segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ainda em "O Globo"

O jornal perguntou a diversos "famosos" para quem dariam "cartão vermelho", repetindo a atitude do senador Suplicy para o presidente do Senado José Sarney, por conta dos escândalos em que este está "metido".
Separei três opiniões:
- "Para aqueles que estão, sistematicamente, contra o presidente Lula, sem perceber que, graças a ele, nosso país tem dormido com uma consciência bem melhor" - Paulo Cézar Saraceni, cineasta.
E eu que duvidava que o nosso presidente pudesse realmente ter algum defensor além dos "bolsa-familiados".
- "Para todos os políticos que arquivaram as denúncias contra o José Sarney" - Carlos Alberto Parreita, treinador de futebol.
O Parreira só não servia como técnico do meu Fluzinho... mas, como "juiz político distribuidor de cartões vermelhos", o homem está com tudo.
- "Para o próprio Suplicy, que já tinha dois amarelos, por simulação, nos casos Renan e Sarney. E um cartão amarelão para o Mercadante" - Nelson Motta, jornalista.
Realmente, o Suplicy aparece em determinados momentos, mas se omite em tantos outros que o "cartão amarelão" vale bem para ele... e, pelo acúmulo destes, merece mesmo o vermelho.

Agamenon, de "O Globo"

Neste último domingo, na coluna do Agamenon, em O Globo, foi publicado um texto muito engraçado e crítico. Reproduzo o texto a seguir.
"Assim como a Isaura, a minha patroa, o senador Mercadante não sabe dizer 'não'. Líder da ala bundona-sindicanalhista do PT, Aloízio Militante obedeceu cegamente ao presidente que o mandou voltar atrás. Foi tão atrás, tão atrás, que o senador acabou ficando com muita dor em partes remotas de sua anatomia. Felizmente, Mercadante não ficou com nenhuma dor na consciência. Sempre ligado nas novas mídias, Mercadante anunciou sua demissão no Twitter, em caráter irrevogável. No dia seguinte, o senador mostrou que não era irrevogável e nem tinha caráter: permaneceu no cargo de onde será retirado nos braços do povo nas próximas eleições. A 'enquadrada' de Aloízio Enquadrante mostra que o presidente Luiz Stalinácio Lula da Silva trata o PT como se fosse um bando de crianças. Deu um puxão de orelha no Mercadante e disse que vai botar de castigo e deixar sem sobremesa o militante, quer dizer, o Mercadante que não lhe obedecer. Com as barbas e o bigode de molho, Aloízio Mercadante foi ao plenário pedindo penico e acabou pagando o maior mico. Mas, como conseguiu manter o cargo, pagou o mico com o cartão corporativo. Diante dos escândalos sucessivos envolvendo figurões do PT (Partido dos Trambiqueiros); muitos petistas estão começando a ficar decepcionados com o partido. Deve ser porque ainda não arrumaram emprego algum no governo".
Nem quero comentar nada... que o texto fale por si.

domingo, 30 de agosto de 2009

A inocência de Palocci

Depois da decisão do STF de não aceitar as acusações contra o ex-ministro Palocci, no caso da violação do sigilo fiscal do caseiro Francenildo, o que representa que o, hoje, deputado poderá se candidatar nas próximas eleições, o ministro Marco Aurélio de Mello - voto vencido, nessa decisão - disse: "Precisamos fazer uma revolução pelo voto no Brasil. A sociedade não é vítima dos políticos que temos, a sociedade é a autora. Que cada eleitor perceba a importância do voto".
Sempre faço questão de reforçar a ideia de que o voto, desde que seja dado conscientemente, é a única "arma" que temos contra os maus políticos. E, se não lançarmos mão dessa nossa única defesa, teremos apenas o direito de fazer um mea culpa, reconhecendo que "a sociedade não é vítima dos políticos que temos, a sociedade é a autora".

sábado, 29 de agosto de 2009

"Os filósofos e o amor" (2)

