terça-feira, 30 de junho de 2009

Ah... ainda sobre o senador

Eu nem contei que também li que outro filho do amigo de Arthur Virgílio está lotado como funcionário do senador, e que um terceiro filho já trabalhou também em seu gabinete.
Pior, nem contei que li que o Agaciel teria depositado US$ 10 mil na conta de Arthur Virgílio, quando o senador teve problema com o cartão de crédito, numa viagem particular a Paris, em 2003. O senador diz que apenas pediu ajuda a seu amigo - aos filhos de quem deu cargos -, sem saber que o dinheiro viria do ex-diretor Agaciel.
Antes que me esqueça: a fonte é o jornal "O Globo", matéria assinada por Isabel Braga.
Por último... li numa outra coluna: vocês já leram o nome do Sr. Agaciel ao contrário? Pelo conteúdo, acho que ele "não está nem aí" para as leis!

Futebol e política

Ganhamos, brilhantemente, a Copa das Confederações!
Fora a virada da final, só tivemos emoção verdadeira em outro momento... o gol, no finalzinho, contra o Egito, num pênalti "descarado" do jogador egípcio. De resto, passeamos sobre os adversários. Afinal, futebol e Brasil são duas palavras que combinam bem com uma terceira: campeão. Rsss.
Bem... indo ao que interessa: a política - no caso desse post.
Li no jornal que o senador Arthur Virgílio - tão preocupado com as "prestigiditações" do peemedebista Sarney como presidente do Senado - admitiu ter mantido um funcionário fantasma em seu gabinete.
A ligação entre o futebol egípcio e o senador diz respeito ao fato de que ambos, apesar de fazerem a coisa errada - o pênalti, no primeiro caso, e a contratação irregular, no segundo -, têm lá duas justificativas curiosas.
O primeiro reclamou do árbitro, que teria usado inapropriadamente o recurso da televisão para descobrir o seu toque de mão dentro da área. O fato de ele ter, irregularmente, feito o pênalti é secundário, sendo o principal o uso, também "irregular", do recurso eletrônico pelo árbitro. Inversão de valores!
O segundo reclamou que a sua ação "gentil", de contratar o filho de um amigo e assessor seu, que viajou e continuou a perceber sua remuneração, está sendo usada, irregularmente, pelo ex-diretor do Senado, Agaciel Maia.
Inversão de valores, novamente!
Em ambos os casos, o autor do "deslize" questiona aquele que aponta o erro, indicando que a sinalização é pior que o seu próprio ato.
Ué... era tão fácil não deixar ninguém apontar-lhes os erros... era só não errarem!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DVD do Pessoa

O título do post poderia ser, também, "Deixando a Maria com inveja". Rsss.
Vi o documentário sobre Pessoa e gostei muito. Trago aqui algumas informações que deixariam nossa amiga portuguesa enciumada. Só para "torturá-la", farei questão de registrá-las aqui.
Primeira. O Sr. José Blanco, escritor que prepara uma edição de todos os livros escritos por e sobre Pessoa, trabalhando nisso há décadas, perguntado sobre o interesse por Pessoa atualmente em Portugal, afirmou que está caindo. Mas... disse que, em outros lugares, principalmente no Brasil, este interesse continua aumentando.
Segundo. Hoje em dia existe um grupo de trabalho, em Portugal, chamado Equipe Pessoa, que se debruça sobre as 25 mil "peças" inéditas de Pessoa - adquiridas pelo governo português. O fato é que essa equipe teve a participação de uma professora brasileira, "especialistíssima" em Pessoa, chamada Cleonice Berardinelli.
Já foi suficiente para que nossa amiga Maria perceba que nós, brasileiros, também nos "apossamos" um pouquinho do Pessoa dela. Rsss.
Então, passo a duas informações para todos os que gostam de Pessoa.
Primeira. O Sr. Ivo Castro, principal responsável pela Equipe Pessoa, em Portugal, afirmou que a criação dos heterônimos no tal "Dia Triunfal", conforme nos narrou o próprio Pessoa, é só uma lenda. Na verdade, no tal acervo em posse do governo fica claro que Pessoa experimentou diversos modos de execução dos poemas que se refeririam futuramente aos seus heterônimos. E há poemas datados - obviamente, antes do tal "Dia Triunfal" - escritos e reescritos, ou seja, Pessoa foi modelando seus heterônimos cuidadosamente... muito mais "com transpiração" do que "com inspiração". É lógico que isso não tira nada do brilhantismo dos "produtos finais"... talvez até, pelo contrário, acrescente valor ao seu trabalho.
Outra informação. Há divergências sobre a causa da morte de Pessoa. Uma hipótese - descartada pela sobrinha, entrevistada no vídeo - é que ele teria morrido de cirrose. Os pesquisadores comentam que, apesar de nunca ter sido visto bêbado, Pessoa bebia ao longo do dia e que gostava principalmente de "cachaça".
Sabias dessas, amiga Maria?

