quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Por falar em Paulo...

Por falar em "Paulo", ontem, eu encontrei o meu compadre Paulo. Infelizmente, a conversa não pôde ser "regada" a uma cervejinha... ou o foi apenas parcialmente, visto que só eu não ia dirigir depois. Por esse motivo, não podemos falar que foi um "simpósio" - cuja origem remete à parte do encontro onde os participantes bebiam, e não meramente aos debates técnicos, como se entende hoje em dia.
De qualquer forma, foi um ótimo colóquio. Como sempre, começamos com a atualização mútua dos nossos quotidianos. Logo depois, passamos para aquela parte mais "interessante": nossas perspectivas pessoais da realidade que nos cerca. E aparece a Filosofia, a Física, a Religião, a Matemática...
Como meu compadre é um sujeito antenadíssimo, o papo flui sempre bem. Pena que acaba... Mas já há mais um "round" previsto para o feriadão de 12 de outubro. Ele que me aguarde! Rsss

Mais um amigo

Abri o blog e vi mais um amigo. Confesso que, quando li "Paulo", pensei que meu outro compadre tivesse tomado coragem - além de ter "forçado" um espaço na agenda - e "assumido" sua presença por aqui. Não foi o caso, mas ganhamos outro companheiro. E isso é que importa!
Seja bem vindo, botafoguense Paulo - sofredor no Campeonato Brasileiro, quase como esse que escreve, pois ainda estou pior, visto que torço pelo Fluminense. Rsss.
Secando as minhas lágrimas "futebolísticas"... desejo que goste do espaço - que agora também é seu. Sinta-se totalmente à vontade, portanto, para comentar todos os assuntos.
Um brinde à Filosofia, que nos uniu neste blog!

Água na boca do Existenz

Ontem, em mais uma das minhas "andanças" pelas livrarias, encontrei um exemplar que deixará nosso amigo Existenz com "água na boca" - eu até diria que ele ficará com uma "inveja saudável". Rssss.
Caro amigo, adquiri o livro "José Ortega y Gasset: a aventura filosófica da educação", de Margarida Isaura Almeida Amoedo, publicado pela editora portuguesa Imprensa Nacional Casa da Moeda.
A autora é professora na Universidade de Évora. Sua tese de mestrado foi em Filosofia Contemporânea, com dissertação sobre Miguel de Unamuno e Ortega y Gasset.
O livro tem quase setecentas páginas e, segundo a contracapa, "privilegia três grandes aspectos da figura de José Ortega y Gasset: a sua intervenção plurivalente na vida pública, como pensador, professor e publicista; as doutrinas filosóficas, que fazem da sua extensa obra um marco importante, dentro e fora da Espanha; e as direções pedagógicas, que, solidamente fundadas, imprimiram a todo o seu trajeto biográfico uma vitalidade transbordante e admitem ser repensadas, com proveito, noutros contextos".
Dei uma olhada nas seções do livro. A primeira delas mostra o percurso histórico do pensador. A segunda - que me parece ser o núcleo tanto do meu interesse quanto do seu - contempla mais de 230 páginas. São sete capítulos tratando dos temas orteguianos - circunstância, vida, verdade, razão vital. Dois deles têm títulos bastante curiosos: "Homem, o centauro ontológico" e "Filosofia: arte de viver, caçando na selva das ideias".
Obviamente, não é um livro para ser lido com pressa, mas com a dedicação de uma degustação.
Mas que promete.... ah, isso promete!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Spinoza e o pessimismo