As autoras mostram, logo no início de "As asas de Eros", o que aparentava ser Heidegger, até a publicação de correspondência com Arendt, através das palavras de Karl Jaspers: "Heidegger era sem amor, logo tãopouco amável em seu estilo".
Depois da publicidade das cartas trocadas, ficamos conhecendo um Heidegger mais "doce", talvez até chegando a discordar de que era "sem amor", como dissera Jaspers.
O livro apresenta um pouco da história do amor do alemão e da judia filósofos. Porém, ao lado da representação desse ícone da ideia de amor, vêm à tona outras coisas que parecem, em conjunto, diminuir, pelo menos um pouco, a força desse sentimento em Heidegger.
Duas belas citações são feitas sobre o amor. A primeira é de Santo Agostinho - que também aparece numa nota de rodapé de "Ser e tempo": "Não se penetra na verdade a não ser pelo amor". A segunda é de Max Scheler: "O homem, antes de um ser pensante ou um ser volitivo, é um ser amante". Essa segunda citação é apresentada a fim de explicar que nas últimas aulas de Marburg, verão de 1928, Heidegger fizera referência às reflexões trocadas com Scheler.
O livro apresenta a tese do filósofo italiano Giorgio Agamben, que "sustenta que, se Heidegger recorre a Santo Agostinho e a Scheler, isso signifca que o amor é para ele o modo de abertura mais originária do que qualquer conhecimento. E, num certo sentido, 'o problema central de Ser e tempo'".
Eu não conheço o embasamento da tese de Agamben, mas acho difícil reconhecer isso no texto heideggeriano.
De qualquer forma, as passagens do livro referentes à troca de correspondência entre os dois é muito bonita. Numa delas está registrado o que Heidegger escreve à sua aluna: "Tal como és por inteiro, e tal como irás permanecer, é assim que te amo".
Triste perceber a complexidade do amor entre os dois. O livro registra: "Vivem sua relação na clandestinidade. Ele é 17 anos mais velho, é casado e já tem dois filhos. Ela é uma aluna de apenas 18 anos. Legitimamente, Hannah preocupava-se com seu futuro. Para ele, ao contrário, os questionamentos eram vãos, o amor não deixava outra escolha senão 'nos abrir um para o outro e deixar ser o que é'". Um pouco adiante, diz: "Se não resta dúvida de que Heidegger a amou e, impelindo-a a ser livre, ajudou-a a se afirmar, nem por isso deixou de recusar obstinadamente mudar o curso de sua vida por ela. Tinham, decerto, um mundo a dois, mas um mundo circunscrito a momentos fugazes... Ela queria viver a seu lado. Ele pretendia que ela continuasse a ser sua felicidade egoísta e a inspirar suas invenções teóricas. Abandonar a esposa estava fora de questão. Então Hannah partiu".
Eu sei que sou meio "ultrapassado" no que penso ser o amor. Mas que amor é esse que não quer o outro, quando é possível tê-lo... ainda que seja complicado? Eu até entenderia ela abrir mão dele, por um alegado amor, preferindo que ele continuasse a estabilidade de sua vida acadêmica e familiar, para não se ver embaraçado por um romance com uma jovem aluna. Mas essa atitude vinda dele? Pessoalmente, custa-me entender. E nem vou citar, negativamente, o texto, quando diz "ela continuasse a ser sua [dele] felicidade egoísta". "Felicidade egoísta"? Será que cabe falar em amor aqui?
O livro continua falando da relação dos dois. E, para quem lê, fica realmente a impressão de uma profunda identificação - se exatamente "amorosa", não sei! Fato é que o texto cita que Heidegger, no reencontro com Hannah, em 1949, teria dito que esta teria sido "a paixão de sua vida".
Entretanto, surpreendi-me - ser ignorante é horrível, sempre! - com o fato de Heidegger ter tido "inumeráveis casos... até os seus 80 anos". Mais ainda em saber que a própria esposa, Elfride, havia sido uma "proto-Hannah"; afinal, Heidegger, quando tinha 26 anos, fora professor de Filosofia da jovem estudante de Economia, Elfride, com 22 anos, que teria cedido aos encantos da "raposa" - como Hannah o chamaria anos depois.
De qualquer forma, o fechamento do capítulo é bonito.
"Hannah Arendt era bastante consciente de que 'as grandes paixões são raras como as obras primas', segundo frase de Balzac, de que ela se apropriou. Eis provavelmente por que, apesar de todo o horror que lhe inspirava a adesão de Martin Heidegger ao partido nazista, ela preferiu preservar a relação de ambos pela vida inteira. E, mais do que o perdão, o qual ignoramos se de fato ocorreu, deveríamos mais corretamente falar de uma vontade de não renegar o que foi vivido, o acontecimento do amor. Num bilhete de 1960, que ela nunca lhe enviou, confessava-lhe que ele era o homem a quem ela 'permanecera fiel e infiel, sem nunca deixar de amá-lo'. Hannah Arendt e Martin Heidegger - não foi decerto a história de um amor fiel, mas a história da fidelidade ao amor".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

