quarta-feira, 17 de abril de 2013

O "mistério" do Mundo

   
   Na segunda parte de O Mundo como Vontade e Representação, Schopenhauer fala sobre o espírito filosófico, que se espanta/admira diante do quotidiano, buscando investigar, então, mesmo aquilo que não suscita a curiosidade das demais pessoas.
  Ao final de sua análise, ele escreve algo muito interessante, que está absolutamente conforme sua descrição anterior, mas que, em certa medida, contraria o senso comum. Diz ele:
   "Quanto menos um homem é inteligente, menos mistério tem para ele a existência".
   Seria bom entender o "inteligente", não necessariamente como uma capacidade inata, mas sim como uma espécie de resultado do exercício do intelecto.

4 comentários:

Guilherme R. Fauque disse...

E não é? Quanto menos inteligente, menos está se importando com assuntos menos "práticos" para o dia-a-dia... Ótima frase :)

Clara Maria disse...

Desta vez não posso concordar com os senhores…
Há muito que me interrogo sobre o conceito de inteligência. Muitos alunos meus parecem encaixar num conceito de inteligência tradicional, são os chamados “bons alunos”. Mas há muito que esse conceito não me satisfaz. O Teatro abriu-me horizontes, não só no que respeita à visão de mim própria, como também ao que comumente se intitula um bom aluno.
Por exemplo tenho, no clube de Teatro, uma ex aluna, que já chumbou 2 vezes, num sistema de ensino que é muito permissivo e facilitador. Esta ex aluna tem dificuldades na maioria das disciplinas, mas uma capacidade fora do comum em termos criativos, de captação de outras realidades e de uma sensibilidade que nem ela própria se dá conta. Será que pelo facto de ser má aluna a encaixa num rótulo de pouco inteligente? Sim, a maioria diz que sim, apelidando, algumas vezes, a garota, como “burra” e outros epítetos menos dignificantes. Mesmo a garota se acha limitada, deixando que a baixa autoestima vá corroendo a imagem que tem de si própria. Nunca ninguém lhe falou das inteligências múltiplas…
Não estarão também os senhores (Ricardo e Guilherme) eivados por um conceito já meio antiquado? Ou estarei eu, mais uma vez, a viajar na maionese?
Bom fim-de-semana
Maria

Ricardo disse...

Cara amiga Maria:
Entendo bem sua preocupação com o que poderia ser um "conceito antiquado" de "inteligência". Obviamente, como professora, você já viu vários casos em que pessoas com habilidades muito especiais foram "rotuladas" como "burras" somente por conta de uma inaptidão específica para alguma disciplina.
Se me permite, entretanto, não acho que a "reprimenda" alcance a mim e ao amigo Guilherme. Não indiquei que "pessoas inteligentes" são aquelas com destaque acadêmico. A inteligência, aqui, ficou por conta de uma curiosidade diante do mundo, o que, aliás, é possível em pessoas que se dedicam às artes ou à reflexão livre, sem "canudos" que garantam sua competência em Matemática, Física ou o que mais for.
Talvez até, aqueles que se considerem "inteligentes" é que não sejam aqueles contemplados pela afirmação de Schopenhauer, visto que correm o risco de se contentarem com os conhecimentos adquiridos da tradição, sem investigar, por conta própria, sua validade. Se eles têm sucesso nas suas vidas acadêmicas, talvez fosse um exagero chamá-los de "burros", mas certamente não têm o brilho e a agudeza do pensar do verdadeiro "inteligente" - coisas que não são medidas por testes de QI, por exemplo.
Grande abraço,
Ricardo.

Clara Maria disse...

E tem muita razão...Acusei aqui o "Puxão de orelhas". Assim que publiquei o comentário percebi que tinha sido precipitada e injusta. Como já me conhece, sou impetuosa e precipitada. Me desculpe o senhor e o seu amigo.
Um abraço
Maria