quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Feliz Dia dos Professores!

Alguns dos amigos que visitam o blog pertencem a essa maravilhosa categoria dos professores... E que categoria, hein! Rsss.
Sempre destaco o valor dessa classe, que carrega sobre os ombros a responsabilidade de tornar o material humano desse país um pouco mais crítico. Mas, ao lado desse peso, carrega também o orgulho de ser agente ativo de uma possível mudança positiva nos rumos do pensamento desse nosso Brasilzão. Aliás... não posso me limitar às nossas fronteiras, visto que há uma amiga nossa, também professora, que mora além mar... lá em Portugal.
Incluídos todos os professores... Parabéns pelo Dia dos Professores!!!!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O papel da Imprensa

No post "Olimpíada de 2016", sem querer, "esbarrei" num tema que me parece merecer um post: a Imprensa.
De certa forma, fiz um juízo de valores quando destaquei a publicação do jornal "O Globo" no dia seguinte à vitória como sede olímpica de 2016.
Nosso amigo Existenz sinalizou, muito acertadamente, que devemos ter um certo cuidado com as análises da Imprensa sobre os diversos acontecimentos. Ele disse: "não faria mal ter certa 'malícia' na hora de se defrontar com as 'notícias' (que, para mim, nada mais são do que descrições e 'informações' sobre ocorridos entranhadas de juízos, valores, intenções e afetos, como boa parte das conversas cotidianas que cada um tem na nossa vida social) anunciadas por essas fontes".
Lembrando Nietzsche, sobre o fato de que "não há fatos, somente interpretações", acho difícil que alguma coisa veiculada na Imprensa seja totalmente "isenta", no que diz respeito às ideologias de quem as escreve. Entretanto, acho que foi justamente esse o ponto alto de "O Globo", ou seja, enquanto todos eram simplesmente tomados pela euforia da vitória - que, lembro, também está carregada de "ideologia" -, este jornal, sem deixar de noticiar - e até participar da comemoração pelo sucesso do acontecido -, alertou-nos para o "outro lado" da estória. Acho que essa é uma postura crítica que combina muito com o que tentamos fazer neste espaço - filosofar.
Agora, fica a pergunta: qual é o papel exato da Imprensa? Ela deve ser uma mera "informadora" dos acontecimentos ou deve ser "formadora de opiniões"?
E surgem perguntas mais profundas: se o papel deve ser de mero "informador", há possibilidade de fazê-lo com plena isenção, sem nenhum aparato ideológico de fundo? E se o papel é de "formador de opinião", seria a opinião veiculada mais adequada que a do leitor?
Parece-me que existe, na verdade, um misto de "informador" e "formador" (de opiniões). Se Nietzsche estiver certo, cabe a nós, leitores, a decisão sobre a "interpretação" com a qual compartilhamos. E essa "interpretação" que recebe um reforço valorativo nosso só pode "nascer" a partir da análise das várias opiniões veiculadas... até porque nós também temos as nossas "ideologias" pessoais - ou, pelo menos, que nós pensamos ser "pessoais"/"individuais".
De qualquer forma, continua valendo a reflexão, proposta pelo nosso amigo Existenz, sobre o "peso valorativo" das opiniões veiculadas em todos os meios de comunicação.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Spinoza e Kolakowski