"Os filósofos e o amor"

Comecei a ler "Os filósofos e o amor", uma das minhas últimas aquisições. É verdade que é uma leitura meio "heterodoxa"... daquelas que pula de um capítulo a outro, sem nenhuma cerimônia. De qualquer forma, o entendimento do livro não parece perder muito com isso. Lá fui eu, então, da Introdução ao capítulo "As asas de Eros", que fala do amor de Heidegger e Hannah Arendt.
Na Introdução, cita-se Schopenhauer, falando sobre o amor: "Deveríamos nos mostrar surpresos que um objeto que desempenha papel tão notável na vida humana não tenha sido tomado em consideração pelos filósofos". Os autores indicam que essa afirmação é exagerada; mas apontam um certo mistério em que "a Filosofia, nascida na Grécia com a questão do amor... parece ter renegado essa origem... Assim, foi preciso esperar Kierkegaard para que o amor voltasse a ser considerado um modo de compreensão da existência". E completam: "Relegado ao domínio do pathos, dos afetos obscuros, de todo esse magma psicológico que o Sol da razão ilumina, por definição, tão mal, o amor não seria... um objeto para os filósofos".
Interessante os autores citarem, discordando, como eu, o seguinte: "Uma curiosa máxima impôs-se pouco a pouco em Filosofia: não se justifica, nem se esclarece um pensamento pela vida de seu autor... Nada a ver. Uma postura que teria decerto surpreendido os homens da Antiguidade, que mediam o pensamento com a régua da força interior, que ela infundia em quem o elaborava".
Aliás, o livro cita Nietzsche, que também parece indicar não ser possível uma "hermenêutica pura" do pensamento, sem remeter ao pensador, pessoalmente, quando diz: "Sempre escrevi inteiramente com meu corpo e minha vida, e não sei o que são problemas puramente mentais".
Para justificar, então, a abordagem do livro sobre o amor, os autores escreveram: "O pensamento do amor sempre foi escrito com o próprio sangue dos filósofos, com suas dificuldades singulares, suas neuroses, seus êxitos amorosos".
Por enquanto, só o aperitivo da Introdução... depois escrevo sobre "As asas de Eros".

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mais um aniversário

Eu sabia que estávamos próximos do aniversário de uma pessoa ligada, indiretamente, ao blog, que é a filha da nossa amiga Maria. Entretanto, não tinha certeza de quando era. Só hoje, vendo um comentário dela, é que tive a certeza da data. E é hoje!
Muitas felicidades, neste dia, para ti, que é uma pessoa tão especial - afinal, sinto-te como uma sobrinha. Apesar da distância, envio-te um longo abraço e um beijo carinhoso.
Sei que já te sentes feliz, pela família que tens. Mas sei também que sempre falta algo... ou "algos" (rsss). Desejo, então, que tudo o que esperas conquistar vá chegando no tempo certo em tuas mãos, para que saibas fazer o melhor uso dessas coisas... ou eventos.
Muitas e muitas e muitas alegrias... sempre!

Concluí o "tesouro spinozano"

Há algum tempo, postei que tinha encontrado um livro chamado "O método racionalista-histórico em Spinoza", de Alcantara Nogueira, que apelidei de "tesouro spinozano".
Concluí, ontem, a leitura do livro... que é realmente fantástico! Ao longo do livro, percebe-se quão profundo foi o estudo dos textos spinozanos, e, talvez mais ainda, dos textos dos seus comentadores. E Alcantara não se limita aos mais conhecidos - pelo menos por mim. Ele transita por comentadores franceses, ingleses, russos, etc; destaca o que eles entenderam e também o que ficou despercebido, ou mesmo "mal percebido" pelos mesmos. Além disso, não se limita a um determinado título do comentador, cotejando vários textos de cada um deles, no que diz respeito ao pensamento de Spinoza.
Imagino que a composição do livro deva ter dado um trabalho hercúleo, visto que além das ideias spinozanas e dos seus comentadores, as fontes das informações são citadas claramente, indicando as páginas, inclusive.
Procederei a uma rápida releitura, colocando posts sobre pontos específicos do livro, em breve.