Há alguns dias, registrei uma possível aproximação, mediada por Nietzsche, entre o "conatus" spinozano e a "Vontade" schopenhaueriana. Acho que ainda há muito mais a pensar sobre essa proximidade.
Entretanto, este post não olha essa aproximação do mesmo ponto de vista que o anterior. Aqui, a intenção é demonstrar a perspicácia de Spinoza para fugir ao pessimismo, característico de Schopenhauer, em relação à existência do ser humano.
Ao enxergar o mundo como uma "briga" insana entre as Vontades particulares, Schopenhauer vislumbra um egoísmo irremediável... que o encaminha naturalmente a um pessimismo.
Spinoza, mesmo sem conhecer essa "armadilha individualista", propõe um conatus (imaginando um paralelismo entre este conceito e o de Vontade) que possui duas dimensões: a primeira, individual, e uma outra, "social". Salva-se, então, nosso querido filósofo, e consegue propor uma ética, o que não foi possível para Schopenhauer e, penso, nem mesmo para Nietzsche - embora, no caso deste último, eu deixe o assunto para outro post.
Como Spinoza consegue isso? De modo relativamente simples: ele instaura um "conatus" do ente social - também um "corpo" composto de "corpos", que somos nós, indivíduos -, o que permite que, mesmo abrindo mão momentaneamente de um esforço "egoísta", o indivíduo possa ser beneficiado, visto ter agregado "energia" ao esforço do conjunto social. Isto, em última instância, se reflete num ganho individual "global".
Tanto assim que Spinoza indica, ao contrário de Hobbes - com seu "O homem é o lobo do homem" -, que o homem é o maior amigo do homem, pois é só através do outro, companheiro de sociedade, que se torna possível a obtenção da felicidade.
Esse Spinoza não é fácil!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Racionalismos (2)

Há alguns posts, pensava sobre o "rótulo" de "racionalista" para Spinoza - rótulo de que não gosto muito, como meus amigos sabem. Aliás, os "rótulos", de maneira geral, são reducionistas demais.
Então, pensando sobre os racionalismos...
Nosso amigo André Comte-Sponville nos diz que há dois sentidos para o termo. O primeiro, mais lato, diz respeito ao entendimento que o real é racional, e que o irracional não existe - aqui, lembramos obviamente de Hegel, com sua afirmação de que "O real é racional...". Neste sentido, o "racionalismo" se opõe ao "irracionalismo", ao obscurantismo e à superstição.
Nesse aspecto, não há como negar que Spinoza é um racionalista. Afinal, um de seus principais embates era contra a superstição.
Mas o que impõe a Spinoza o rótulo de "racionalista", pelo menos historicamente, tem mais a ver com a doutrina oposta ao Empirismo. Nesse sentido, o termo se refere a "uma doutrina para qual a razão é independente da experiência (porque seria inata ou a priori)", ainda segundo Spoville.
Sob este ponto de vista, acho que o rótulo já não lhe cai muito bem, visto que Spinoza não faz propaganda de nenhum inatismo.
Há, entretanto, mais algumas perspectivas sobre o "Racionalismo".
Roland Corbisier - que me parece um pouco menos "considerado" do que deveria - fala sobre três tipos de racionalismos: um racionalismo psicológico (ou intelectualismo); um racionalismo epistemológico/gnoseológico e um racionalismo ontológico/metafísico.
O primeiro tipo, postulando a divisão da alma humana em Vontade, Sensibilidade e Razão, propõe uma posição hierárquica superior da Razão, em relação às outras faculdades. Especificamente quanto a este tipo de Racionalismo, não acho que ele corresponda ao pensamento spinozano. A Vontade - que, para nosso filósofo, não era livre -, se considerada "impulsionada" pelo desejo, não fica em posição "menor" do que a razão, para Spinoza. E mais, tanto o filósofo não vê superioridade da razão, que não soluciona o dilema da felicidade como possível suspensão do desejo através da ação da razão.
O segundo tipo propõe que apenas a razão é a ferramenta adequada para conhecer a realidade. Quanto a este tipo, parece que Spinoza também não mereceria o tal rótulo. Afinal, o próprio filósofo coloca a Razão - como mecanismo de identificação de um "regramento geral" da realidade - apenas como modo secundário de conhecimento. A superior, como sabemos, era a "intuição".
O terceiro tipo propõe que a razão é a essência da realidade, tanto natural quanto histórica. Sob este ponto de vista, a estrutura do pensamento é determinado pela estrutura da realidade. E, à razão humana, é admitida a apreensão da realidade e a possibilidade de sua reprodução no pensamento.
Sob esse ponto de vista, parece-me que o rótulo se encaixa, pelo menos parcialmente, em Spinoza. Haja vista que ele entendia a razão humana como um modo, ou seja, uma moficação particular, de algo mais geral. Ou seja, a razão repetindo a estrutura do atributo Pensamento da Substância. Entretanto, se formos seguir essa linha, não é só a razão que é modo de um atributo da Substância. Teríamos, então, que dar-lhe também, talvez, o rótulo de empirista. Por mais estranho que pareça, caso fixemos nosso olhar apenas nesse aspecto, talvez coubesse-lhe até o rótulo de mero "materialista".
Com isso, insisto, a aplicação do "rótulo" - mais um - de racionalista a Spinoza tem que ser feita com muito cuidado e reflexão, e não de uma forma apressada e absoluta.

