terça-feira, 12 de maio de 2015

Recorde


   Fiquei tão feliz por ter batido meu recorde nos 10 km. Domingo passado, numa corrida pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro, estabeleci a marca de 50'02". Já havia corrido abaixo dos 51 minutos (50'40"), mas desta vez fiquei tão pertinho dos 50 minutos que dá até para pensar em bater essa marca. 

A Política de Spinoza (2)


   Voltando ao livro Modelos de Filosofia Política, mais especificamente ao capítulo onde encontramos o item tratando do pensamento de Spinoza.
   O texto faz referência a duas diferenças entre as concepções do "Contrato social" em Spinoza e em Hobbes.
   "Ao passo que Hobbes preferia a forma monárquica, Spinoza defende com grande força que a melhor forma de governo é a democrática. Com efeito, na democracia, o direito do qual cada um gozava no estado de natureza não é transferido a um indivíduo particular (o monarca ou o soberano) mas à coletividade de todos aqueles que subscreveram o pacto social. [...] Mas há também outro aspecto pelo qual a concepção de Spinoza se distingue muito claramente, e criticamente da de Hobbes. O pacto social, uma vez subscrito, não é, na perspectiva spinoziana, absolutamente irrevogável. [...] [S]e a sociedade não atua aquela utilidade comum que é a verdadeira razão do pacto, ele não tem mais nenhum motivo de existir e, portanto, pode ser anulado e destruído".
    Além disso, de acordo com Spinoza, não é possível transferir todos os direitos. A liberdade de pensamento, por exemplo, não é algo de que se possa abrir mão, a não ser recusando a própria humanidade.
   Talvez Spinoza devesse dizer que "a liberdade de pensamento não é algo de que se DEVA abrir mão". Isto porque vemos as diversas ideologias tomando para si o direito de "pensar" pelos seus diversos "seguidores", e estes até se orgulharem do seu pertencimento a grupos dessa natureza. Teriam aberto mão de sua humanidade, esses indivíduos? É... pensando melhor, talvez sim.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Política de Spinoza


   Eu citei, há alguns dias, a presença do pensamento político de Spinoza no clássico History of Political Philosophy. Contudo, para fazer justiça a um outro livro que já citei no blog, Modelos de Filosofia Política, há que dizer que, no capítulo referente a "O paradigma do contrato", o autor Stefano Petrucciani também trata do pensamento político do holandês. A extensão das referências é bem vantajosa em relação ao livro de Leo Strauss, mas o que vale é a presença do filósofo num texto específico sobre o tema. Assim, quem se interessar pode pesquisar mais e mais profundamente.
   O capítulo do livro de Petrucciani começa explicando o modelo contratualista. O item seguinte, dentro do capítulo, faz referência ao pensamento de Hobbes. É bem longo, rivalizando com os que abordam Locke, Rousseau e Kant, e ganhando em muito daquele que trata de Spinoza.
   Mesmo perdendo em extensão, a referência ao aspecto democrático do pensamento político spinozano é bem marcante. O autor começa assim o item sobre nosso filósofo: "Encontramos, porém, uma declinação democrática do pacto social na perspectiva de Spinoza (1632-1677)".
   Nos próximos posts, tratarei um pouco mais deste item no livro de Petrucciani.
   

Política de Estado


   Achei bastante interessante uma notícia divulgada em O Globo, no dia 1º de maio de 2015. Ela mostra que o bom senso pode imperar no meio político - raras vezes, é bem verdade -, dando-se mais importância a políticas de Estado do que a políticas de governo. E, portanto, que vale à pena brigar pela continuidade de determinadas ideias, mesmo que elas tenham sido postas em prática por governos de partidos opositores, se elas forem realmente boas para o país, ou também repudiar algo inapropriado para o país, mesmo que isto gere dividendos político-partidários pontuais.
   Lá vai a notícia:
   "Repúdio à redução da maioridade une ex-ministros.
    Sete ex-ministros dos Direitos Humanos - representantes dos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma - se reuniram ontem no auditório da Universidade de São Paulo para assinar uma carta pública de repúdio à proposta de emenda constitucional (PEC) 171, que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade. [...] Paulo Sérgio Pinheiro, um dos ministros na gestão FH, afirmou que a reunião é prova de que o Brasil possui uma política de Estado nos direitos humanos, independentemente do partido que esteja no poder".
   Como eu disse, é uma pena que esses momentos sejam raros. Infelizmente, no Brasil, está difícil vermos atos que representem a Política (com "P" maiúsculo). Mas esse ato é a demonstração cabal de que há possibilidade da correção dos rumos.
   PS.: Em relação ao tema em questão "redução da maioridade penal", acho que a discussão tem que ser bem mais cuidadosa do que ela está se mostrando ser. Aliás, antes da redução da maioridade penal, acho que tem que ser discutida a situação dos encarcerados no Sistema Prisional brasileiro, a qual é muito degradante, em muitos casos que vemos.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

History of Political Philosophy


   O título do post faz referência ao, já clássico, livro organizado por Leo Strauss e Joseph Cropsey. 
   Antes de falar algo especificamente sobre o conteúdo, gostaria de fazer um comentário geral. Comprei a versão inglesa do texto, mas na mesma livraria havia a tradução para o nosso bom Português. O fato é que, curiosamente - aliás, eu não acho nem "curioso" apenas, mas sim "espantoso" -, o livro importado custa mais barato que o nacional. Alguém pode me explicar como um livro com características similares - encadernação quase igual, papel bastante semelhante, tamanho dos tipos também, etc. - que vem do exterior pode ser mais barato que outro produzido aqui? Realmente, acho isso muito esquisito.
   Vamos ao conteúdo, agora. 
   Realmente, o livro é uma peça preciosa, no que concerne à História da Filosofia Política. Há referência ao pensamento político de quase quarenta filósofos - dentre eles, o nosso tão querido Baruch Spinoza.
   Só para vermos a importância de Spinoza, no que diz respeito à Política, o texto escrito por Stanley Rosen começa assim: "Spinoza is the first philosopher to write a systematic defense of democracy".

terça-feira, 5 de maio de 2015

Essa, eu não entendi...


  

  O Lula saiu do PT? Por que ele discursa ao lado de uma placa "Abaixo Plano Levy", se o tal plano é do governo que ele ajudou a eleger?
   São os mistérios da Política brasileira! Rssss

A Revolução dos Bichos


   Já li 1984, de George Orwell, há muitos anos. Apesar de ter achado o livro espetacular, não me interessei por A Revolução dos Bichos. Achava, inocentemente, que o texto era um conto infanto-juvenil.
   Há alguns anos, um dos meus amigos filósofos desfez essa minha ilusão. Desde então, fiquei com vontade de ler o tal livrinho. O pior é que ele sempre adoçava a minha boca, com comentários sobre o texto, quando falávamos sobre Política... e, obviamente, sobre o socialismo.
   Neste meu período sabático, nada melhor do que pegar o livro na estante e começar a ler. Foi o que fiz. E achei realmente muito bom. Para quem conhece um pouco de História, os paralelos do livro com alguns fatos da União Soviética são absolutamente inconfundíveis.
   Adorei a ideia de manipulação do povo, com ferramentas retóricas; das mudanças dos fatos pretéritos; do desejo humano de poder e de tudo o mais que aparece no livro, só que remetido ao mundo animal. 
   Esse senhor Orwell é um ótimo escritor mesmo! Não à toa o fato do conto ter sido elencado pela revista Time entre os cem melhores em língua inglesa e constar da lista dos melhores romances do século XX, segundo a Modern Library List.