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sexta-feira, 25 de abril de 2025

Ainda sobre a Itália

 

    Tratando ainda do mesmo país, mas com um tom bem mais leve, falemos de uma bebida tradicional italiana: o Negroni.

    O drink apareceu no final dos anos 1940 e se popularizou na década seguinte.

    A história mais famosa sobre a bebida indica que o conde Negroni, general Pascal Olivier, em Florença, solicitou ao barman que "incrementasse" seu drink Americano. Este tem como ingredientes água gaseificada, vermute vermelho e Campari. A água gaseificada foi substituída por gin, tornando a bebida mais forte.

    Para quem se interessar mais pela bebida do que por sua história, segue a receita: num copo de tipo old-fashioned, colocar gelo; acrescentar, em seguida, medidas iguais (um terço) de gin, vermute vermelho (doce) e Campari; mexer e adicionar uma fatia de laranja.

    Há também variações do famoso Negroni. 

    Em Milão, substituiu-se o gin pela mesma medida de Prosecco, criando-se o Negroni Sbagliato.

    Já o Boulevardier troca o gin por uísque, na mesma proporção.

    Salute!

25 de abril... de 1945

     

    Hoje, dia 25 de abril, é comemorado o Dia da Liberação, na Itália. Trata-se da data em que a resistência italiana organizou um movimento nacional a fim de se insurgir contra o governo nazifascista que conduzia aquele país próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial. As batalhas aconteceram ao longo do território italiano, destituindo o governo nazifascista antes mesmo da ocupação pelas tropas aliadas - o que viria a dar fim à guerra na Itália -, em 2 de maio de 1945.

    Seguiu-se ao 25 de abril uma "caça às bruxas" dos fascistas e daqueles cidadãos que apoiavam o nazismo, os ditos "colaboracionistas". O lema da resistência era "Renda-se ou morra!". E a morte foi o destino de muitos fascistas ou colaboracionistas, incluindo do ditador fascista Benito Mussolini, executado três dias depois, em 28 de abril.

    É importante destacar, ainda hoje, a força da resistência organizada contra todo autoritarismo, seja de que natureza e tenha a cor que tiver. 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Leite para adultos

 
   Dessa, eu não sabia...
  Um dos argumentos mais comuns para tentar tirar o leite da dieta dos adultos humanos é de que este item seria antinatural, já que, dentre os mamíferos, só os homens continuariam a ingerir leite após o desmame.
   Li, hoje:
   "Os primeiros humanos não conseguiam diregir leite após o desmame. Mas cerca de 7.500 anos atrás surgiu um novo gene em uma tribo de criadores de gado que vivia entre os Balcãs e a Europa central. Isso permitiu que continuassem digerindo a lactose - o açúcar encontrado no leite - até a idade adulta. [...] Mas esse gene [...] não é encontrado em mais da metade da população mundial, que continua intolerante à lactose".
   Não sei se a proporção dos intolerantes à lactose é tão grande. Mas, em alguma medida, pareceu-me uma "vantagem" evolutiva de parte da humanidade ter mais essa fonte alimentar. Então, para quem não tem a disfunção... Viva o café com leite!

Fonte: CROFTON, Ian. 50 ideias da história do mundo que você precisa conhecer. São Paulo: Planeta, 2016

sábado, 21 de maio de 2022

História da Liberdade Religiosa

 

    Comprei esses dias o livro História da liberdade religiosa - da Reforma ao Iluminismo, de Humberto Schubert Coelho, publicado pela Vozes Acadêmica e pelo Instituto Homero Pinto Vallada, agora em 2022.

    O livro é dividido em seis capítulos: (1) Raízes medievais e renascentistas da luta pela liberdade religiosa; (2) Nasce a Reforma; (3) O mundo moderno: religião e ciência reconfiguram sua relação; (4) Despertar espiritualista na aurora do Iluminismo; (5) A geração de Voltaire; e (6) A Era das Luzes.

    Nosso filósofo aparece no capítulo 3, no artigo de título "O papel decisivo de Espinosa no entendimento moderno da religião".

    Há uma rápida biografia, seguindo-se logo a apresentação das ideias spinozanas, ao longo dos seus diversos escritos.

    Diversas passagens são interessantes, mas eu destacaria essa, que achei, no mínimo, curiosa:

    "[...] suas [de Spinoza] ideias estão muito longe de serem fáceis, transparentes ou desambíguas, dando margem tanto para a defesa do materialismo mais radical quanto para a mística mais exaltada ao longo do século XVIII. Em ambas as vertentes, a presença de Espinosa formatou significativamente aquilo que entendemos por materialismo e mística modernos, com influência sobre autores tão discrepantes quanto os philosophes franceses e os idealistas alemães".

    Reconheço que há passagens do texto spinozano que podem sugerir certo materialismo - apesar de não concordar que ele seja um materialista -, bem como há, no mínimo, uma passagem que flerta com o misticismo - o que também não me parece ser a posição do holandês. Daí a dizer que ele "formatou significativamente aquilo que entendemos por materialismo e mística modernos", acho um pouco extremado. 