domingo, 27 de setembro de 2009

Que aula sobre Schopenhauer

Essa é só para registrar. Que aula sobre o alemão Schopenhauer assisti essa semana. O professor foi José Thomaz Brum, que leciona na PUC-Rio. Ele é mestre pela mesma instituição (com tese sobre Nietzsche) e doutor pela Universidade de Nice, França (com tese sobre Schopenhauer).  
Os títulos devem ser comuns a alguns poucos professores no Brasil, mas o "estilo" de José Thomaz Brum é único. O homem transborda "cultura", cita casos interessantes, que, de início, não parecem diretamente ligados à aula... mas, de repente, o "link" aparece... como mágica!
Adorei a aula... que foi a reapresentação de uma aula magna dada numa universidade de São Paulo.
Depois eu falo especificamente sobre ela... e sobre os momentos curiosos da mesma... e eu já estou em dívida com os amigos, já que nem escrevi sobre a aula de Marcos André Gleizer, falando sobre Spinoza.

Leszek Kolakowski (2)

Conforme a Márcia (Menina Virgem) sugeriu, procurei o texto de Ghiraldelli sobre Kolakowski.
O texto é interessante mesmo. Ghiraldelli conta que "doou" os seus volumes de "Main currents of marxism", de autoria de Kolakowski. O fato dessa ser a obra mais famosa do polonês poderia sugerir que o brasileiro rejeita o ideário de Kolakowski. Entretanto, Ghiraldelli mostra que "há outro Kolakowski, menos conhecido do público. Com este, nunca deixamos de aprender. Trata-se antes do Kolakowski filósofo do que do historiador ou especialista em marxismo".
Ghiraldelli conta que, em determinada reunião, vários filósofos comentavam um texto de Richard Rorty. Habermas brilhou, tanto no conteúdo quanto na forma. Gellner fez observações interessantíssimas. Kolakowski, por sua vez, também teria feito, segundo Ghiraldelli, um bom texto, mas sua melhor contribuição foi "um pequeno escrito, de observação direta à preleção rortyiana. Dispensando erudição excessiva ou rodeios, brindou [o texto de Rorty] com aguçadas questões, dando oportunidade de Rorty deixar claro, na época, alguns tópicos polêmicos do seu pragmatismo".
Parece-me que é "esse" Kolakowski que aparece nos pequenos livros que adquiri.
Obviamente, comecei a ler os livrinhos pelos filósofos de que mais gosto... e dos quais, não por coincidência, conheço um pouco mais - Spinoza, Kant, Schopenhauer. Num primeiro momento, achei que o texto era ótimo, mas que talvez não alcançasse o objetivo de esclarecer a quem não tinha "intimidade" com um determinado filósofo. Engano meu!
Passei para Kierkegaard e Bergson - filósofos mais "afastados" de mim - e percebi que Kolakowski "mira" um ponto central do pensador em questão; "estica a corda" do seu "arco teórico" e lança sua "flecha" de explicações, que acerta a "mosca"!
É espantoso que, em tão poucas páginas, o autor consiga captar a essência de um determinado pensador, e ainda ultrapasse o esperado, comentando teses menos "centrais" dos filósofos e, por fim, ainda proponha perguntas que nos fazem refletir sobre o que lemos e o que não lemos.
Continuo a leitura, bastante empolgado!
Por fim, avancei um pouco em conhecimentos sobre o polonês, utilizando as ferramentas "néticas". Vocês não vão acreditar... a tese de doutorado de Kolakowski foi sobre, ninguém menos que, Spinoza!!!
Ou seja, Kolakowski tinha algo em comum comigo... não o diploma de doutorado, mas o interesse por Spinoza.
Acho que esse senhor vai merecer mais algumas pesquisas, hein!