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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O caso Carol Solberg (2)

 

   Vale ressaltar o que disse o presidente do STJD do Vôlei, Otacílio Soares de Araújo: "Ela está lá para falar do que ocorreu dentro da quadra, e não sobre a política brasileira ou mundial".

   Ainda bem que a atleta vai poder continuar jogando, depois da punição considerada branda.

O caso Carol Solberg


   Como alguns devem se lembrar, a atleta do vôlei de praia Carol Solberg, no mês passado, após conquistar o terceiro lugar em uma competição, gritou "Fora, Bolsonaro".

   O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol, ontem, a condenou com uma multa, convertida em advertência apenas. Segundo o entendimento do tribunal, Carol teria descumprido um determinado artigo do Regulamento do Circuito de Vôlei de Praia. Este artigo indicava, de modo resumido, que nenhum atleta pode se valer de meios de comunicação para expressar uma opinião crítica que possa vir a prejudicar a competição ou seus parceiros.

   Não vou entrar no mérito do regulamento, nem mesmo da punição. Gostaria de refletir acerca de duas outras coisas: o opinar de Carol e um pedido de sua defesa, durante o julgamento.

   Primeiro, em relação ao ato de emitir um juízo político, por parte da atleta.

   Em princípio, sou a favor da plena liberdade de expressão. Penso que isso implique, inclusive, aceitar opiniões antidemocráticas; que defendam coisas que achamos desumanas - como o nazismo, por exemplo. Uma opinião é a externalização do que é pensado. Nesse sentido, acho que ela deve ser respeitada como um ponto de vista, entre outros tantos existentes. Respeito, contudo, não quer dizer concordância e adoção daquele ponto de vista como motivador de uma ação. Além disso, quem emite uma opinião deve assumir sua responsabilidade pelo que foi dito, incorrendo até em crime, dependendo do que for afirmado.

   Mas minha concordância ampla com o ato de opinar - e, obviamente, com o responsabilizar-se pelo que foi dito - exige uma reflexão a mais: as figuras públicas precisam de um cuidado a mais quando se posicionam de forma aberta. Isso porque muitas pessoas, pela simples fama daquele que profere a opinião, aderem irrefletidamente à mesma, como se a opinião do "famoso" tivesse um peso maior do que aquela de quem estudou o assunto e contradiz o que foi afirmado. Portanto, uma manifestação pública de uma figura amplamente conhecida, mesmo que fora da sua área de atuação, tem um peso diferente da de outras pessoas - inclusive daquelas que teriam mais "confiabilidade" no assunto. 

   Sob essa perspectiva, acho que tanto a manifestação de Carol - fosse, também, a favor do presidente -, quanto a de juízes, atores e outros, deveria ser bem avaliada pelos seus emissores. Digo isso, principalmente, porque a reverberação dessas opiniões pode criar tantos antagonismos na sociedade, que acabam por fazer mais mal do que bem.

   Quanto ao segundo ponto que levantei - aquele que diz respeito a uma solicitação específica da defesa de Carol -, gostaria de registrar que penso ser algo incoerente. Trata-se do pedido de que o julgamento não fosse político, mas exclusivamente técnico. Isso porque houve a preocupação de que a citação depreciativa ao presidente da República pudesse pesar contra a atleta - até porque uma das patrocinadoras e a própria organizadora têm a ver com o governo federal.  

   Dá até para entender o pedido da defesa, não fosse o caso de a origem da causa ter sido, justamente, nossa atleta ter deixado de lado exclusivamente o aspecto técnico da competição, para se imiscuir justamente no plano político. 

   Fica aí a reflexão, para quem quiser pensar junto comigo. 

    

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Respeitando os próprios limites


   A revista O2 de janeiro/fevereiro de 2018 traz um artigo bem interessante de Harry Thomas Jr., com o título "Saber desistir é para os inteligentes".
   Antes de falar sobre o artigo, contarei um fato acontecido comigo, no meu primeiro treino deste ano.
   Era 03 de janeiro. Saí para o primeiro treino do ano. Tudo bem... performance não seria o caso. Depois dos excessos de Natal e Ano Novo, o objetivo era só fazer meus 8,5 km num ritmo confortável, sem forçar... ainda. Pois bem... ou melhor, pois mal... não cheguei nem aos 5 km. 
   Dizer que fiquei muito frustrado é o mínimo. Mas a verdade é que não me sentia bem enquanto corria. Estava calor... mas já corri em dias mais quentes e em ritmo mais forte. O fato é que FALHEI!!!
    Mas... li o Harry Thomas Jr. e me recuperei. Tanto que, no dia seguinte, fechei meus primeiros 8,5 km do ano. 
   Vamos ao que diz o artigo.
  "Reconhecer o seu limite numa competição e desistir do pace ou simplesmente desistir da prova em questão não é vergonha, mas sim um enorme aprendizado de foco, humildade e amadurecimento. 
   [...] Esqueça os memes que povoam as redes sociais do tipo 'No pain no gain' e 'Desistir é para os fracos'. Desista, sim, se for necessário para a preservação da sua saúde. Depois, com calma e tempo, analise onde está o erro (se é que ele existiu) e comece a pensar em um próximo desafio. Simples assim.
   [...] Corridas de rua ou de trilha pelo Brasil e pelo mundo não faltam, certo? Portanto, saber parar e saber a hora em que insistir não faz mais sentido é, na verdade, uma sabedoria de corredor que se adquire com maturidade. Desistir, meu caro amigo leitor, não é para os fracos, mas, sim, para os inteligentes".
   Show!!!!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Mente sã... em um corpo sadio

   Uma mais leve, agora... Ufa...   
  
   Se é possível existir uma mente sem um corpo, eu não sei. Opino que não seja. De qualquer forma, enquanto estou na "duração" - lembrando nosso querido Spinoza -, vou cuidando desse "modo finito da Extensão" - repetindo, também o luso-holandês.
   Ultimamente, para cuidar do corpo, tenho corrido. Bem... na verdade, correr, já o faço desde uns dezoito anos, sozinho; mas agora estou participando de corridas de rua, com aquele montão de gente. Tem sido muito interessante. O ambiente é bastante legal. Pena que não haja uma "Corrida Filosófica"... Vou sugerir isso a alguém. 
   Ops... voltando do meu desvio...
   Ontem, domingo, participei de uma corrida no Aterro do Flamengo - Série Delta, 1ª etapa. Antes, só corria 5 km. Oficialmente, foi meu debut nos 10 km. E não é que consegui ficar em 21º lugar na minha categoria ("coroas" entre 45 e 49 anos)?! Boa estreia, não foi?
   À noite, tive que fazer uma reidratação com cervejas. Afinal, ninguém é de ferro. Rsss.