quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aproveitando os aniversários

   O aniversariante mais ilustre dessa época é Jesus Cristo... o fundador, ainda que assim não o tenha pretendido, do Cristianismo... ou seria, dos Cristianismos?
   Pergunto isso porque estranho muito uma atitude que presencio vez por outra: a troca de "igrejas", por evangélicos meus conhecidos. Normalmente, fico sem resposta quando pergunto-lhes qual a diferença doutrinária que os fez mudar.
   Posso estar sendo pouco severo na crítica, mas, por vezes, parece-me que há igrejas que estão mais "na moda" que outras.
   O fato é que encontrei uma possível explicação num texto de José Arthur Giannotti, do livro "Notícias no espelho", ao qual já me referi em um post anterior. É bem verdade que eu espero que Giannotti esteja tão errado em sua crítica quanto eu, mas é uma possibilidade.
   Transcrevo, então, algumas passagens de "Religião como investimento".
   "Estava passeando pela TV quando dei com um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. [...] No culto da TV, o pastor simplesmente anunciou que, dado o aumento das despesas da Igreja, no próximo mês o dízimo subiria de 10% para 20% ['dízimo' de 20%!?!? Isso não é uma contradictio in adjecto ?!?!] [...] Notável é que o dízimo não era pensado como doação, mas simplesmente como devolução: já que Deus neste mês dera-lhe tanto, cabia ao fiel devolver uma parte para que a Igreja continuasse no seu trabalho de mediador. [...] Em vez de o salário ser considerado como retribuição ao trabalho, o é tão só como dádiva divina. [...] Se o salário é dádiva, precisa ser recompensado. Não segundo a máxima franciscana 'é dando que se recebe', pois não se processa como ato de amor pelo outro. No fundo vale o princípio: 'Recebes porque doastes'. E, como esse investimento nem sempre dá bons resultados, parece-me natural que o crente mude de igreja, como nós procuramos um banco mais rentável para nossos investimentos. [...] Esse novo crente não mantém com a Igreja e seus pares uma relação amorosa [...] sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser. Ele apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez de conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?".
   Como eu disse antes, espero que o "diagnóstico" de Giannotti esteja tão errado quanto o meu... até porque não acredito que meus conhecidos tenham em mente esse mero acordo "comercial", pelo menos de modo consciente, quando trocam de "um Cristianismo para outro". Entretanto, tenho que reconhecer que é um ponto de vista.
   Apesar disso, o que não discordo de Giannotti é um trecho que fecha o texto em questão. Escreve o autor:
   "Essa teologia pentecostal se aproxima, então, do maniqueísmo. Como sabemos, o sacerdote Mani (também conhecido como Maniqueu), ativo no século III, pregava a existência de duas divindades igualmente poderosas, a benigna e a maligna. Isto porque o mal somente poderia ter origem no mal. A nova teologia pentecostal empresta o mesmo valor aos dois princípios e, assim, ressuscita a heresia maniqueísta, misturando cristianismo com teologia pagã".
   Em alguma medida, realmente, o que o Cristianismo evangélico tende a fazer é dar ao lado mau praticamente tanta força quanto ao lado bom... ressuscitando o maniqueísmo, portanto.
   

Aniversários

   Hoje, escrevo fundamentalmente para registrar o aniversário de onze anos da minha filhota - a futura herdeira de minha biblioteca... é só o que eu tenho para deixar! Rsss.
   Entretanto, aproveito para lembrar outro aniversário que passou "em branco", o do próprio blog. Este aqui, no blogspot, foi iniciado em 19 de novembro 2008. Portanto, lá se vão três anos. E, por uma incrível coincidência, esse post é o de número 700 - bem "redondinho"! Rsss.
   Mas lembremos que o blog original teve início em  26 de julho de 2007.
   Por último, passado o Natal, desejo a todos os "amigos dos amigos" um Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Boas festas, amigos!

   Já se aproximam as festas de final de ano - Natal e Reveillon. Como dificilmente terei possibilidade de atualizar o blog até o final do ano, vou deixando meu abraço e desejos de muita alegria nesse fechamento de um ano e início do próximo. Portanto, "Feliz Natal e Próspero Ano Novo!", amigos dos amigos.

"Já ouvi os santos, ..."

