domingo, 22 de janeiro de 2012

Sobre Hume

   Duas leituras bem leves e rápidas que podem ajudar bastante a conhecer um pouco mais sobre o filósofo escocês David Hume são: "Hume", de Anthony Quinton, da Coleção "Grandes Filósofos", publicado pela Editora Unesp, e "David Hume", de André Vergez, da Coleção "Biblioteca Básica de Filosofia", pela Edições 70.
   Curiosamente, o primeiro deles, que tem apenas 63 páginas, é escrito por Anthony Quinton, que, no livro "Os grandes filósofos", de Bryan Magee, publicado pela Editorial Presença, dialoga com o autor deste sobre Spinoza e Leibniz.
   O segundo nos brinda, além da análise de Vergez, com excertos dos textos do próprio Hume.
   Esses dois já estão lidos. Há, entretanto, outros dois com características diferentes, mas ambos parecem ser muito bons, ainda que só tenham sido "xeretados" por mim.
   O primeiro - que já seria o terceiro da lista - é "Ensaios Morais, Políticos e Literários", do próprio David Hume, publicado pela Editora Topbooks. O livro é dividido em três partes, cada uma contendo textos com títulos mais interessantes que outros. Há uma boa introdução à edição brasileira e, inclusive, uma breve autobiografia.
   O segundo deles - ou deveria ser quarto? - chama-se "O claro e o obscuro", de João Carlos Salles, publicado pela Casa de Palavras, em 1990. Dividido em duas partes, uma tratando da filosofia de Hume, ou seja, do Empirismo Moderno, e outra de Wittgenstein, isto é, do Empirismo Lógico, o livro traz algumas considerações interessantes, que espero em breve registrar por aqui.

Gosto não se discute... (2)

   Em 10 de dezembro do ano passado, postei "Gosto não se discute..." , que discorria rapidamente sobre a existência, ou não, de um padrão de gosto para avaliar obras de arte.
   O pano de fundo do post era a reflexão do filósofo escocês David Hume (1711-1776) sobre o tema "gosto".
   Escrito em 1757, o artigo "Do padrão do gosto" apresenta várias teses interessantes sobre a ideia de "gosto"... algumas, entretanto, para serem combatidas. 
   À época, havia duas correntes britânicas opostas. Para os "intuicionistas", como o irlandês Francis Hutcheson (1694-1746), a beleza, numa experiência estética, era revelada por uma faculdade mental singular, sendo ela, então, meramente subjetiva; enquanto, para os "analíticos", como o também irlandês Edmund Burke (1729-1797), a beleza era absolutamente objetiva, bastando identificar uma série de atributos que poderiam ser listado, a fim de descobri-la.
   Hume concorda com os "intuicionistas", inicialmente, de que existia uma faculdade interna que percebia a beleza, mas achava, um pouquinho ao modo dos "analíticos", que havia propriedades do objeto que precisavam estar dispostas de tal e tal modo a fim de que se pudesse reconhecê-lo como belo.
   A argumentação de Hume é muito interessante. Ele começa mostrando - aparentemente, alinhando-se entre os "intuicionistas" - que o senso comum parece concordar com a Filosofia - e essa seria uma das raras vezes em que isso aconteceria - no sentido de que "gosto não se discute". Para demonstrar isso, lança mão do exemplo de que, mesmo pessoas educadas sob os mesmos paradigmas culturais, mostram divergências quanto às suas preferências artísticas.
   A argumentação humeana continua, indicando que, por outro lado, ninguém deixa de reconhecer que Ogilby (um tradutor de pouco prestígio) e Milton (o célebre dramaturgo e poeta) são incomparáveis. 
   Chegaríamos, portanto, a um impasse: ainda que se reconheça que há, mesmo entre pessoas submetidas à mesma educação, gostos diferentes, existem determinados ícones artísticos que não deixam de ser reconhecidos pela esmagadora maioria.
    Hume sai em busca, então, de um "padrão de gosto". Mas, interessantemente, não se trata de submeter todos os juízos estéticos subjetivos a esse padrão, impondo as obras que se adequassem a ele como necessariamente apreciadas por todas. O que Hume buscava era a possibilidade de estabelecer juízos "universais" - ou, pelo menos, intersubjetivamente reconhecidos como válidos -, ainda que individualmente não provocasse um prazer estético. Ou seja, alguém poderia dizer: "Segundo o 'padrão do gosto' para Rock Progressivo, o Renaissance é uma ótima banda, embora eu só goste de Heavy Metal!".
   No final das contas, o que Hume descreverá serão as qualidades de uma espécie de "juiz" de manifestações artísticas. Hume indicará, então, primeiramente que quem se lança à observação de uma obra de arte deve fazê-lo com (i) serenidade de espírito; (ii) concentração do pensamento e (iii) atenção ao objeto. Mas esses princípios de observação - que lembram a "observação desinteressada" de Kant - não garantem, por si só, a qualidade da avaliação. É necessário mais para ser um bom "crítico de arte". Este deve (i) possuir delicadeza de sentimento - que é uma espécie de dom -; (ii) estudar a arte que pretende julgar e contemplar constantemente aquele tipo de beleza; (iii) comparar seguidamente graus de excelência daquele tipo de arte e (iv) não se deixar dominar pelo preconceito.
   Imaginando que possam existir esses "críticos perfeitos", o veredicto conjunto deles é que determinaria o "padrão do gosto" para determinada manifestação artística.
   Alguém poderia se questionar por que, se eles já são "críticos absolutos", haveria a necessidade de um veredicto comum. Hume explica que, mesmo entre esses excelsos senhores, poderia haver o reconhecimento da qualidade de uma obra, mas uma discussão sobre a hierarquia das diversas obras, isso porque há sempre (i) diferença de temperamento dos indivíduos e (ii) diferenças de costume e opiniões de épocas e lugares.
   Ótimo ensaio! Vale a pena ser lido. Aliás, a escrita de Hume é bastante clara e agradável.
   Que Spinoza não me leia, mas está aumentando meu interesse pelo irlandês a cada leitura que faço.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil

   Acho qualquer "reality show" muito chato... até porque de "realidade", eles não têm nada.  São "bonitões" e "gostosonas" colocados juntos em uma casa, não fazendo nada de interessante, incentivados a manterem relacionamentos... que podem - ou, talvez, devam - chegar ao sexo, para dar mais audiência.
    Eis que, no meio disso tudo, encontro um possível "herói". Seu nome é Daniel. Nome bonito... de anjo! Fui ver o significado e lá está: "Deus é meu juiz". Acompanha este significado, uma breve descrição  da personalidade do dono do nome: "indica uma pessoa que não se preocupa exageradamente com a opinião dos outros. O importante para ele é estar em paz com a própria consciência e com seus princípios morais".
   À parte a graça da descrição da personalidade de alguém baseado no nome, que só lhe pertence por vontade de seus pais, os quais, obviamente, quando registram o pequeno rebento, não têm a mínima ideia de como será o seu caráter, vemos que o rapaz só se preocupa em estar "em paz com a própria consciência e com seus princípios morais". Interessante... Segundo vejo por aí, o Daniel em questão, do BBB 12, deve estar bem em paz com sua consciência, afinal, nada mais fez do que pegar uma das moçoilas da casa, de "pilequinho", levá-la para onde ela queria ir, e, aparentemente, fazer o que ambos queriam - escrevo "aparentemente", mas nem vi a aparência da coisa, pois não assisto ao programa.
   Disse que o rapaz era, pelo menos potencialmente, o meu "herói", mas certamente isso não se deve à relação - consentida ou não - com a senhorita BBB. A realização da "heroicidade" do rapaz pode se dar, para mim, se, por sua causa, esse programa for terminantemente excluído de nossas telinhas. Se essa for a decisão do governo - o que eu acho muuuuuuuuito difícil de ocorrer -, farei do Daniel um ícone da cultura brasileira. 
   Dá-lhe, Daniel!
   

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mais Filosofia... ou não?

   Pascal dizia que "Um pouco de Filosofia afasta-nos da religião, bastante Filosofia aproxima-nos dela". Será mesmo?
   Se ele está certo, tenho por garantido que estou no lado do "um pouco"-"distantes". O problema é que tenho minhas dúvidas se, lá, do lado dos "aproximados" e, segundo o francês, do "bastante [Filosofia]", não está só quem já chegou à própria Filosofia com uma grande carga religiosa na alma. A conversão do próprio Pascal, por exemplo, não parece ter muito a ver com o acréscimo do seu saber filosófico.
   Aliás, em breve, overdoses de Hume, onde aparecerá o assunto "religião".

