quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Esquerda e Direita


   O livro que estou lendo ainda - e a que me referi no post anterior - é Esquerda e Direita: Guia histórico para o século XXI, do escritor e historiador português Rui Tavares.
   Trata-se de um texto muito interessante, que nasce de um questionamento bastante objetivo: Fazem ainda sentido a esquerda e a direita?
   A resposta de Rui Tavares também é objetiva e direta: Sim. Ainda há uma distinção clara entre "direita" e "esquerda" - ainda que isso não signifique falar apenas em "neoliberalismo" e "socialismo". E é aí que entra a explicação da longevidade desses termos, segundo o autor.
   Para ele, os termos ainda guardam sentido justamente porque não há um conceito específico, unívoco e integral para eles. Há, sim, um "ambiente" que corresponde à direita e à esquerda. 
   Depois, comento mais.

Polêmicas


   Eu não sou um polemista. Mas gosto de observar os assuntos por seus diversos ângulos possíveis de abordagem. De acordo com esta perspectiva, encontrei um bom livro para ser lido: Pensando bem..., do filósofo e articulista da Folha de S. Paulo Hélio Schwartsman. O livro foi publicado pela Editora Contexto, agora em 2016.
   Na verdade, o título é maior: Pensando bem... um olhar original a respeito de liberdade, religião, história, política, violência, comportamento, educação, ciência. Ufaaaa... Isso é o que consta da ficha catalográfica, mas o que está em destaque na capa é o que eu já havia registrado acima... embora, em letras menores, isso também esteja visível exteriormente.
   Mas eu começo com uma frase que consta do livro e que reforça essa ideia de abordagem por diversas perspectivas. A afirmação é do jornalista norte-americano H. L. Mencken (1880-1956). Ele diz:
   "Para todo problema complexo existe uma solução clara, simples e errada.".
   Isso bem serve àqueles que, numa situação tão complexa quanto a do Brasil atual, tendem eleger boias salvíficas únicas para sairmos desse nosso embaraço social... quaisquer que sejam esses portões mágicos de saída da crise.
   Vale à pena ler. Ainda estou concluindo outro livro. Mas, depois, já tenho encontro marcado com esse... pelo menos como leitura alternativa e descontínua, já que os textos são pequenos, e podem ser lidos isoladamente.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"Verdades e mentiras - ética e democracia no Brasil"


   O título do post se refere a um livro publicado pela Editora Papirus Sete Mares, agora em 2016. Trata-se do registro de um diálogo entre Mário Sérgio Cortella, Gilberto Dimenstein, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé.
   O texto é bem atual. Alcança fatos como a aceitação da proposta de impeachment de Dilma pela Câmara dos Deputados. E é uma discussão de ótimo nível. 
   Fica claro que, quando o assunto toca o caso concreto de Dilma, somente o Cortella se mostra mais inclinado a defender a ex-presidente. Apesar dessa inferioridade numérica, como a discussão é feita com respeito, há espaço suficiente para que compreendamos a posição de cada "lado". 
   Depois, falo mais sobre este livro.

"A nervura do real"


   Em 1999, Marilena Chauí lançava A nervura do real - imanência e liberdade em Espinosa. A obra constaria de dois volumes. O primeiro volume, referente à imanência, era um "tijolão" - aliás, um tijolão e um tijolinho, já que havia o volume de notas e referências bibliográficas - com conteúdo bastante relevante. Mas os anos se passavam e a parte que mais me interessava, aquela sobre a liberdade, não aparecia. Imaginei até que a professora Marilena Chauí tinha abandonado o projeto. Ainda bem que eu estava errado. Agora, em 2016, foi lançado o segundo volume. 
   Viva!!! Parabéns à professora Marilena Chauí pela grande obra. Aliás, certamente uma referência definitiva no cenário nacional, e mesmo internacional, dos estudos spinozanos.

Quanto tempo, hein!

   Imaginei que julho seria um mês superprodutivo para este blog, afinal eu estive de férias. Mas foi tanta correria que meu plano não só foi frustrado, como ocorreu o contrário: nenhuma postagem.
   Aí, veio agosto. Viagem da filha e esposa; Olimpíadas e impeachment da Dilma mobilizaram minhas atenções... e novo silêncio.
   Mas vamos voltar ao trabalho... Rsss

quinta-feira, 30 de junho de 2016

"O que é socialismo, hoje"


   O título do post é o mesmo do livro de autoria de Paul Singer, e é a propósito dele que eu trato neste post.
   É um livro pequeno, de pouco mais de setenta páginas. Só comecei a ler hoje, mas gostei das primeiras ideias do autor. Ele foi escrito em 1979, portanto, não reflete sobre o relevantíssimo evento da queda do muro de Berlim. Mas... vamos lá.
   Logo na Introdução, ele diz: "quando hoje se levanta a bandeira do socialismo, surge inevitável e justificadamente a pergunta: mas, afinal, de que socialismo se trata?"
   Esta questão se mostra absolutamente pertinente a partir da observação do autor de que "a concepção do que seja socialismo não pode ser sempre a mesma, na medida em que o capitalismo avança".
   Uma questão interessante que o autor põe é: "Onde os meios de produção são propriedade privada e os trabalhadores, assalariados - eis o capitalismo. Mas onde os meios de produção são juridicamente do Estado podemos ter qualquer coisa - capitalismo de estado, economia centralmente planejada ou até socialismo".
   Esta última observação é importante porque, segundo ele: "A abolição da propriedade privada dos meios de produção é, certamente, uma condição necessária à superação do capitalismo e portanto à construção do socialismo, mas não é condição suficiente".
   Quando avançar, falo mais sobre o texto.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

"10 Lições sobre..."


   Gosto muito da Coleção "10 Lições sobre...", da Editora Vozes. Os livrinhos possuem um volume de informações e uma densidade que não parece combinar com a reduzida extensão do texto. É coisa de mágico! Rsss.
   Os últimos volumes que comprei foram Adorno, Leibniz e Weber. Mas, só comecei a bisbilhotar o referente a Max Weber. E... sem nenhuma surpresa, achei-o ótimo. Este volume é de autoria de Luciano Albino, doutor em Sociologia, e professor no Programa de Pós-graduação da Universidade Estadual da Paraíba. 
   A primeira lição é biográfica. Interessante, mas só para situar a polimatia de Max Weber.
   A segunda lição é um show! O título é "Fundamentos sociológicos". São apresentados vários dos conceitos utilizados por Weber em sua formulação de Sociologia. 
   Diz o texto:
   "o principal conceito sociológico de Weber é a ação social, quer dizer: 'um comportamento humano sempre que e na medida em que o agente ou os agentes o relacionem com um sentido subjetivo".
   E explica que:
   "A sociologia, em particular, seria a ciência especializada em interpretar a ação social [...] [e] compreender a conexão de sentido objetivada pelo agente".
   Contudo, para que não percamos de vista a ciência específica que está em jogo, o autor diz:
   "Torna-se oportuno [...] destacar o caráter social da ação, tendo em vista que Weber se preocupou em diferenciar a sociologia da psicologia. [...] [A] Teoria da Ação Social se torna mais sistemática e sociológica no momento em que ele elabora tipos para as mesmas".
    E o livro apresenta, então, de modo breve essa tipologia ideal de Weber: a ação racional com relação a fins;  a ação racional referente a valores; a ação irracional - eu prefiro ação afetiva - e a ação tradicional.
   Como se não bastasse, ainda trata, neste mesmo pequeno número de páginas, de poder e dominação. Ah... é mágica mesmo! Rsss.
   Depois, falo mais.