Há algum tempo eu prometo a visão de Kolakowski sobre alguns dos filósofos que aparecem na pequena coleção de livrinhos lançada recentemente. Hoje, gostaria de falar um pouco do filósofo que "comanda" esse blog... nosso querido Spinoza.
Kolakowski se põe em marcha para avaliar o pensamento de um filósofo de poucos escritos e que concentra sua grande filosofia em um único texto, a "Ética". Pareceria, então, tarefa fácil. Mas não é. Spinoza, apesar de filósofo de sistema, onde tudo tem que se encaixar perfeitamente, e de um "moderno", onde a Epistemologia e o Método seriam as ideias chave, não se deixa apreender facilmente.
O "rígido" modelo matemático adotado por Spinoza, diz-nos logo Kolakowski, deixará transparecer que algumas certezas são artificialmente derivadas dos axiomas com os quais o luso-holandês trabalha inicialmente.
Pessoalmente, acho o modelo spinozano muito bem estruturado, mas a verdade é que a "intuição" da certeza que advém do conjunto de algumas proposições não é tão "imediata" como aquelas provenientes da própria Geometria, de onde o método pretende partir.
Kolakowski, novamente com perspicácia, indica que a pretensão maior do sistema spinozano é a questão ética, mas o que "fica" de Spinoza para a História da Filosofia é sua posição acerca de Deus.
O polonês percebe que Spinoza parte de uma posição parecida com a de Santo Anselmo e Descartes, postulando a existência de Deus pela necessidade de sua própria essência e conceito... mas demonstra que, pelo menos a partir de um certo ponto, o "Deus spinozano" se afasta completamente do "Deus judaico-cristão".
Kolakowski indica que, nas suas próprias cartas, Spinoza reconhece que não resolveu "satisfatoriamente a questão da relação entre Deus e as coisas criadas".
Nas pouquíssimas dez páginas dedicadas ao pensamento de Spinoza, o polonês ainda tem "coragem" para discutir o chamado "panpsiquismo" de Spinoza. O tema é espinhoso - sem qualquer trocadilho com a família "Espiñoza", que parece ter dado origem ao sobrenome de nosso pensador! -, mas Kolakowski o enfrenta em "míseras" sete linhas. Obviamente, fica muito por dizer. Mas é importante registrar a tentativa do polonês de refletir sobre o difícil tema.
Ele escreve: "Cada coisa particular é tanto corpo como ideia. Ser ideia não significa, no entanto, que ela possua vida psíquica própria, mas que é ideia, no sentido de que foi pensada por Deus... Ideia e corpo são, na realidade, uma coisa só. O que ocorre em um também ocorre em outro".
Certamente, o tema mereceria mais espaço. Mas o importante é registrar que ser "extensão e pensamento", ao mesmo tempo, para todas as coisas, não pode ter o mesmo sentido de ser "corpo e alma" como para o ser humano. O "pensamento", aqui, não é simples coleção de "conteúdos mentais", mas uma instância real paralela à física - que diz respeito à extensão.
Como eu disse, o tema não é simples. Aliás, Spinoza é atacado pelo seu "panpsiquismo".
Alguns defensores do luso-holandês sugerem que o que Spinoza quer dizer é que há um nível de realidade que não é meramente material - algo como "forças" ou "energias" -, que estariam presentes em toda a Natureza. Seria uma boa forma de "fugir" aos detratores de Spinoza, mas ainda não acho uma boa saída. Afinal, todas as forças que conhecemos são "físicas" - inclusive é na ciência positiva "Física" que elas são estudadas. Aliás, o que é material deve sua "materialidade/extensividade" ao que é "não material". Isso não é novidade... Fritjof Capra já falava disso no seu "Ponto de Mutação", explicando que há muito mais "vazio" num pedaço de qualquer coisa do que "matéria", em sentido estrito.
Depois eu continuo...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Olimpíada de 2016

É difícil deixar de torcer pelo Brasil em alguma coisa... até em "cuspe a distância". Entretanto, em alguns casos, uma reflexão menos "apaixonada" nos leva a não querer que o Brasil vença. Um desses casos é o das Olimpíadas de 2016.

No dia seguinte à escolha do Rio como sede olímpica em 2016, os jornais, de um modo geral, estampavam nosso orgulho e festa por bater Estados Unidos, Espanha e Japão. Compreensível. O Globo, ainda que compartilhando da euforia, foi o único a colocar, ao lado da alegria pela escolha, algumas considerações sobre a viabilidade real de atendimento do que foi proposto. Uma dessas considerações, por exemplo, foi a da inauguração de uma estação de metrô por ano; outra, a da despoluição da Baía de Guanabara. Nós cariocas ouvimos que haveria mais duas estações de metrô na época do Pan... e não vimos isso sair do papel. O que ganhamos como legado desses jogos das Américas foi uma faixa alaranjada em algumas vias, que seriam vias seletivas para as diversas delegações de atletas seguirem rumo aos locais de competição. Nossa querida e linda Baía de Guanabara já vem sendo "despoluída" há anos... e vivemos lendo notícias de poluição nas praias, de degradação da flora e fauna aquática.
No caso do Pan, nem vou citar os "elefantes brancos" que ficaram abandonados ou, na melhor das hipóteses, subutilizados aqui no Rio. Não falarei, então, do Parque Aquático Maria Lenk e do Engenhão. Entretanto, vou citar um outro "legado", que compensaria muito: a Vila Olímpica. Construída para abrigar os atletas, seria depois vendida aos cidadãos. Por problemas de construção e de administração, os prédios se tornaram o desgosto dos compradores, com vários deles entrando na Justiça para reaverem os valores investidos.
Será que o Brasil aprendeu a lição do que não fazer num evento desse tamanho, a fim de fazer o certo? Será que um país que prima pelo "jeitinho" assumirá realmente que, para tudo dar certo, tem que se lançar ao trabalho sério muitos anos antes de 2016? Será que um país que não consegue, sequer, tomar conta de provas do Enem realmente tem competência para um desafio de tal monta?
Quem viver verá! Continuemos torcendo até lá.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ralph Waldo Emerson

