domingo, 11 de dezembro de 2011

Voltem...

   Recebi um e-mail muito engraçado de um amigo, sobre a evolução darwiniana, que gostaria de compartilhar com os "amigos dos amigos".
   Lá vai!
   

sábado, 10 de dezembro de 2011

Leituras... (2)

   Hoje, lendo o caderno "Prosa & Verso", do jornal O Globo, acabei me deparando com os comentários sobre o mais recente livro do neurocientista português António Damásio, entitulado "E o cérebro criou o homem", publicado pela Companhia das Letras.
   É difícil esquecer que este senhor já nos brindou com o maravilhoso "Em busca de Spinoza" - aliás, tenho cá minha edição portuguesa, sob o título "Ao encontro de Espinosa - as emoções sociais e a neurologia do sentir". Uma curiosidade que comprova o sucesso do livro, que constato simplesmente a partir das informações internas, é que, lançado em novembro de 2003, ainda no mesmo mês saiu sua 4ª edição. Tenho a 5ª, publicada em dezembro de 2003.
   Além deste, também escreveu "O erro de Descartes" e "O sentimento de si".
   Mas voltemos ao livro mais recente.
   O jornal apresenta a seguinte ideia: "Neurociência avança no estudo da consciência e se aproxima de questões filosóficas".
   É fato que qualquer um que se dedique à Filosofia da Mente, hoje, terá que "encarar" a neurociência. Mas... é necessário, sempre, o cuidado de não transformar Filosofia em Ciência. Aliás, é um cuidado que devemos ter sempre presente. Eu mesmo, quando li o livro a respeito de Spinoza, empolguei-me "excessivamente" com o "endosso" científico dado ao nosso querido luso-holandês. Passado algum tempo, continuo adorando a perspectiva de que Spinoza pode ter tido intuições filosóficas que, hoje, podem ser cientificamente comprovadas, mas não deixo de registrar que não ache que sua filosofia tenha necessariamente que passar por esse crivo científico para ser considerada válida.
   De qualquer modo, vale à pena a leitura dos dois textos que foram publicados pelo jornal: uma entrevista com o cientista e um pequeno artigo da professora Maria Cristina Franco Ferraz.
   Purificados de alguns preconceitos, acho que podemos ver nas duas posições grandes contribuições à nossa reflexão.
   Damásio sugere que Filosofia/Psicologia e Biologia/Neurociências são campos de conhecimento complementares, mas com barreiras rígidas entre eles, e que sua intenção é promover o diálogo entre esses campos.
   Perguntado sobre os possíveis atritos entre as diversas posições, Damásio acha que eles advêm dos métodos, principalmente, pois "da perspectiva de artistas e filósofos, a objetividade científica pode parecer redutora". Particularmente, não sei se haveria como não ser redutora, mas...
   Fiquei curioso em saber como o texto trata o que o entrevistador chama de "pontos centrais do livro", que dizem respeito ao "estudo de como o cérebro constrói a mente e como torna essa mente consciente", visto que Damásio diz que "obtivemos uma série de progressos" quanto a isso, mas reconhece que "ainda há questões em aberto".
   Ao final da entrevista, Damásio parece abrir o diálogo com o texto que vem a seguir, da professora Maria Cristina, visto que ele afirma que fica "desapontado quando dizem que a neurociência reduz tudo ao cérebro e a circuitos nervosos" e que "não se pode isolar o cérebro disso tudo [afetos, relações sociais, a justiça, a política, a economia]. Não é vantajoso neurologizar todos os problemas que temos".
   O texto que se segue tem o título de "O mal-estar na 'cultura somática'".
   Nele, a professora cita o livro "O erro de Descartes", indicando que "esse 'erro' consistiria na compreensão do humano baseada em dualismos empedernidos: a cisão entre o corpo e algo que não seria corpo - quer se denomine alma, espírito ou mente" e assinala que "o problema é que a tentativa da ultrapassagem dos dualismos [...] exige a mudança radical do próprio conceito de 'corpo', sob pena de se manter tributária do 'erro' que pretende corrigir". Realmente, é um cuidado que se deve ter.
   Afirma ainda que "a somatização do 'eu', disseminada midiaticamente, produz novas 'verdades' assumidas de modo irrefletido, na medida em que são caucionadas pelas neurociências e ancoradas no poder de persuasão permitido pelas tecnologias de imagem cerebral". Novamente acerta, a professora Ferraz, quando chama atenção para essa "adesão cega" às verdades científicas, principalmente pelo leigo, visto que o cientista, da mesma forma que o epistemólogo, não tem mais essas ilusões quanto a "verdades absolutas" produzidas pelo seu saber.
   No entanto, a professora parece reforçar o desapontamento do cientista, quando fala da "tendência à redução de todo o campo do vivido à atividade cerebral espetacularizada em neuroimagens, dispensando a narração" e que "quando o mal-estar é reduzido ao mau funcionamento da materialidade do corpo, o sujeito apto a narrar suas experiências e a elaborar traumas e lutos se emudece", pois acusa de reducionismo radical à neurociência.
   Em minha opinião, a mente, em alguma medida, pode continuar sendo "suportada" materialmente, mas gozar de certa autonomia. Não seria possível, então, reduzir suas operações ao suporte material, mas também não seria correto dispensar as considerações sobre este, no que concerne às atividades da mente.
   De qualquer modo... outra sugestão de leitura fica dada. Segunda-feira, compro o meu exemplar.

