domingo, 9 de maio de 2010

Feliz Dia da Mães

  Para as "amigas dos amigos" que já são mães, um felicíssimo Dia das Mães... repleto de presentes dados por nós, maridos!
  Para aquelas que não são, bem como para os "amigos dos amigos", que ainda têm a sorte de poderem beijar as suas mães, façam-no com muito carinho.
  Feliz Dia das Mães, geral!!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

"Ruminantes" filosóficos

  Longe de qualquer sentido ofensivo, o termo "ruminantes", do título do post, indica pessoas que recebem uma informação filosófica, mas que não se contentam em iniciar seu processo de "digestão" de pronto. Esses tais "ruminantes" fazem questão de receber o "alimento filosófico" e ficar "reprocessando" as informações, tentando extrair o máximo de sua "essência nutricional", mas também acabando por produzir energia para novas reflexões - o famoso processo de "ideação".
  Por favor, paremos essa analogia do processo de assimilação da filosofia, antes que alguém lembre do que se produz ao final da digestão propriamente dita. Rsss.
  O escrito acima serve para explicar por que eu me considero um "ruminante filosófico"... e, se o amigo me permitir, colocaria o nosso "amigo dos amigos" Henrique na mesma categoria. O fato é que Henrique e eu, muitas vezes, ficamos conversando sobre os conceitos que nos foram passados, numa espécie de saudável "revival" filosófico.
  Num desses momentos, reconsideramos as "homeomerias anaxagóricas". Até onde eu lembrava, as homeomerias, a partir das quais o Nous iria organizar a multiplicidade da realidade, não eram um "complexo" de todas as possibilidades, incluindo igualmente todos e cada elemento individual. Também recordava que - e, por incrível que pareça, li isso em um livro sobre os "cientistas" pré-socráticos, que não era de Filosofia - as homeomerias eram distintas entre si... embora realmente houvesse essa ideia de, em alguma medida, conterem "elementos" diversos em si mesmas. Lembrei-me até da ilustração do livro, representando várias "formas" de homeomerias.
  Contei isso ao amigo Henrique. Mas, obviamente, Filosofia não se faz por "ouvir dizer" - primeiro gênero do conhecimento spinozano, aliás. Saí em busca das "provas"... e encontrei.
  Aí vai, Henrique...
  O livro "História da Filosofia - vol. 1", do Reale & Antiseri, registra que as homeomerias, para Anaxágoras, são "... sementes com formas, cores e gostos de todo tipo; vale dizer, infinitamente variadas... pode-se dividir qualquer semente que se queira (qualquer substância-qualidade) em partes sempre menores, que as partes assim obtidas serão sempre da mesma qualidade, ao infinito... Precisamente por essas característica é que ... foram chamadas 'homeomerias'... que quer dizer 'partes semelhantes', 'partes qualitativamente iguais'".
  O Dicionário Houaiss também ajuda, ao informar que a homeomeria "embora contenha necessariamente todas as múltiplas e contraditórias qualidades encontráveis no resto do universo, pode ser definida e caracterizada por uma qualidade preponderante ou hegemônica".
  Fica clara a noção de que há, sim, uma preponderância de certo elemento-qualidade na homeomeria, que acaba por caracterizá-la individualmente. Ainda assim, essa homeomeria "personalizada" conteria em si as diversas outras personalidades qualitativas do mundo.
  Ao longo de nossa "ruminação", apareceu também uma reflexão mais ampla sobre uma "cosmogonia" - enquanto comparávamos diversas visões míticas. Não poderia deixar de surgir uma avaliação sobre o Big Bang - afinal, somos "escravos" do pensamento técnico-científico, afirmaria Heidegger.
  Alguém pode estranhar o andamento do post, perguntando: "E o que Anaxágoras tem a ver com Big Bang?"... e eu explico!
  Acontece que um livro ao qual eu gosto muito de recorrer é "Uma nova História da Filosofia Ocidental", de Anthony Kenny. Logo no início do artigo sobre Anaxágoras, A. Kenny diz: "Anaxágoras é algumas vezes considerado um ancestral intelectual da atualmente popular cosmologia do big bang". E logo depois: "Eis aqui sua explicação para o princípio do universo: 'Todas as coisas estavam juntas, infinitas em quantidade e infinitas em pequenez; pois o pequeno era também infinito. E, estando todas as coisas juntas, nenhuma era reconhecível por sua pequenez'". Isso não tem um "jeitão" de momento "pré-Big Bang"... com algo de "infinito numa cabeça de alfinete"?
  Eu sei... eu sei... no Big Bang não havia exatamente "coisas juntas", mas apenas uma homogeneidade absurda. Mas que há uma aproximação "intuitiva", pelo menos... acho que há!
  Outro dado que também reconheço é que o Big Bang não precisa de nada externo a si, como seria o Nous anaxagórico. O impulso para sua produção do Todo é absolutamente interna.
  Voltando um pouco à discussão sobre a homeomeria - só para confirmar -, Kenny também destaca que "as coisas são nomeadas a partir do item que nelas é dominante" (Aristóteles, Física 1,4, 187a23).
  Outro deslocamento "antecipatório" que Kenny faz de Anaxágoras é quanto a uma espécie de "multiverso"... e eu diria, também, da Teoria da Expansão do Universo. Conta-nos o autor que: "A expansão do universo, Anaxágoras confirmava, continua no presente e irá continuar no futuro (KRS 476). Talvez ela já tenha mesmo gerado outros mundos além do nosso". E faz outra comparação curiosa: "Anaxágoras tem assim o direito de ter sido o originador da ideia, mais tarde proposta por Giordano Bruno, e hoje popular novamente em alguns lugares, de que nosso cosmos é apenas um de muitos que poderiam, como o nosso, ser habitados por criaturas inteligentes".
  Por último, só uma lembrancinha: o sujeito nasceu lá pelos idos de 500 aC!


