quarta-feira, 24 de maio de 2017

Teoria Crítica


   Um livro que vale à pena ser lido, principalmente pela objetividade do mesmo, o que facilita uma primeira aproximação em relação a qualquer assunto, é Teoria Crítica, de Marcos Nobre, da Coleção Filosofia - Passo a passo, publicado pela Zahar.
   Uma das primeiras coisas destacadas pelo autor é que "essa expressão [teoria crítica] [...] surgiu pela primeira vez como conceito em um texto de Max Horkheimer (1895-1973) de nome Teoria Tradicional e Teoria Crítica, de 1937".
   O texto de Horkheimer foi publicado na revista oficial do Instituto de Pesquisa Social, um órgão cujo objetivo era promovoa, em âmbito universitário, investigações científicas a partir da obra de Karl Marx (1818-1883), com pesquisadores de diferentes especialidades - economia, ciência política, direito, crítica da cultura, filosofia, psicologia e psicanálise.
   A Teoria Crítica é usualmente associada à chamada Escola de Frankfurt, embora haja algumas considerações a serem feitas no que concerne a esta relação. Mas depois falo mais disso...

Representantes de quem? (2)


   Só para aguçar a curiosidade dos possíveis leitores do livro de Jairo Nicolau, vou revelar algo escrito logo no primeiro parágrafo do capítulo um. 
   Lá vai:
   Logo após as eleições de 2010, um motorista de táxi paulistano [...] depois de mostrar seu desapontamento com o fato de mais de um milhão de pessoas (foram 1.353.820) terem votado no palhaço Tiririca (PR) [...] passou à indignação porque essa impressionante quantidade de votos ajudou a eleger um candidato do PCdoB (delegado Protógenes) e outro do PT (Vanderlei Siraque). Poucos eleitores de Tiririca deviam saber [...] [que] ao votar no palhaço, eles tinham ajudado a eleger um candidato petista. Já outros eleitores, ao votarem na legenda do PT, tiveram seu voto contabilizado para uma aliança que incluía um partido de centro-direita.

    Obviamente, é conhecido o fato de as coligações serem algo que resulta em algumas situações curiosas, bem como de uma figura que "chama votos" carregar consigo outros eleitos que não correspondiam necessariamente à intenção do eleitor. Mas a citação do número de votos, das figuras e dos partidos envolvidos é algo que vale mencionar.
   Depois comento mais...

Zygmunt Bauman


   Eu comentei, em post recente, que minha mãe foi internada em 09 de janeiro de 2017. Nesta mesma data, o mundo perdia o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, aos 91 anos.
  O sociólogo é famoso, dentre outras coisas, por cunhar a expressão "modernidade líquida", rompendo com a ideia de pós-modernidade. Sua intenção é indicar que não há uma superação da modernidade, mas sim uma aceleração da velocidade das mudanças no que se refere ao período moderno.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Representantes de quem?


   O título do post é o mesmo de um livro de autoria do cientista político Jairo Nicolau.
   Trata-se de um livro com quase 170 páginas muito bem escritas. É claro e cheio de informações interessantes. Mesmo assuntos teóricos conhecidos ganham colorido especial com sua aplicação a casos concretos.
   Na contracapa do livro está registrado que ele "foi escrito para ser lido e entendido por quem não tem conhecimento técnico, mas se espanta e quer compreender melhor diferentes aspectos do quebra-cabeça da representação política no Brasil. Um livro indispensável, que esclarece, informa e colabora para termos cidadãos mais conscientes e uma política mais responsável".
   Depois escrevo mais...

Desenvolvimento


   Há muito ouvimos que o Brasil é um país "em desenvolvimento". Pode ser... Mas seria melhor entender exatamente o conceito de "desenvolvimento", antes de afirmar que estamos nos direcionando para ele.
   A revista Sociologia, na sua edição nº 68, trata desse assunto em sua matéria de capa, com autoria de Laura Rezende Fuser.
   Lá consta o seguinte:
   "Durante o intenso debate desenvolvimentista que ocorreu após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o crescimento econômico foi amplamente entendido como sinônimo de desenvolvimento".
   Ainda hoje, parece haver uma inequívoca interrelação entre "crescimento econômico" e "desenvolvimento". Se essa não é uma leitura completamente enganada, também não o é livre de questionamentos. 
   Vale refletir sobre outro trecho:
   "Em 1970, o economista britânico Dudley Seers [...] apontava para o caráter normativo do conceito de desenvolvimento, relacionando-o às condições necessárias para a realização do potencial humano, como a alimentação, o emprego, a igualdade e a equidade".
   A ONU, por exemplo, define cinco dimensões para o conceito de "desenvolvimento": paz, economia, ambiente, sociedade e democracia.
   Uma última observação interessante diz respeito ao desenvolvimento social ter relação com mudanças estruturais. Vejamos:
    "Nesses sentidos, ações estritamente focadas no aumento da renda se enquadrariam no conceito de crescimento econômico; já políticas voltadas à promoção de mudanças estruturais (como educacionais, culturais, de acesso a direitos, e inclusão social no mercado) estariam mais relacionados ao conceito de desenvolvimento". Assim, "ações [de políticas públicas] que visam a uma melhor distribuição de renda devem prever mais mudanças estruturais do que o simples aumento da renda, na medida em que a distribuição está mais propensa a se alterar quando a estrutura básica da economia passa por reformas".
    
  

Aécio Neves, que isso?!?!


   O senador Aécio Neves terá que enfrentar, no momento adequado, o julgamento de seus atos por um membro do Judiciário - sem falar na possível avaliação dos seus próprios pares. Contudo, o juízo sobre a educação do ex-governador do Estado de Minas Gerais já foi concluído: o nobre político é muito "boca suja", em que pesem os áudios divulgados contendo sua conversa com o empresário Joesley Batista.
   Aécio, em poucos segundos, despeja palavrões "cabeludos" em nossos ouvidos. Eita... trem ruim! Rssss

Brasil...


   O momento que vivemos em nosso país é muito delicado - disso, acho que ninguém duvida. Independente das verdades, ou inverdades, que circulam, o embate das forças políticas nacionais está promovendo instabilidade econômica e social. Esse certamente será um tema que frequentará este blog. Por enquanto, queria apenas registrar uma frase citada pelo procurador-geral Rodrigo Janot, de autoria do ex-governador da Bahia Octávio Mangabeira:

"Quanto mais lamentável for a situação do país, mais estaremos no dever de não perder a fé no seu destino".