domingo, 28 de junho de 2009

Sobre Lógica

Acostumado àqueles silogismos simples e intuitivos, do tipo "Todo homem é mortal/Sócrates é homem/Então, Sócrates é mortal", venho me aventurando no estudo da Lógica... e estou assustado. Rssss.
Só para terem uma ideia, meus amigos, mesmo esses silogismos que, nos livros introdutórios são tão intuitivos, perfazem um total de 256 tipos. É bem verdade que só 24 são considerados válidos - mesmo assim, desses, cinco são ditos "válidos fracos". E pensar que essa é só uma das formas de Lógica, a Lógica Silogística, que é considerada mais simples que a Lógica Moderna.
É óbvio que, como não pretendo me transformar em um especialista em Lógica, estou fazendo apenas um estudo um pouco além do mais básico... Mas imaginem como funcionavam as cabeças dos positivistas lógicos, como a de Wittgenstein, por exemplo?
Até porque sou um apaixonado por Metafísica, nunca poderia ser um lógico positivista. Afinal, essa escola filosófica foi mais uma a tentar "assassinar" a pretensão do ser-humano fazer Metafísica. E, penso, não conseguiu, pois, como disse Kant, essa é uma tendência inata ao ser-humano.

sábado, 27 de junho de 2009

Sobre o Irã (2)

Ainda refletindo sobre os eventos que se desenrolam no Irã, li uma coluna de Miriam Leitão e um Editorial de O Globo que versavam sobre o assunto. A bem da verdade, acho que a resposta sobre o que mudou no Irã não foi respondida, mas... sempre ganhamos mais alguns dados para enriquecer nossa meditação.
Miriam Leitão escreve o seguinte: "Os levantes populares sempre parecem surpreendentes para quem está de fora. Mas eles são construídos devagar. Embaixo da capa de uniformidade que os regimes autoritários conseguem construir, as mudanças acontecem sem que externamente se saiba". Escreve ainda que "... a corrente dos descontentes vai se adensando, até que um fato detona a explosão". Realmente, isso é o que percebemos a partir dos fatos: algo explode e, deve haver um fato que explique isso. Relacionamos esse fato inicial a uma "agitação" interna ao sistema, que já existe, mas que não é visível... principalmente para quem está de fora daquela sociedade, e ainda mais se o sistema não é um exemplo de transparência. Mas será que existia uma "corrente de descontentes", ou será que existiam só "descontentes", de uma forma atômica? Será que há um "movimento articulado" de ação? Sinceramente, não é o que parece a mim!
O Editorial fala de "aiatolás divididos". Não sei se isso é só uma constatação, ou se essa divisão seria a causa do acontecido. Se já existia uma preferência de alguns poderosos - como dos ex-presidentes Rafsanjani e Khatami, bem como do aiatolá Ali Montazeri - pela eleição de Moussavi, enquanto o grupo do aiatolá Khamenei continua seu apoio ao atual presidente Ahmadnejad, poder-se-ia explicar o movimento atual como um movimento orquestrado pelo primeiro grupo, a fim de afastar do poder o outro grupo.
Novamente, a mim não parece que seja este o caso. Mas, realmente, o problema é complexo para uma avaliação tão superficial.
Espero, de qualquer forma, que a solução seja a menos traumática possível... com a menor quantidade de violência necessária a um confronto dessas proporções.
"Que Alah proteja todos os seus filhos!"... quisera eu poder dizer isso.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre o Irã

