quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Já ouvi os santos, ..."

   "... agora, escutarei Deus!"
   Foi com essa frase que me despedi do meu filhão, ontem. Ele, a caminho da "pelada", eu, do prazer "auricular".
   Explico melhor.
   Minha esposa está de férias, e já viajou. Eu ainda estou trabalhando, antes de nos reunirmos para o Natal e, depois, novamente, para o Ano Novo.
   Em casa, só com o "molecão", após o trabalho, regado à cerveja - para espantar o calor -, resolvi retirar uns DVDs da gaveta. Logo "se convidaram" as guitarras. Jonny Lang apresentou-se sem cerimônia alguma. Foi seguido por Jeff Healey.
   Mas ninguém vai à igreja para rezar só para os santos, há que se orar também para Deus. Então, sob enorme reverência, "saquei" um Eric Clapton. Aliás, "um" não, mas o melhor da dezena de DVDs que tenho dele, "Eric Clapton & friends in concert", com David Sanborn, Sheryl Crown, Mary J. Blige e Bob Dylan.
   Difícil acreditar que seres humanos possam produzir "Breakin' me", de Jonny Lang, e "Angel Eyes", de Jeff Healey. Mas a constatação de que Deus existe vem com músicas como "Tears in Heaven", "Wonderful tonight" e "Layla", por exemplo, nem que esse "Deus" seja aquele das pixações "Clapton is God".
   Se eram Schopenhauer e Nietzsche que consideravam a música a maior expressão artística, eles estavam cobertos de razão!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hildegarda de Bingen

   A primeira vez que ouvi falar na "senhora" que dá nome ao post foi através de uma amiga chamada Maria - não a "nossa" Maria, amiga dos amigos, aqui do blog, historiadora e teatróloga -, mas uma outra, filosofante amiga, da Universidade Federal Fluminense.
   A pesquisa da "outra" Maria focava justamente essa monja, da virada do século XI para o XII, bastante avançada para a época em questão.
   Para quem não conhece Santa Hildegarda de Bingen - É, a monja é santa, gente! -, vale a pena uma breve incursão pelo Google. É surpreendente. Aqui registro apenas o começo do que lá está: "Santa Hildegarda de Bingen, em alemão Hildegard von Bingen (Bermersheim vor der Höhe, verão de 1098Mosteiro de Rupertsberg, 17 de setembro de 1179), foi uma monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga e escritora alemã, e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha".
   O mais curioso, entretanto, não é apenas tudo isso o que a Santa Hildegarda é - o que já é muita coisa -, mas eu ter encontrado uma referência ao seu nome nada mais, nada menos que no livro "Cerveja - Guia Ilustrado Zahar".
   Eis que eu lia o supracitado livro, a fim de conhecer um pouco mais do líquido que adoro beber, quando me deparo com o trecho "Hildegarda e o Lúpulo".
   Lá está dito que: "Registros do século VIII mostram que o lúpulo era comumente cultivado nas abadias, mas não especificamente para uso em cerveja. A primeira menção inequívoca sobre esse uso está nos textos de santa Hildegarda (1098-1179), abadessa de Rupertsberg, abadia beneditina perto de Bingen, não muito longe da cidade alemã de Mainz". Ela teria escrito: "Se alguém pretende fazer cerveja com aveia, ela é preparada com lúpulo".
   Um comentário à parte: o livro indica que Santa Hildegarda "forneceu o primeiro relato escrito sobre o orgasmo feminino".
   Para uma santa, e informado num livro sobre cerveja, o fato é bem curioso!!! Rsss.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Um estudo autobiográfico", de Freud

   Para quem deseja entrar no estudo da Psicanálise "pela porta da frente", nada melhor do que um texto do próprio Freud. O problema mais óbvio em relação a isso é que há diversos deles, de várias fases, com diferentes enfoques. Entretanto, há um que me parece ideal para quem quer uma visão histórica geral do movimento psicanalítico, com a apresentação de diversos conceitos que apareceram nessa história... e, como eu disse, escrito pelo "Pai da Psicanálise". Este texto é o que dá título ao post: "Um estudo autobiográfico".
   O texto em questão está incluído no volume vinte da "Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud", publicado pela Imago Editora.
   Em pouco mais de sessenta páginas, "passeamos" com Freud desde a sua infância até os desenvolvimentos mais "modernos", à época do Dr. Sigmund, da Psicanálise. "Encontramo-nos" com o Dr. Josef Breuer, o Dr. Jean-Martin Charcot, o Dr. Jung e vários outros nomes importantes na história pessoal de Freud, mas também na própria história da Psicanálise. Além disso, tomamos "ciência" - ou seja, tornamo-nos conscientes - de conceitos como: katarsis, transferência, associação livre, desenvolvimento bifásico da sexualidade, Complexo de Édipo e de Castração, and so on...
   Pretendo revisitar essa agradável leitura e ir fazendo uns registros aqui no blog. Quem quiser que me acompanhe.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"Pequena História das Grandes Ideias" (2)