Leituras...

  Férias chegando... Período das leituras não obrigatórias se aproximando. Obaaaa!
   Se os amigos quiserem uma sugestão, aí vai:
  "Notícias no espelho", de José Arthur Giannotti. O livro é uma coletânea dos textos publicados pelo filósofo brasileiro no jornal "Folha de S. Paulo", entre os anos de 2000 e 2010.
   Segundo a Introdução, escrita por Luciano Codato, também professor de Filosofia, da Unifesp, o livro é "destinado a um leitor não inteiramente versado na tradição filosófica". O interessante, entretanto, é que, conforme ainda indica Codato, "importam menos as notícias e mais o espelho refletindo a própria época, a consciência do tempo presente, dos homens presentes, da vida presente".
   Interessante, também, é a expressão usado por Codato para falar do solo a partir do onde Giannotti constrói suas reflexões: "... a matéria de Giannotti sempre foi a racionalidade irracional de nossas ações". (Grifo meu)
   O que eu achei bem estimulante foi a partição que foi feita no material escrito. Há uma seção "Em busca do sentido da arte", de fundo estético; outra "Questões morais"; mais outra "Em volta da política", além de mais algumas. Deste modo, o leitor pode escolher o tema que mais lhe agrada e esgotá-lo primeiro... ou até dispensar aqueles outros temas que não lhe falam nada.
   Sei lá... cada um que leia como quiser. Rsss. Eu já estou lendo o meu! 
   

Gosto não se discute...

   Aliás, falando em Hume, a questão básica do ensaio estético de que falei no post anterior é refletir, conforme o título sugere, sobre a existência real de um padrão - ou seja, de uma referência universalmente válida - para o gosto "mental" - isto é, nossa percepção de prazer, ou desprazer -, no que concerne às obras de arte.
   Antes de postar algo sobre o assunto, gostaria que os amigos refletissem sobre a questão... principalmente, os amigos artistas do blog.

O ateísmo de Hume

   Não é incomum, embora não seja o correto, repetirmos acriticamente informações que vamos obtendo através de várias fontes. Eu não sou exceção a isso... infelizmente.
   Uma informação que continuo passando adiante até hoje é a que diz respeito a Hume (1711-1776) ter sido o primeiro filósofo a se assumir "ateu". Escrevo "até hoje" porque ainda não encontrei algo que negasse diretamente a informação inicial... entretanto, também não achei alguma coisa que a validasse definitivamente. Prometo tentar, em leituras vindouras, chancelar essa informação... o que não parece, entretanto, uma tarefa simples; afinal, segundo consta, Hume, apesar de abertamente declarado infiel pela Igreja escocesa, não se manifestou a respeito disso.
   De qualquer forma, se não era ateu, certamente um crítico das religiões nosso brilhante escocês era. Isso fica claro em vários dos seus escritos, principalmente em "The natural History of religion", de 1757.
   Entretanto, estava eu lendo um pequeno ensaio de Estética, chamado "Do padrão do gosto", de 1757, quando me deparei com duas críticas severas à religião... ou melhor, a duas religiões: o islamismo e o cristianismo.
   A primeira delas, se fosse feita hoje, certamente colocaria Hume ao lado de Salman Rushdie como perseguido pela imposição da pena de morte por parte de alguns muçulmanos.
   Escreve Hume:
   "Os admiradores e seguidores do Corão insistem nos excelentes preceitos morais que se encontram dispersos por essa obra caótica e absurda. [...] Mas como podemos saber se o pretenso profeta conseguiu realmente chegar a uma justa concepção da moral? Concentremo-nos em sua narração, e logo veremos que dá seu aplauso a instâncias como a traição, a desumanidade, a crueldade, a vingança e a beatice, que são inteiramente incompatíveis com a sociedade civilizada [...] cada ação só é condenada ou elogiada na medida em que é benéfica ou prejudicial para os verdadeiros crentes".
   Xiiiii... melhor nem comentar essa!
   Sobre o cristianismo, nosso filósofo escreve:
   "Uma das características essenciais da religião católica romana é que ela precisa inspirar um ódio violento por toda outra forma de crença, e conceber todos os pagãos, maometanos e hereges como objetos da divina cólera e vingança. Tais sentimentos, muito embora sejam na realidade altamente condenáveis, são considerados virtudes pelos fanáticos dessa comunhão, e são representados em suas tragédias e poemas épicos como uma espécie de divino heroísmo".
   Aqui, só diminui o impacto da crítica a citação de "pelos fanáticos dessa comunhão", embora isso só apareça depois de ter sido dito que era essencial à religião católica romana "inspirar um ódio...", sem a particularidade do caso dos "fanáticos".
   Para alguém que questionou a "causalidade" e o "eu" - duas coisas aparentemente tão óbvias, pelo menos para o senso comum -, não é muito de se estranhar, não é? Rsss.