 

Entre uma leitura obrigatória e outra...

  ... às vezes, eu acabo encontrando um tempinho para ler, por puro prazer, "aqueeeele" livrinho que segue sempre na minha mochila, acompanhando-me para cima e para baixo. Dessa vez, mesmo afogado em leituras urgentes, consegui "criar" mais horas no dia e me deliciei com "Édipo Rei" e "Antígona"... faltou só o "Édipo em Colono", para completar a "Trilogia Tebana" de Sófocles.
  Fiquei, entretanto, com uma "angústia" tremenda, visto que lembrei-me de um antigo professor meu ter comentado que o povo grego se "deliciava" com o infeliz destino de Édipo, após sua autopunição. Será que estou muito "preso" à piedade cristã ocidental?
  Parece, realmente, que havia um certo consenso, na Grécia Antiga, de que um ato "errado" merecia, independente da motivação interior, justo castigo. Mas o drama vivido por Édipo, que tentou fugir do seu triste destino, e que, mesmo matando o próprio pai, parece fazê-lo por uma causa justificável - ainda que, obviamente, não louvável -, parece-me muito "cruel", para que alguém, também humano, sujeito, portanto, às mesmas  reviravoltas da vida, possa regozijar-se.
  Sobre Antígona, entretanto, não acho possível imaginar alguém saindo do anfiteatro da Acrópole feliz com aquele final. A mocinha, que acompanha o pai cego; tenta promover uma paz improvável entre os irmãos em pé de guerra; preocupada com a irmã mais jovem, que desrespeita o tio só para dar um enterro digno ao irmão acabar morta!?!... E daquele jeito?!
  Assim não dá, Sófocles! Será que você não poderia ter feito um "cursinho" na "Pólis de Hollywood", e ter colocado um happy end nessa estória? Rsss.
  Brincadeiras à parte... é maravilhoso "visitar" as tragédias gregas, conduzido por mãos tão capazes!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Alan e Existenz... calma!

  Não é pelo fato dos comentários terem sido colocados em posts que já "viraram a página" que eles deixarão de ser respondidos.  
  Essa afirmação se refere especificamente a comentários dos amigos Alan e Existenz. Por merecerem uma atenção mais acurada, deixei-os por último... mas não os esqueci!
  O amigo Existenz é um "problematizador de carteirinha", que sempre me coloca em fantásticos apuros. Esse, eu já conheço de longo tempo.
  Já o Alan, apesar de ter concordado comigo, inicialmente, produziu um novo "filosofema" que merece ser apreciado com cuidado.
  Aguardem-me! Rsss.

Já são quarenta!

  A Marcëlly é nossa quadragésima "amiga dos amigos". Farei todo o esforço para que encontre aqui a continuidade do espaço que ela tem para criar no seu próprio blog... aliás, todos nós faremos.
  Seja bem vinda para trazer suas experiências e a força de sua criatividade para cá. Fique à vontade para questionar o posto... e os posts - não pude deixar esse "trocadilho" escapar. Rsss.
  Em suma, seja feliz por aqui!
 

