quinta-feira, 16 de junho de 2016

Janot vs.Cunha


   Acho difícil alguém que se diga ético ter simpatia pelo presidente afastado da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha. Por tudo o que já surgiu, parece que o nobre deputado está num "enrosco" danado, seja com a Receita, seja com a Comissão de Ética da Casa, seja com a Lava Jato... e sei lá mais com quem.
   Contuuuuuudo... penso ser muito esquisito o comportamento do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, para com o deputado - aliás, do jeito que vai, está mais para ex-deputado. Explico-me. Janot pediu a prisão de Cunha. Ok! Sem problemas! Mas, no mesmo pedido, ele solicita que, caso a prisão não for decretada, se utilize tornozeleira eletrônica para monitorar Cunha. Ok! Sem problemas! Porém, há mais. Janot quer que Cunha seja impedido de manter qualquer contato com um sem número de autoridades, seja por telefone, e-mail ou qualquer outro meio, e que não frequente repartições públicas sem autorização prévia.
   Isso não é exagero, não?

terça-feira, 14 de junho de 2016

Sérgio Besserman Vianna


   Neste último fim de semana, o economista Sérgio Besserman escreveu em O Globo uma coluna bem interessante, sob o título "Esquerda?".
   No texto, Sérgio registrou o momento de polarização política atual. De um lado, os favoráveis ao impeachment; do outro, os "contra o golpe" - nas palavras do próprio autor.
   Sérgio marca claramente sua posição quando diz: "A narrativa do 'contra o golpe' [...] não apenas não se sustenta no confronto com as evidências como contém em si um núcleo profundamente autoritário e antidemocrático". Portanto, não se trata, para o economista, apenas de não ser correta, mas de ser "autoritária", a posição dos "contra o golpe".
   Ele explica sua opinião. 
   Há gente boa e qualificada apoiando cada um dos dois lados. Cada um deles apresenta fundamentos aparentemente igualmente sólidos para justificar suas posições. Diz Sérgio: "Fosse apenas uma questão de opinião, cada um ficava com a sua, e vida que segue. Como se trata do encaminhamento da vida política, é preciso um critério de decisão e uma instância final para o contraditório".
   Aí vem a justificativa que, penso, embasa bem a opinião de Sérgio a respeito do engano na tese dos "contra o golpe": "Numa democracia, esse critério só pode ser a Constituição, e a instância final sobre a constitucionalidade, o STF. Como isto está sendo integralmente observado, é incoerente e absurda a afirmação de que está ocorrendo um golpe".
   É importante lembrar que quem começou a falar em manipulação dos ministros do STF foi justamente os que fala de golpe. Pelo menos, é que depreendemos dos trechos de gravação divulgados.
   Já em relação à tese do autoritarismo e viés antidemocrático desta posição, Besserman diz: "Quem é 'contra o golpe', consciente ou inconscientemente, tem na mente alguma forma de resolver o contraditório que passa por impor sua posição pela força, assim definida qualquer outra forma que não o recurso ao STF".
   Gostaria de destacar, na passagem acima, a questão do "consciente ou inconscientemente". Decerto há os que falam em "guerra", em "resistência até o último homem", em "luta armada", que fariam parte daqueles que defendem uma posição antidemocrática conscientemente; mas há, também, os que estão embarcando nessa postura de modo menos óbvio. 
   Por fim, só explicando o título. Sérgio explica que o Brasil ainda guarda uma cicatriz profunda em sua sociedade, que é a desigualdade. Para combater isso, segundo ele, precisaríamos de uma "esquerda do século XXI, democrática e antenada com os imensos desafios do mundo contemporâneo". Mas o que temos, de acordo com sua opinião, é uma esquerda que não corresponde a isso. Diz: "Não é a esquerda à qual sinto, desejo e quero pertencer. Não é a esquerda de que o Brasil necessita. Não é nem esquerda".
   É isso. 

Faltou dizer...


