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quinta-feira, 25 de junho de 2015

"O livro mais polêmico do ano" (2)


   O livro Submissão, de que falei no post anterior, tem algumas passagens bem interessantes, normalmente pela sua ironia... mas também pela sua realidade. Gostaria de destacar algumas, aqui:
   "... uma conversa entre homens, essa coisa curiosa que sempre parece hesitar entre a pederastia e o duelo";
   "Podemos deixar as pessoas falarem bastante tempo, elas estão sempre interessadas no próprio discurso...";
   "... o verdadeiro inimigo dos muçulmanos, aquele que temem e odeiam acima de tudo não é o catolicismo: é o secularismo, a laicidade, o materialismo ateu";
   "A esquerda sempre tivera essa capacidade de fazer com que fossem aceitas reformas antissociais que teriam sido vigorosamente rejeitadas se viessem da direita";
   "Se o islã não é político, não é nada." (Aiatolá Khomeini);
   "Einstein tampouco era ateu, embora a natureza exata de sua crença seja mais difícil de definir" - é verdade que sua posição não fosse simples, mas nós sabemos que ele disse que seu Deus era o Deus de Spinoza -;
   "... tantos intelectuais no século XX tinham apoiado Stalin, Mao ou Pol Pot sem que jamais tivessem sido criticados por isso; o intelectual na França não precisava ser responsável, isso não fazia parte de sua natureza"; e
   "... se a espécie humana é um pouquinho apta a evoluir, é de fato à plasticidade intelectual das mulheres que o deve. O homem, de seu lado, é rigorosamente ineducável. Seja um filósofo da linguagem, um matemático ou um compositor de música serial, inexoravelmente ele sempre fará suas escolhas reprodutivas a partir de critérios puramente físicos, e de critérios imutáveis há milênios".
    
   Agora, confessando a minha ignorância, aprendi duas coisas com o livro. A primeira, que não deveria ser novidade para mim - mas foi -, é o fato de existir uma teoria econômica chamada "distributivismo", de origem inglesa, datando do início do século XX. A tal teoria tem como pais os pensadores Gilbert Keith Chesterton e Hilaire Belloc, e se apresenta como uma "terceira via" entre o capitalismo e o comunismo. Vale a pesquisa, depois.
   Além disso, tomei conhecimento da existência da profissão das "casamenteiras" no mundo islâmico. Elas são senhoras de grande experiência que têm o direito de ver as jovens moças nuas, a fim de indicá-las para seus respectivos futuros maridos. Há que lembrar que o homem não teria condições precisas de selecionar sua futura esposa pelos dotes físicos por trás daquele monte de pano. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

"O livro mais polêmico do ano"


   O título do post é uma referência feita ao livro Submissão, de Michel Houellebecq, publicado no Brasil pela Editora Alfaguara.
   Não sou leitor frequente de romances, mas, vez por outra, sou "pescado" por algum, normalmente por conta de alguma relação com a História, ou seja, romances históricos, montados sobre a vida de alguma personagem real. Neste caso, contudo, a coisa foi um pouco diferente. Estava eu para ler Herege, de Ayaan Hirsi Ali, cujo tema, já comentei em outro post, é o Islã, quando, no blog do amigo Gustavo, vi uma referência ao livro. Fiquei curioso. E como o tema era, de certa forma, também o Islã, interessei-me.
   A orelha do livro conta a ideia do texto:
   "François é um professor universitário que leva uma vida solitária. [...] Num futuro próximo, ele acompanha pela TV desdobramentos dramáticos, que prometem mudar o panorama político e social da França. Pela primeira vez na história do país, o segundo turno das eleições presidenciais é disputado pelo partido de extrema direita e pela chamada Fraternidade Muçulmana. Os políticos moderados, tanto de direita quanto de esquerda, decidem apoiar o candidato islâmico - o aparentemente moderado Mohammed Ben Abbes -, e esse é o momento decisivo na vida não só de François como na de milhões de cidadãos franceses. [...] [O texto de Michel Houellebecq] é provocador, irônico, mas é também carregado de questionamentos sobre uma civilização em crise."
   Na contracapa do livro há uma referência ainda mais valorosa para o texto: 
   "Comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Submissão é uma sátira precisa e devastadora, sobre os valores da nossa sociedade. É um dos livros mais impactantes da literatura atual."
   Em que pese algum exagero midiático e marketeiro, o livro é realmente bom. Sua leitura flui bem e atrai o leitor, fixando-o ao texto. Eu li as quase 250 páginas entre a quinta-feira e o domingo passados, sem dificuldades. 
    Dito isto, que não é nenhuma propaganda do livro, queria destacar algumas passagens curiosas. Não são muitas, mas, neste post, colocarei apenas uma... só para vocês perceberem como Spinoza me persegue. Rssss.
   Não é que a personagem principal, comentando um texto produzido para defender a universalização do Islã evoca pejorativamente nosso querido Spinoza? Diz ele: "Mas o essencial do artigo era uma curiosa meditação, não desprovida de uma espécie de kitsch SPINOZIANO, com escólios e toda essa lenga-lenga, em torno da teoria dos grafos". (Grifo meu)
    Precisava falar mal do Spinoza? "kitsch" e "lenga-lenga"? Que falta de respeito. Eu deveria ter parado de ler aí... mas só faltavam vinte páginas. Preferi ir até o final. Rsss.