"Os filósofos e a arte"

  Decidi resolver, de uma vez por todas, esse meu "desconforto" com a postura platônica de expulsar os poetas da sua República ideal.
  Para tanto, como não poderia deixar de ser, tenho me dedicado a algumas leituras sobre o tema. Obviamente, o blog contemplará algum registro das mesmas.
  Fiquei curioso, portanto, ao saber do lançamento do livro com o título do post, sob a organização do professor Rafael Haddock-Lobo - de quem, aliás, já tive o prazer de ser aluno -, que contém um texto do fantástico professor Fernando Muniz, entre outras "feras", como, por exemplo, a Sra. Marilena Chauí - famosa intérprete spinozana brasileira.
  Falo do professor Muniz, em especial, porque sei que inevitavelmente seu texto diria respeito a Platão. É bem verdade que poderia não se referir especificamente ao ponto a respeito do qual tenho me questionado, mas certamente seria de grande valia para alguma reflexão nesse sentido. Entretanto, lá está o "Platão contra a arte", que começa com duas epígrafes dialeticamente interessantes: "Platão: o mais poético dentre os filósofos", de Shelley, e "Platão: o maior inimigo da arte que a Europa jamais conheceu", de Nietzsche.
   Mas não nos antecipemos...
  Em primeiro lugar, quero falar do lançamento do livro, que acontecerá oficialmente no dia 06 de maio, na Livraria da Travessa, no Centro do Rio de Janeiro. "Pule de dez", certamente, no mercado de lançamentos!
  Mas em segundo lugar, quero compartilhar a minha comemoração pessoal por ter sido agraciado com um exemplar - em justo sorteio. Além do livro, ganhei uma dedicatória do professor - sem nem entrar na "fila de autógrafos". Rsss.
  Dei uma espiadela, de curioso que sou, mas nem seria necessário. A competência de Muniz no assunto "Platão" é algo que me causa espanto... e até uma salutar inveja.... diga-se de passagem, e com toda a sinceridade que me é peculiar!
  Espero, em breve, fazer um "mix" de tudo o que li, inclusive do texto em questão, e colocar para os amigos daqui.
  Complementando as informações. O livro sai pela Editora Rocco, contendo textos de Fernando Santoro, Kátia Muricy, Paulo César Duque-Estrada, Ricardo Timm de Souza, entre outros, além dos já citados anteriormente. Nos textos, avalia-se a relação de vários filósofos com a arte, como: Aristóteles, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, Heidegger, Merleau-Ponty, Deleuze, entre outros.

domingo, 2 de maio de 2010

"Budrus", de Júlia Bacha

  O "Caderno B" do Jornal do Brasil desse fim de semana trouxe matéria sobre o documentário "Budrus", da brasileira Júlia Bacha.
  Franz Valia, autor do texto, começa de forma brilhante dizendo: "Os conflitos entre palestinos e israelenses estão longe de ser resolvidos através da retórica dos políticos de ambos os lados, mas ativistas e pessoas comuns que estão na linha de frente das disputas territoriais começam a se unir para defender interesses comuns".
  E o que o documentário da diretora carioca mostra é algo  improvável: "os esforços de um ativista palestino (Ayed Morra) em unir os rivais do Hamas, Fatah e israelenses, habitantes da pequena cidade de Budrus, para impedir a construção de um muro pelo governo de Israel, que separaria ao meio sua cidade. O muro tomaria trezentos acres de terreno e mais de três mil oliveiras, que são cruciais para a economia local".
  Muitos poderiam fazer a observação de que o que uniu os "adversários" históricos - para não usar a expressão mais forte, porém, talvez, mais verídica, "inimigos" históricos - foi um fato meramente circunstancial e que esse esforço conjunto foi apenas pragmático. Eu até concordo. Mas o importante é perceber que, pelo menos, houve espaço para algum diálogo e esforço conjunto. E isso é um aspecto altamente relevante. Afinal, não seria bastante pragmático, também, deixar de ver os filhos morrendo, de todos os grupos envolvidos citados, por conta dos conflitos que se arrastam há anos naquelas regiões?
  Parabéns, inicialmente ao Sr. Ayed, depois a todos os que se dispuseram a participar desse esforço conjunto... e também à nossa compatriota que registrou esse fato histórico!