Nosso amigo Guilherme sempre posta matérias interessantes no seu blog. Não é à toa que o mantenho no topo da lista dos meus "links favoritos".
Desta vez, entrentanto, além do próprio post, há uma citação de que gostei muito - e que não conhecia - de Ralph Waldo Emerson. Diz ele: "É fácil viver no mundo conforme a opinião das pessoas. É fácil, na solidão, viver do jeito que se quer. Mas o grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão”. 
Sobre a citação, comentei, no blog do amigo: "Eu não conhecia essa citação do Ralph Waldo Emerson que está no blog... e gostei muito.
'Viver no mundo conforme a opinião dos outros' é realmente fácil. Não 'dá trabalho', não 'gera atrito'. Com isso, também não se cresce, não se pensa e não se vive originariamente.
'Na solidão, viver do jeito que se quer', também é 'mole'. Eu vivenciei isso na minha 'fase' budista, quando inúmeros mestres só eram budistas de verdade quando em retiro.
'Mas o grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém, com perfeita doçura, a independência da solidão'. Esse é um retrato do nosso caro Spinoza!!! Rsss".
Acho que temos a obrigação de propagar o que aparece de bom na net - afinal, há tanta porcaria!
E essas boas ideias com as quais nos deparamos - como é o caso do Guilherme, e da nossa nova amiga Marise - têm que ser divulgadas.

Mais uma amiga dos amigos

"Passeando" pela net, acabei encontrando mais um blog interessante. E fiz questão de registrar minha simpatia para com a "dona" do blog. Para minha surpresa, pouco depois de meu comentário, descobri que tínhamos uma nova "amiga dos amigos".
Feliz por recebê-la, Marise, desejo que tome esse espaço como seu; lançando os comentários que considerar pertinentes aos assuntos postados e "desafiando" os amigos com assuntos que julgar de interesse do grupo ou que imaginar interessantes de compartilhar.
Seja bem vinda!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nietzsche e o "eu"

Nietzsche, embora não tendo sido o primeiro, também atacou a "intuição imediata" da ideia de um "eu". Talvez até, Hume o tenha feito com mais precisão argumentativa. Entretanto, Nietzsche filosofa mais com o martelo do que com a caneta. E é com seu martelo que ele, em "Além do Bem e do Mal", lá pelo parágrafo 16 e seguintes, ataca esse conceito, referindo-se inicialmente a Descartes - e ao seu "ego cogito, ergo sum". Um pouco depois, aquele que "filosofa a marteladas" se volta contra a Vontade schopenhaueriana e conclui que "... L'effect c'est moi" - o texto em francês está no original alemão.
E aqui cabe uma pergunta: se eu sou o efeito dessa construção de inúmeras forças, que, portanto, precedem meu "eu", como fazer uma filosofia da existência, sem primeiro entender o que são essas "forças" em relação às quais eu não sou livre para ser "eu", já que são justamente elas que me fazem "eu"?
Mudando um pouco a perspectiva dessa ideia... e até o filósofo que a teve, eu lembro que Schopenhauer já dizia que temos todas as escolhas, menos a de nos escolhermos a nós próprios - o que deixaria os olhos de Sartre mais esbugalhados e tortos ainda.
Mas realmente, se "o efeito sou eu", como disse Nietzsche, é certo que só posso escolher a partir desse efeito ter se "consolidado", ou seja, "eu" não posso me escolher como aquele efeito que sou em função de forças primárias, e fundantes de mim. Só posso escolher a partir delas cessarem seu jogo - ainda que temporariamente -, encontrando essa "resultante" que sou "eu" mesmo.
A partir dessa assumpção de mim mesmo como resultante e efeito não escolhidos, posso me julgar livre para selecionar alternativas que se apresentam a mim... isso é o livre arbítrio.
Mas... será que esse jogo cambiante de vontades e forças, do qual sou efeito, se fixam totalmente, param de devir? Se a resposta for "Não" - como eu penso que é -, em que nível eu posso realmente dizer que esse que escolhe, que sou "eu", não está novamente sendo o efeito e sua ação não é só um efeito do efeito... nada tendo de liberdade em si?