Avaliação da Uff

   A Universidade Federal Fluminense está "bem na fita", segundo o que foi publicado no jornal O Globo, caderno Niterói.
   Lá está escrito:
   "A UFF recebeu nota máxima da Comissão de Avaliação do MEC pela coerência das políticas de ensino, pesquisa e extensão; ações de responsabilidade social; comunicação com a sociedade; políticas de pessoal e gestão".
   Eu só sei que a passagem dessa comissão pelas nossas instalações sempre causa tensão. Rsss. Mas... valeu a pena!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"Espaço para Filosofia"

   Não costumo discordar de meu assertivo compadre, mas desta vez fá-lo-ei.
   Disse meu dileto "irmão" que "Aqui nao é espaço para isso, pois trata-se de Filosofia"... e eu pergunto: O que não é Filosofia, caro compadre? Essa estória sobre a qual você refletiu, por exemplo, trata de Ética - assunto claramente filosófico. Portanto, o que você fez foi, em alguma medida, filosofar. A grande diferença é que não usou ferramentas filosóficas para tal.
   Mas pensemos juntos.
   Diz você que a Justiça absolveu a viúva do milionário da Mega-sena e que achou essa decisão problemática. Logo a seguir, você indica que a "jovem senhora" alegou carência sexual para efetuar suas "saliências", e que soube que poderia vir a ser excluída do testamento, coisa e tal, e que seu milionário marido foi morto, supostamente, pelo policial seu amante.
   Sem querer, em hipótese alguma, defender a Sra. Adriana, visto que nem conheço os detalhes do processo - e nem advogado sou -, acho que as coisas estão um pouco "confusas" na sua apresentação.
   Senão vejamos.
   O que está em julgamento é a participação da senhora na morte do marido... e foi disso que ela foi inocentada.
    O caráter da "moça" não está em jogo, muito menos suas atividades sexuais extramatrimoniais. Se ela traía o marido; se seu amante era policial; se ela sabia que iria ser excluída do testamento, e até mesmo se seu amante matou seu marido, essas são coisas que não dizem respeito efetivamente à questão de ela - afinal, é ela que está em julgamento - matar ou não o marido.
   Os juízos de valor são secundários em relação à questão principal.
   Agora, pensemos por uma outra perspectiva: o Sr. Mega-sena conquistou o amor de sua jovem manicura - posteriormente Sra. Mega-sena - ou apenas "comprou-lhe" a companhia? E se apenas comprou-lhe a companhia, saberia que ela poderia vender-se a outro, talvez não por dinheiro, mas por prazer.
   Você afirma que uma mulher "correta" se separaria. Volto a contestar seu pensamento. Afinal, uma pessoa "correta" nem teria se "vendido" pela oferta inicial que o Sr. Mega-sena fez. Tendo ela aceito a oferta, o marido não poderia esperar grandes atos de "correção" dela. Nada a estranhar, pelo menos quanto à traição... mas, obviamente, não quanto à morte dele.
   Volto a dizer que não tenho o desejo de defendê-la, mas acho que uma avaliação dessas, que, como eu disse, envolve totalmente o campo ético da Filosofia, precisa ser feita com um pouco mais de atenção. Precisamos separar, com vagar, o que se poderia esperar dela e o que tivemos. Esse seria o julgamento ético, que talvez não "inocente" nem o Sr. Mega-sena. Mas... o Tribunal não está lá para fazer esse tipo de juízo, mas o Penal. Aí, talvez tivéssemos que nos debruçar mais sobre o caso antes de discuti-lo.