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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dilma Antonieta


   O título do post é o mesmo de uma notinha da coluna do Ancelmo Gois. Através da nota, dá para perceber o quanto a nossa presidente Dilma anda conhecida no exterior... ou não.
   Vamos à nota:
   "Um guia francês conduzia um grupo de brasileiros, dias atrás, pelo Palácio de Versalhes, na França, quando começou a defender Maria Antonieta (1755-1793), a rainha casada com Luís XVI. Disse que 'os erros da monarquia, injustamente, foram creditados a ela', e concluiu: - É o mesmo que acontece agora com a Dilma no Brasil...
   Há controvérsias." 
   Boa essa...

O que é isso, Cunha?


   Fiquei surpreso ao ouvir a declaração do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de que estava sendo perseguido politicamente, através da Operação Lava-Jato, de forma orquestrada pelo governo federal. Ora, pensei eu, como o governo pode comandar uma ofensiva contra alguém valendo-se de uma arma que está, antes de tudo, fazendo estragos em sua própria tropa? "Não é possível que o nobre deputado esteja acreditando no que diz!", refletia eu. "Ou será que eu perdi alguma parte dessa estória?", ponderava cá com meus botões.
   Por sorte, o estranho proferimento de Cunha soou mal nos ouvidos de outras pessoas também. Assim é que, nas suas colunas do jornal O Globo, Ilimar Franco, Jorge Bastos Moreno e Miriam Leitão exibiram a incongruência da fala do deputado.
   Ilimar disse: "Uma teoria conspiratória de péssima qualidade, pois, se o governo tivesse condições de controlar os controladores e os investigadores, não estaria na situação de penúria política em que se encontra".
   Jorge Bastos escreveu:"As alegações de Cunha de que há dedo do Palácio nisso não se sustentam, pelo simples fato de que a Lava-Jato atinge também o governo, e quem tem poder para botar alguém na roda tem também para tirar os seus do mesmo escândalo".
   Por último, Miriam: "Por elementar, se pode afastar essa visão persecutória. Se tivesse capacidade de manipular o órgão policial e as instituições do Ministério Público e Justiça, o governo o faria em seu próprio benefício. Não tem conseguido no MP nem na Justiça de primeira instância".
   Ufa... eu pensei que eu estava emburrecendo. Mas, aparentemente, só continuo tão burro quanto sempre fui. Rsss.
    Miriam ainda diz mais: "A reação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é uma tentativa de se desvincular de um escândalo que o pega de frente. Na sua declaração se vê a tentativa inútil de camuflar algo que está visível".
    Aliás, a coluna da Miriam começa com algo muito engraçado, que lembra muito aquela declaração do Romário  - "O Pelé calado é um poeta" -, embora prossiga com uma avaliação muito séria. Diz ela: "Quando a presidente Dilma fala, a gente nota que o silêncio lhe cai bem. Quando nada diz, pode-se ter a esperança de que ela esteja entendendo o grau de confusão no qual o país está. Ao falar, Dilma confunde confissões extraídas sob tortura na ditadura com delações previstas em lei, feitas por criminosos à Justiça, em pleno Estado de Direito. Nas reuniões que faz para avaliar a crise, a presidente mistura governo com partido ou tem encontros que, do ponto de vista institucional, não deveria ter para tratar deste tema, como o que manteve com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)".
   Eita, crise!!! Realmente, as instituições políticas brasileiras estão meio "alopradas". 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Delação...


   Fico na dúvida se deveria completar o título do post, após a palavra "delação", com "premiada" ou "criticada". Isto porque, conforme soubemos, a presidente Dilma tratou do tema "delação" de modo bastante crítico, apesar do nome do instrumento jurídico ser chamado "delação premiada". Disse nossa líder máxima que: "Em Minas (Gerais), na escola, quando você aprende sobre a Inconfidência Mineira, tem um personagem que a gente não gosta porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. Ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora; a ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente".
     Antes de tudo, tenho que parabenizar a ex-ativista Dilma, pois eu não garanto que eu mesmo, sendo submetido à tortura, manteria os segredos necessários para assegurar a vida de amigos envolvidos em atividades revolucionárias... não que eu conheça algum, a bem da verdade. Rssss.
   Feito esse registro positivo sobre nossa presidente, enquanto ativista, teríamos que lembrar o outro lado da estória. Poucos dias antes de sua reeleição, a presidente Dilma deu uma entrevista à revista Carta Capital, onde dizia: "Para obter as provas, a Justiça e o Ministério Público valeram-se da delação premiada, um método legítimo, previsto em lei. E muito útil para desmontar esquemas de corrupção. Na Itália, contra a máfia, funcionou muito bem".
   Deve ficar claro que as duas situações são bem distintas - aquela da Inconfidência Mineira e esta que envolve políticos, vários deles do partido da presidente.
   Se o "subversivo" Tiradentes tinha um espírito libertador para com um país submetido ao jugo explorador da metrópole, o daqueles que estão envolvidos nesta delação de agora são, em conjunto com aqueles que estão sendo denunciados, uns aproveitadores. E da mesma forma que aproveitaram o momento em que os políticos estavam distribuindo o dinheiro, agora tentam se dar bem quando o barco está afundando. Por este motivo, presidente, acho que sua primeira opinião deveria ter se mantido inalterada.