    De qualquer modo, o livro parece ter um conteúdo bem amplo, facilitando a pesquisa de vários nomes envolvidos com a liberdade religiosa ao longo da história. Acho que vale a pena adquirir.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Dica no YouTube


   Quem gosta de História, fica aqui uma dica super legal - pelo menos, eu achei - no YouTube: o canal LeituraObrigaHistória.
   Segue o link: https://www.youtube.com/channel/UCtMjnvODdK1Gwy8psW3dzrg
   Há vários vídeos explicativos interessantes, com sugestões de leituras, inclusive. Aliás, há também resenhas de livros.
   O coordenador do canal é o historiador Icles Rodrigues.
   Parabéns, a ele, pela iniciativa. Quem quiser conferir, acho que vale a pena.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A História do Brasil para quem tem pressa


   Sendo sincero, tenho um "pé atrás" com essas publicações "para quem tem pressa". Tenho... ou tinha? Pensava assim: "Como alguém pode pretender entender algo tão complexo, como a História do Brasil, tendo pressa?". 
   Mas queria fazer aqui um mea culpa, em relação ao livro de autoria do historiador, professor, pesquisador e escritor Marcos Costa.
  Certamente, não se conhecerá História do Brasil tendo pressa. Mas, como diz a introdução: "O livro é um voo panorâmico pela história do Brasil, por meio do qual salta aos nossos olhos a perspectiva do todo, fundamental para a compreensão dos fatos isolados".
   Deste modo, o livro atende ao propósito dos que têm pressa, seja para recordar o encadeamento dos diversos momentos históricos, seja para funcionar como uma "armadilha" que apreenderá a atenção do leitor para determinados eventos, fazendo-o pesquisar mais.
   Mas o que mais me entusiasmou no livro foi uma chamada política na introdução do mesmo. Vou citar com uma certa extensão.
   "[S]egundo Raymundo Faoro, pode-se dizer que, da chegada de Cabral até Dilma Roussef, uma estrutura político-social resistiu a todas as transformações fundamentais: 'A comunidade política conduz, comanda e supervisiona os negócios, como negócios privados seus, na origem, como negócios públicos, depois [...] Dessa realidade se projeta a forma de poder, institucionalizada num tipo de domínio: o patrimonialismo'.
    Esse imperativo categórico da sociedade brasileira, ou seja, a inviolabilidade daquilo que foi assim desde sempre, cria um elo profundo entre os que aqui chegaram em 1500 e os que aqui hoje estão. Os mesmos objetivos os animam: a espoliação, a expropriação, o lucro, a exploração. Esses fins justificam os meios utilizados, que passam sempre ao largo de um projeto de país, sempre ao largo dos interesses do povo.
   Não existe no Brasil, nem nunca existiu, um projeto de nação. Um projeto robusto que levasse em conta o interesse de todos, planejado para durar gerações e que pairasse acima dos eventuais problemas políticos. Como o que ocorreu no Japão, arrasado na Segunda Guerra Mundial. O Brasil só vai se encontrar com o seu futuro quando um pacto social em torno de um projeto de não for estabelecido e jamais rompido. Conhecer a história do Brasil é o primeiro passo para que esse projeto seja estabelecido, consiga resistir a eventuais tempestades e siga seu rumo em direção ao estado de bem-estar social pelo qual tanto almejamos".
   Eu acrescentaria que o conhecimento da História do Brasil será um dos quesitos para que possamos criticar o nosso presente - e passado próximo -, a fim de fazer ganhar em consistência um projeto de futuro.
   Obrigado por quebrar um preconceito meu, Marcos Costa!!!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Jacob Burckhardt (2)

   Somente lendo sobre Burckhardt - ainda na Introdução, escrita por Peter Burke, ao A cultura do Renascimento na Itália - é que entendi completamente porque nossa "amiga dos amigos" Maria é tão apaixonada por História.
    Vejamos o que Burke conta:
    "Sua [de Burckhardt] postura estava tão distante do positivismo quanto de Hegel. Enquanto os positivistas viam a história como uma ciência e a atividade do historiador como uma coleta de 'fatos' retirados dos documentos e o relato 'objetivo', segundo eles, do que 'efetivamente' acontecera, Burckhardt via a história como uma arte. Para ele, esta era uma modalidade da literatura imaginativa, aparentada à poesia".
   Conhecendo a paixão de nossa amiga pela poesia, e sabendo que um historiador como Burckhardt consegue aproximar História e Poesia, compreendi tudo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Jacob Burckhardt

     Uma leitura leva à outra.   
  Lendo as considerações nietzscheanas a respeito da História, chega-se ao nome de Jacob Burckhardt (1818-1897), historiador - e pensador da História -, que conviveu com Nietzsche.
   Aliás, a Introdução escrita por Peter Burke ao famosíssimo livro A cultura do Renascimento na Itália, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, em 2009, registra que: "O professor [Burckhardt] impressionou até mesmo um jovem aluno de 24 anos, Nietzsche, que, segundo ele próprio escreveu, somente ao ouvir Burckhardt falar sobre 'Os grandes homens na história' sentiu, pela primeira vez na vida, prazer em assistir a uma aula". 
   Vindo de Nietzsche, isso não é pouca coisa, não!!!