira" - do homem com o mundo, segundo um aspecto pré-científico... talvez, pré-racional, mas citou Lógicas que caminham num sentido contrário, sendo, por vezes, até menos intuitivas que a Lógica Clássica.
  Sem querer voltar especificamente a esse ponto, gostaria de citar, com algumas alterações, um exemplo interessante do livro de Introdução à Lógica, do César Mortari.
  Lá vai...
  Uma questão interessante diz respeito à correspondência (ou não) do sentido "lógico" da conjunção e do "e", em Português. Considere a sentença: "João pulou do edifício e morreu". Estamos afirmando duas proposições básicas: "João pulou do edifício" e "João morreu". Em termos estritamente lógicos, se A ^ B é verdadeiro, B ^ A também é. Desta forma, "João morreu e pulou do edifício" é tão verdade quanto "João pulou do edifício e morreu". A "tradução" da ideia da conjunção seria a de que "tanto é verdade que João morreu, quanto que pulou do edifício". Mas a interpretação usual é que há uma conexão temporal entra as proposições atômicas originais, o que nos leva a deduzir uma relação de causalidade entre "João pulou do edifício" e "João morreu".
  Foi no sentido posto pela problemática acima que eu afirmei que a causalidade não pertence à Lógica. Ainda que estejamos - conforme concordei com Existenz - tratando de Lógica Clássica, não há como negar que essa relação causal que pertence ao mundo empírico não parece, intuitivamente, ser facilmente transposta para o mundo lógico, mesmo que este esteja sendo considerado de modo bastante fundamental e primeiro, conforme o desejou mostrar o amigo Existenz.
 

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mesmo ausente...

  Apesar do afastamento forçado - que já está quase no fim -, eu não poderia deixar de registrar o aniversário de uma amiga dos amigos que acompanha o blog há mais tempo, a Maria.
  Então, hoje, temos que comemorar esse aniversário em alto estilo, desejando-lhe as melhores coisas do mundo. Afinal, apesar da distância que nos separa, é possível sentir sua generosidade e carinho para com todos que estão do lado de cá.
  Parabéns, querida amiga!