4 Ajaw 3 K'ank'in

   Alguém ainda tem medo dessa data aí de cima?
   Para quem não percebeu, essa é a data que, diz-se, foi informada pelos maias como sendo a do final dos tempos, ou seja, 21 de dezembro de 2012.
   Escrevo em janeiro, ou seja, mal começado o suposto ano apocalíptico maia, mas, fora as coisas de sempre - chuvas que matam no Sudeste; tentativas de golpes de Estado pelo mundo; matanças aqui e acolá; crises do Capitalismo; etc. e tal -, nada indica uma grande catástrofe a se aproximar.
    Mas para quem pensa que só escrevo para confirmar minha descrença no Apocalipse - o que realmente representa o meu modo de pensar - enganou-se. Na verdade, quero registrar, o que já é sabido por muitos, que os arqueólogos já chegaram à conclusão que os maias simplesmente previram o início de um era, em 2012, regida por um novo deus.
   Em matéria de O Globo, de 07 de janeiro de 2012, no caderno "História", entitulada "Sem medo do fim do mundo", está tudo explicado.
   Lá está escrito:
   "Os maias pré-hispânicos tinham uma obsessão pelo tempo. Com uma observação  exaustiva dos astros, eles construíam calendários precisos e previam eventos que ditavam a vida de sua civilização. Um registro em especial, no entanto, tem chamado a atenção [...] 4 Ajaw 3 K'ank'in, ou, segundo correlações feitas por arqueólogos, 21 de dezembro de 2012. [...] Com a chegada de 2012, ganhou força a ideia de que os maias, com todo seu conhecimento sobre o tempo, teriam previsto uma catástrofe global nesta data. Os especialistas na cultura [maia], porém, asseguram que o fim não está próximo. [...] A afirmação dos especialistas se baseia na organização maia do tempo, dividido em eras de 5.125 anos - ou 13 baktunes, períodos de aproximadamente 400 anos cada. O fim de uma era significa o início de outra, em uma visão cíclica de constante renovação comum em várias religiões. Assim, a inscrição em Tortuguero traz, de fato, uma profecia: a conclusão de 13 baktunes marcaria o retorno de uma importante divindade maia, Bolon Yokte [...] Desta forma, o 21 de dezembro de 2012 significava para os maias appenas o início de uma nova era e a volta de um deus, e não o fim do mundo."
   Esclarecido?
   Uma outra curiosidade, explicada na matéria, é a seguinte:
  "Os governantes maias, considerados descendentes dos deuses na Terra, podiam modificar a contagem do tempo segundo suas conveniências. Em Palenque, arqueólogos descobriram uma inscrição sobre a vida do governante Pakal II em que a duração de uma era seria de 20 baktunes, e não de 13. Isso significaria  que, para os maias dessa região, a erra atual terminaria bem depois do ano 4000, próxima data que pode acabr associada erroneamente pelas futuras gerações a um novo apocalipse".
   Quem quiser "tirar uma onda" por aí, já pode apelar ao "outro calendário maia" e, criativamente, informar aos amigos que esse papo de fim do mundo em 2012 é balela, mas que os maias "realmente" disseram que "Aos 4000 chegarás, mas dos 5000 não passarás!". Informem isso em tom solene, porque faz mais sucesso. Rsss. 

Espondiloartrite

   O Serviço Médico do "Amigos dos Amigos" informa:
   "Se você apresentar dor lombar com as seguintes características: duração maior do que três meses; início insidioso; rigidez lombar matinal; melhora da dor lombar o co exercício; nenhuma melhora com o repouso e piora noturna da dor, geralmente na segunda metada da noite, com alívio subsequente após levantar-se, procure um reumatologista, pois você pode ser portador de uma doença reumática crônica autoimune chamada de espondiloartrite".
   Eu escrevo isso porque sofri algum tempo com um dor aguda na região lombar, principalmente ao acordar. Fui ao ortopedista e, ainda bem, tratava-se só de uma inflamação. Mas tive que fazer ressonância para verificar. Não chegou a ser a tal espondiloartrite, mas tenho que me cuidar para que a coisa não fique crônica.
   Vale a dica para os amigos, pois, nesses tempos corridos, pensamos logo que é estresse, falta de descanso e má postura - se bem que essas coisas também colaboram para a inflamação -, e vamos deixando de lado o que pode ser algo sério.

Começando o ano

   Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Estou aqui, hoje, justamente para provar que isso é mentira... se bem que já andamos mais perto do mês desta festividade do que do 1º de janeiro, que efetivamente marcou a entrada desse novo ano de 2012. Mas isso é mero detalhe. Rsss.
   Depois da brincadeira, tenho que começar desculpando-me do atraso em iniciar o ano blogueiro de 2012. Mas, como dizem por aí, antes tarde do que nunca.
   Começo, então, bem de leve - como se ainda estivesse naquela ressaca pós-primeiro-de-janeiro. Rsss -, só citando uma frase de Leonardo Da Vinci:
   "A simplicidade é o último grau de sofisticação".
   Bem vindos, todos os amigos, ao ano de 2012, pelo menos, no que se refere a este blog!