Como o mundo todo, tenho acompanhado o desenrolar dos fatos no Irã. Entretanto, ao contrário de muitos, tenho me permitido uma reflexão mais demorada do que testemunho, através de leituras e reportagens feitas pela televisão.
O que mais me tem impressionado é o comportamento "ativo" do povo, exigindo o que acha um direito: escolher o seu presidente de forma justa.
Digo que me impressiona, em função de um filme ao qual assisti não há muito tempo, de nome "Persépolis".
Para quem não assistiu, conto um pouco. O filme se passa no Irã, e mostra o período da Revolução Islâmica, com a queda do xá Reza Pahlevi e a ascensão do aiatolá Khomeini. A personagem principal vivencia, enquanto criança, essa mudança.
Como em tantas outras revoluções, o tempo mostra que a proposta revolucionária inicial não se "encaixa" bem com a prática quotidiana. Parte do povo, principalmente os intelectuais, então, começa a questionar os governantes revolucionários. Infelizmente, de forma similar àquela ocorrida sob a atuação da polícia política do xá deposto, esse grupo não pode expressar suas opiniões. O povo acaba se submetendo à força dos poderosos e permanecendo passivo diante do que ocorre.
E, aqui, voltamos ao que ocorre neste momento: o que mudou, para que o povo manifeste com tanta força sua opinião?
O regime não se flexibilizou - prova disso é a postura do aiatolá Khamenei, que já sinalizou com um derramamento de sangue, caso as manifestações continuem -; o povo continua armado de paus e pedras, contra as milícias "Basij" e a polícia, perfeitamente equipadas para o extermínio, conforme a jovem Neda Agha-Soltan já descobriu, da pior forma possível, pagando com a própria vida; e não parece haver um apoio externo ao povo, tentando enfraquecer o regime ditatorial.
O que mudou, então? Continuo refletindo sobre isso...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ainda na linha pessoana

O texto que eu citei no último post, analisava o lançamento de um livro "Fernando Pessoa - o poeta fingidor". E mais, o tal livro vinha acompanhado de um DVD comemorando os 120 anos do nascimento de Pessoa, produzido em 2008.
Não foi fácil achar o livro, mas na terça consegui adquiri-lo. Apesar de pequeno, é muito bem produzido. Há reprodução de fotos e de escritos originais de Pessoa, além de algumas poesias dos diversos heterônimos, em papel de ótima qualidade.
O DVD, que eu ainda não vi, é um documentário apresentado pela Globo News em 2008. O poeta e jornalista Claufe Rodrigues, que ajudou a produzir o documentário, escreve no prefácio do livro que havia feito uma pesquisa independente em 2000, e, por isso, achou que não haveria muito a ser acrescentado nesse trabalho. Entretanto, indo a Portugal, descobriu que muita informação nova havia sido produzida sobre Pessoa, tendo esse material sido incluído no vídeo produzido.
Entre os poemas apresentados não poderia deixar de estar "O guardador de rebanhos", do Alberto Caeiro; e eu - que sou um amante da Metafísica - leio: "Há metafísica bastante em não pensar em nada/O que penso eu do mundo?/Sei lá o que penso eu do mundo!/Se eu adoecesse pensaria nisso."... ou seja, o Pessoa me chamou de "doente". Mas como é o Pessoa, eu deixo. Rssss.
Para fechar... "Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?" (de "Tabacaria").