   "... agora, escutarei Deus!"
   Foi com essa frase que me despedi do meu filhão, ontem. Ele, a caminho da "pelada", eu, do prazer "auricular".
   Explico melhor.
   Minha esposa está de férias, e já viajou. Eu ainda estou trabalhando, antes de nos reunirmos para o Natal e, depois, novamente, para o Ano Novo.
   Em casa, só com o "molecão", após o trabalho, regado à cerveja - para espantar o calor -, resolvi retirar uns DVDs da gaveta. Logo "se convidaram" as guitarras. Jonny Lang apresentou-se sem cerimônia alguma. Foi seguido por Jeff Healey.
   Mas ninguém vai à igreja para rezar só para os santos, há que se orar também para Deus. Então, sob enorme reverência, "saquei" um Eric Clapton. Aliás, "um" não, mas o melhor da dezena de DVDs que tenho dele, "Eric Clapton & friends in concert", com David Sanborn, Sheryl Crown, Mary J. Blige e Bob Dylan.
   Difícil acreditar que seres humanos possam produzir "Breakin' me", de Jonny Lang, e "Angel Eyes", de Jeff Healey. Mas a constatação de que Deus existe vem com músicas como "Tears in Heaven", "Wonderful tonight" e "Layla", por exemplo, nem que esse "Deus" seja aquele das pixações "Clapton is God".
   Se eram Schopenhauer e Nietzsche que consideravam a música a maior expressão artística, eles estavam cobertos de razão!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hildegarda de Bingen

   A primeira vez que ouvi falar na "senhora" que dá nome ao post foi através de uma amiga chamada Maria - não a "nossa" Maria, amiga dos amigos, aqui do blog, historiadora e teatróloga -, mas uma outra, filosofante amiga, da Universidade Federal Fluminense.
   A pesquisa da "outra" Maria focava justamente essa monja, da virada do século XI para o XII, bastante avançada para a época em questão.
   Para quem não conhece Santa Hildegarda de Bingen - É, a monja é santa, gente! -, vale a pena uma breve incursão pelo Google. É surpreendente. Aqui registro apenas o começo do que lá está: "Santa Hildegarda de Bingen, em alemão Hildegard von Bingen (Bermersheim vor der Höhe, verão de 1098 — Mosteiro de Rupertsberg, 17 de setembro de 1179), foi uma monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica informal, poetisa, dramaturga e escritora alemã, e mestra do Mosteiro de Rupertsberg em Bingen am Rhein, na Alemanha".
   O mais curioso, entretanto, não é apenas tudo isso o que a Santa Hildegarda é - o que já é muita coisa -, mas eu ter encontrado uma referência ao seu nome nada mais, nada menos que no livro "Cerveja - Guia Ilustrado Zahar".
   Eis que eu lia o supracitado livro, a fim de conhecer um pouco mais do líquido que adoro beber, quando me deparo com o trecho "Hildegarda e o Lúpulo".
   Lá está dito que: "Registros do século VIII mostram que o lúpulo era comumente cultivado nas abadias, mas não especificamente para uso em cerveja. A primeira menção inequívoca sobre esse uso está nos textos de santa Hildegarda (1098-1179), abadessa de Rupertsberg, abadia beneditina perto de Bingen, não muito longe da cidade alemã de Mainz". Ela teria escrito: "Se alguém pretende fazer cerveja com aveia, ela é preparada com lúpulo".
   Um comentário à parte: o livro indica que Santa Hildegarda "forneceu o primeiro relato escrito sobre o orgasmo feminino".
   Para uma santa, e informado num livro sobre cerveja, o fato é bem curioso!!! Rsss.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Um estudo autobiográfico", de Freud

   Para quem deseja entrar no estudo da Psicanálise "pela porta da frente", nada melhor do que um texto do próprio Freud. O problema mais óbvio em relação a isso é que há diversos deles, de várias fases, com diferentes enfoques. Entretanto, há um que me parece ideal para quem quer uma visão histórica geral do movimento psicanalítico, com a apresentação de diversos conceitos que apareceram nessa história... e, como eu disse, escrito pelo "Pai da Psicanálise". Este texto é o que dá título ao post: "Um estudo autobiográfico".
   O texto em questão está incluído no volume vinte da "Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud", publicado pela Imago Editora.
   Em pouco mais de sessenta páginas, "passeamos" com Freud desde a sua infância até os desenvolvimentos mais "modernos", à época do Dr. Sigmund, da Psicanálise. "Encontramo-nos" com o Dr. Josef Breuer, o Dr. Jean-Martin Charcot, o Dr. Jung e vários outros nomes importantes na história pessoal de Freud, mas também na própria história da Psicanálise. Além disso, tomamos "ciência" - ou seja, tornamo-nos conscientes - de conceitos como: katarsis, transferência, associação livre, desenvolvimento bifásico da sexualidade, Complexo de Édipo e de Castração, and so on...
   Pretendo revisitar essa agradável leitura e ir fazendo uns registros aqui no blog. Quem quiser que me acompanhe.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"Pequena História das Grandes Ideias" (2)

   Na parte "A Política", o autor fala de Machiavelli, e conta uma coisa bem engraçada:
   "Na morte, de acordo com uma anedota, Maquiavel manteve a postura do realista político. Com o aviso de que agora seria o momento de execrar o diabo e toda a sua obra, ele teria dado a resposta diplomática: 'Essa não é uma boa hora para fazer inimigos'".
   Eu até acho que já contei essa estória no blog, mas é engraçado relembrá-la.