   ... sobre Míriam Moraes, que ela é membro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), como especialista em jornalismo político, além de pedagoga.
   Essas informações fazem todo o sentido diante do conteúdo do livro, que, como eu disse, contém tanto informações mais básicas, quanto mais avançadas sobre Política, digna de alguém que sabe conduzir bem o aprendizado.
   Parabéns, Míriam!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Miriam Moraes


   Passei os olhos, e registrei algumas coisas, pelo livro Política: como decifrar o que significa a política e não ser passado para trás: um guia politicamente correto para entender o sistema de poder no Brasil, opinar e debater a respeito. Ufa... que título enorme! Rsss
   Na verdade, na capa do livro, o que vemos escrito em letras maiores é simplesmente "Política". Em letras menores, aparentemente sem fazer parte do título, veem-se essas outras informações. O que eu lancei como título "oficial", contudo, é o que está na ficha catalográfica.
   O livro é muito interessante. O público alvo não me parece bem definido, contudo. Embora isso, na verdade, possa representar uma qualidade do livro. Há informações muito básicas, mas existem outras que ajudam a fundamentar discussões mais elevadas, como, por exemplo, às que dizem respeito à reforma política.
   De um modo geral, é um livro com bom conteúdo, escrito de forma muito agradável. Parabenizo a autora Míriam Moraes.
   Só para dar início aos comentários sobre o livro, gostaria de fazer uma citação que consta do mesmo:
   "O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo". (Bertold Brecht)

"A política como vocação"


   Leio, agora, A política como vocação, de Max Weber. 
   O texto é interessante sob diversos aspectos. Além de uma visão histórica sobre a questão da Política, há vários conceitos específicos desta área que interessam a qualquer estudioso.
   Gostaria de compartilhar alguns deles aqui. Um pouco em função do último post, sobre doação para partidos com ideologias possivelmente diferentes das dos doadores, gostaria de registrar algo sobre "partidos". 
   Um pouco descontextualizado, lá vai...
   "[...] os partidos, sem nenhuma base doutrinária, reduzidos a puros instrumentos de disputa de postos, opõem-se uns aos outros e elaboram, para cada campanha eleitoral, um programa em função das possibilidades eleitorais. [...] A estrutura dos partidos subordina-se, inteira e exclusivamente, à batalha eleitoral [...]".
   Alguma semelhança com nossos partidos sem ideologia? 

"Doações"


   Fico imaginando por que alguém fazendo uma "delação premiada" mentiria, correndo todos os riscos de invalidar seu acordo e aumentar sua pena. Mas, admito que isso possa ocorrer... em tese.
   Numa das mais recentes delações premiadas, Sérgio Machado diz que captou recursos para a campanha da deputada Jandira Feghali, do Partido Comunista do Brasil (PC do B) junto a empresas fornecedoras da Transpetro. Notícia veiculada em O Globo, por exemplo, diz:
"Em suas duas últimas eleições, 2010 e 2014, Jandira recebeu doações da UTC, Keppel Fels, Brasfels e Queiroz Galvão, todas empresas envolvidas na Lava-Jato".
   Em sua defesa, a nobre deputada indicou que todas as doações que recebeu para suas campanhas foram devidamente registradas. Ok... Fico, contudo, pensando: Por que um grande capitalista doaria seus recursos para financiar a campanha de uma representante de um partido comunista? Ué... capitalistas e comunistas não são adversários no campo ideológico?
   E alguém poderia dizer: Quanta inocência, Ricardo! 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Frédéric Lenoir


   Estou lendo, agora, Sobre a felicidade - uma viagem filosófica, do autor que dá título ao post. Para quem não conhece Frédéric Lenoir, transcrevo o que diz a orelha do livro: "Filósofo, sociólogo e historiador das religiões, Frédéric Lenoir é também romancista e dramaturgo. É doutor e pesquisador associado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS)".
   É mole, ou quer mais? Rsss
   Eu já tinha visto um outro livro dele - A cura do mundo -, mas achei o título por demais otimista, e não dei muita bola. Rsss. Como o tema "felicidade", analisado filosoficamente, muito me interessa, comprei o que trata deste assunto. Logo a seguir, fui procurar o outro, e constatei que se tratava, também, de um bom livro para ler... ainda que não exatamente neste momento.
   Mas... trato agora de Sobre a felicidade. 
   O livro apresenta o pensamento de diversos filósofos sobre o tema. Desfilam diante de nossos olhos, a opinião de Sócrates, Aristóteles, Epicuro, Voltaire, Kant, Schopenhauer, entre outros. Há capítulos cujos títulos já remetem diretamente ao pensamento de um filósofo, enquanto em outros aparecem só algumas referências dentro do tema, para dentro dele serem suscitadas os pensadores. Além de filósofos, há também a referência a mestres como Jesus, Buda, Chuang-Tzu. E até a cientistas contemporâneos.
   Embora eu não tenha citado antes, obviamente não poderia ficar de fora dessa lista de tão eminentes pensadores o nosso tão querido Baruch Spinoza. Além de aparecer em um capítulo específico, ele é citado em vários momentos do texto.
   Depois eu conto mais.