terça-feira, 12 de dezembro de 2017

As quotas na Folha de S. Paulo


   A Folha de S. Paulo publicou, no dia dez deste mês, sua análise sobre o desempenho de 252 mil estudantes nas últimas três edições do Enade, de 2014 a 2016, e chegou a uma conclusão que parece reforçar a ideia de que a adoção de quotas nas universidades é uma coisa razoável.
   É bem verdade que os resultados são apresentados sem expor a metodologia adotada. E sabemos que Estatística é algo que pode atender aos mais diferentes interesses. Basta lembrar aquela famosa frase: "Sob tortura, os números dizem qualquer coisa". 
   De qualquer modo, vamos ao que está dito.
   Em 33, dos 64 cursos analisados, a nota média dos alunos quotistas ou beneficiários de outra ação afirmativa foi superior ou até 5% inferior ao dos não beneficiados por estas políticas. Tal resultado foi considerado como uma espécie de empate no desempenho. Há que se destacar que, em termos oficiais, o empate fica caracterizado como maior ou até 10% inferior - o limite mais estreito de 5% foi o padrão adotado pela Folha de S. Paulo. Desta forma, oficialmente, 54 dos 64 cursos analisados teriam empate técnico entre quotistas e não quotistas. 
   Outro fato que chama atenção é que a nota de entrada dos beneficiários é menor. Desta feita, fica demonstrada uma evolução maior dos quotistas, em relação aos não quotistas, ao longo do curso.
   Mas, ficando com o critério da Folha, vemos que, dos 31 cursos onde os quotistas tiveram mais de 5% de diferença de rendimento, 13 estão na área de exatas. 
   Neste ponto, os especialistas indicam que, dos alunos que saem de escolas públicas, apenas 4% do total têm desempenho adequado em Matemática, em oposição a 22% em Português. Ou seja, tais alunos já carregam, desde o Ensino Médio, uma menor competência na área de exatas. 
   Decerto há que se discutir como está se dando a evolução desses números, a fim de que se determine se os parâmetros utilizados estão realmente mudando a situação de desfavorecimento histórico e alcançando os objetivos pretendidos. Além disso, sabemos de fraudes no sistema de quotas, que precisa ser mais objetivo.
   Mas... podemos estar acertando. Espero que mais análises sejam feitas, a fim de tirarmos isso a limpo.

sábado, 2 de dezembro de 2017

O nazismo original


   O último post tratava do "neonazismo", este pretende ser uma breve observação sobre o que seria propriamente o "nazismo". 
   Acho que poderíamos conhecer um pouco sobre isso, não só observando a História, mas também xeretando o livro do próprio líder alemão, Adolf Hitler, o famoso Mein Kampf. 
   Como não disponho do texto original, assumidamente farei uma leitura de segunda mão - pelo menos para início da reflexão. Vou me valer de Books that changed the world, de Robert B. Downs, de onde retirei algumas passagens que ajudarão a formar uma imagem do objeto em questão, o "nazismo".
   - "The National Socialist German Workers' party program, as it developed under Hitler's command, was designed to [...] exterminate 'the international poisoners', to abolish legislative bodies, and to establish the principle of blind, unquestioning obedience to a leader or Führer";
   - "Mein Kampf's theme song [...] is race, race purity, race supremacy - though nowhere did Hitler attempt to define race";
   - "To mantain the pristine purity of the Aryan, i.e., the German master race, there must be no 'bastardization' by admixture with inferior stocks. [...] To prevent such a calamity, it is the state's duty to intervene. [...] The state must lift marriage from abyss of racial shame";
   - "Since Germany was crowded and needed Lebenstraum, more living space, it was her right [...] to grab Slavic land, remove the Slavs, and settle German on it";
   - "Hitler wanted Germany to feed herself and be self-sufficient";
   - "Hitler said [...] state control of education [is necessary]. Too much book-learning is an error. Physical education and physical health should take first place. Second is the development of [...] military virtues. [...] Relegated to third place is intellectual activity. For girls, training must be for motherhood. The concept of education for all was repugnant to Hitler"; e
   - "Hitler saw democracy as 'the deceitful theory that the Jew would insinuate - namely, the theory that all men are created equal. [...] Hitler substituted the leader principle for democracy".
   
   O que salta aos olhos, logo de início, é não se tratar apenas de tirar direitos de quem é considerado inferior, por conta de alguma característica específica. Há uma verdadeira visão de funcionamento de Estado - e de instituições alinhadas com esta perspectiva. Isso parece confirmar que não se trata exatamente de uma retomada do nazismo, decerto com algumas variações, ou seja, de neonazismo, quando vemos, por exemplo, supremacistas brancos agredirem negros nos Estados Unidos.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Neonazismo


   Existe realmente "neonazismo"?
   Acho ser possível existir, mas não me parece disso o que se está tratando quando se chamam alguns movimentos que vemos espalhados pelo mundo de "neonazistas".
   Na Wikipedia, normalmente uma introdução rápida a qualquer assunto, está dito: "O neonazismo está associado ao resgate do nazismo, ideologia política propagada por Adolf Hitler, a partir do começo da década de 1920. O movimento neonazista tem suas origens assentadas na intolerância e em preceitos racialistas, primando sempre pela 'raça pura ariana' ou pela 'superioridade da raça branca'. Os seguidores da doutrina, em sua maioria, promovem discriminação contra minorias e grupos específicos, como homossexuais, negros, estrangeiros, ameríndios e judeus, além de imigrantes caboclos e islâmicos e contra os comunistas".
   Entendo que vemos gente discriminando minorias ao longo do mundo inteiro, mas tenho dificuldade em identificar somente essa característica com o que se chama "neonazismo". Neste sentido é que acredito existirem grupos que também fazem isso, mas que, por acrescentarem outras referências ideológicas mais específicas do nazismo original, possam ser chamados de "neo" nazistas.
   Voltaremos ao tema...

   

Dia 21 de novembro...


   Já passou, sem registro no blog, o Dia Mundial da Filosofia (16)... está em curso o dia do aniversário do Ricardo (21), e ainda está por vir o dia de aniversário de Spinoza (24). Eita novembro bom...

Que novembro comece!!!


   Se bem que começar agora, quando já passaram dois terços do mês, fica esquisito. Mas... vamos lá.

Outubro passou?!?!?


   Putz... outubro passou sem nenhuma postagem?!?! Que isso?!?!?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Leandro Karnal (2)


   Sabemos que Karnal é historiador, por formação. Contudo, é um homem ilustrado, com conhecimentos de várias áreas do saber.  
   Mas... no texto que trata sobre a velhice, ele dá uma "escorregada". E justamente com nosso querido Spinoza.
   Karnal diz: "[...]como queria Espinosa, sou o meu corpo. Não existem duas instâncias separadas, mas uma só. Meu corpo não contém o meu ser, ele é o que sou".
   Realmente, para Spinoza, o ser é uma coisa só, que pode ser percebida sob dois aspectos - um material e outro imaterial. Mas... dizer "sou o meu corpo" soaria materialista demais para Spinoza. Afinal, se há somente uma "coisa", eu poderia dizer "sou a minha mente". Mas isto é falacioso. Qualquer redução do ser a uma única "instância", como usa Karnal, seria confundir o nível da nossa percepção do ser com o da própria existência do ser.