   Na parte "A Política", o autor fala de Machiavelli, e conta uma coisa bem engraçada:
   "Na morte, de acordo com uma anedota, Maquiavel manteve a postura do realista político. Com o aviso de que agora seria o momento de execrar o diabo e toda a sua obra, ele teria dado a resposta diplomática: 'Essa não é uma boa hora para fazer inimigos'".
   Eu até acho que já contei essa estória no blog, mas é engraçado relembrá-la.

"Pequena História das Grandes Ideias"

   Encontrei dois problemas no livro do título do post. Imagino que se trate de enganos na tradução; afinal, o livro é bem escrito.
   O primeiro está na página 39. Lá está escrito que "[Sócrates] quando demonstrou seu desprezo pelos atenienses, não afirmou que sabia mais de qualquer coisa, mas falou de uma voz no ouvido que o convencia desde a infância a fazer coisas ruins".
   Trata-se do famoso "daimon" de Sócrates. Mas o que Sócrates diz é que seu "daimon" não o incitava a fazer nada, só dizia "Não!" quanto às possíveis ações ruins.
   O segundo problema está na página 110. Lá está escrito diz que "A sobrecapa de Leviatã [...] Nela se vê um rei com cetro e espada, mas, quando aproximamos os olhos, descobrimos que esse monarca [o próprio Leviatã] se compõe de um mero indivíduo. Ou como diz Hobbes: o Leviatã é um 'homem artificial'".
   Na verdade, o Leviatã, no desenho, é composto de inúmeros indivíduos.
   É verdade que são enganos relativamente leves, mas que eles mudam a ideia original, mudam.  

A origem das palavras

   Para quem, como eu, gosta de "xeretar" a origem das palavras, vale a pena conferir o site http://origemdapalavra.com.br/lista-palavras/ .

domingo, 11 de dezembro de 2011

Leituras... (3)

   Um livrinho legal que já tinha sido adquirido há algum tempo, mas que não fora iniciado, é "Pequena História das grandes ideias - como a Filosofia inventou nosso mundo". O autor é Martin Burckhardt, e a editora é a Tinta Negra - da qual, eu particularmente nunca tinha ouvido falar.
   O livro é bem gostoso de ler. Em um final de semana dá para ir de cabo a rabo. Se o leitor for mais "seletivo", é possível fazer o mesmo em um dia, apenas.
   Trata-se de pequenos artigos, em média, com quatro páginas cada, que discorrem sobre "invenções" que mudaram a História. A diferença é que não são apenas invenções "concretas", como o GPS, o perfume e etc., mas de ideias, ainda que elas se apoiem em algum tipo de "concretude" para existirem.
   Ao lado das "grandes ideias", por vezes, associa-se o nome de um pensador, de um filósofo. Como os artigos são leves, com um certo ar de humor, tem-se acesso aos pensadores sem aquele ar grave de um manual de Filosofia.
   Entre as grandes ideias temos: Deus Pai, a Verdade, Autoconhecimento, o Indivíduo, a Política, a Evolução, o Inconsciente, Sexo e etc.
   Embora, pela extensão e pela proposta, algumas referências fiquem muito superficiais, não há como negar que é um acesso bastante interessante a algumas ideias filosóficas. E, mesmo que seja só por curiosidade sobre os assuntos abordados, penso que vale à pena a leitura.
   Alguns dados, entretanto, são bem interessantes. Em "A Verdade", por exemplo, o autor fala "do sofista Sócrates (469 a 399 a.C.), que se diferenciou dos demais sofistas por não aceitar dinheiro em troca de seus ensinamentos", que nós sabemos que é a realidade, visto que o método socrático de deixar o outro em enrascadas com o poder de sua argumentação é bem "sofístico". Entretanto, lendo Platão ortodoxamente, vamos ter que rejeitar totalmente essa ideia, e considerar Sócrates um completo adversário dos sofistas.
   Recomendo, não só para os interessados em Filosofia e em História, mas para a garotada em geral, que pode tomar contato com estes assuntos de um modo leve e prazeroso.