Não poderia começar de outro jeito, que não o do registro do nascimento de minha primeira neta, a pequena Helena, no dia 24 de janeiro de 2023.
Blog dedicado a pensamentos filosóficos e do dia a dia, escrito por um admirador de Spinoza.
Não poderia começar de outro jeito, que não o do registro do nascimento de minha primeira neta, a pequena Helena, no dia 24 de janeiro de 2023.
Já há algum tempo venho querendo retomar a experiência do blog. Sempre achei interessante utilizá-lo como um diário, especialmente das leituras que realizo.
Resolvi fazê-lo agora. Mas, sinceramente, não tinha noção do tempo que estava sem registrar nada. Agora vejo que já se passaram mais de dois anos.
Então, vamos lá...
Estava lendo apenas a introdução do livro Psicologia Existencial, organizado por Rollo May, com textos de Abraham Maslow e Carl Rogers, entre outros, e me deparo com a seguinte afirmação, logo no primeiro parágrafo:
"Pensadores cujas formulações se tornaram importantes para o seu século e para os subsequentes são os que obtiveram êxito, penetrando e articulando o significado e a direção dominante do desenvolvimento do seu contexto cultural..."
E segue uma lista brevíssima destes "pensadores". Lá vai:
"Espinosa, no século XVII; Kierkegaard, no século XIX; Freud, no século XX"
Depois dessa lista, dá para desconsiderar nosso grande Spinoza? Pensemos rapidamente... Kierkegaard é o Pai do Existencialismo e Freud é o Pai da Psicanálise. Ambos, portanto, têm tudo a ver com a ideia de uma "Psicologia Existencial". Spinoza só pode ter entrado na lista por conta de ter "penetrado e articulado o significado no seu contexto cultural". Aliás, eu diria que não apenas do seu "contexto cultural", mas num âmbito bem mais amplo, conseguindo captar, com rara felicidade, o que é o ser humano.
Outras duas curiosidades...
A primeira, o que considero certa injustiça da lista, é não haver nenhum pensador indicado como tendo conseguido penetrar no contexto cultural do século XVIII. Afinal, a lista pula de Spinoza, no século XVII, para Kierkegaard, no século XIX.
A segunda é que a lista continua, dizendo "intercalados por nomes não menos ilustres...". Apesar de "não menos ilustres", eles só são citados depois. Mas, vamos lá:
".... desde os Filósofos Renascentistas, os Reformadores da Idade Média, até mais recentes celebridades como Giordano Bruno [...], Jacob Boheme, Paracelso, Descartes, Locke, Galileu, Newton e outros".
Tratar do tema "pobreza", no Brasil, não é uma coisa simples. A começar, pela dificuldade de encontrar uma definição precisa do que vem a ser "pobreza" - o que é fundamental para análise de qualquer conceito -, e que continua com a profusão de números que envolvem a mesma.
A Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, utiliza o fator renda para classificar o que é "pobreza". A União Europeia segue esta linha, bem como o Banco Mundial e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A Organização de Alimentação e Agricultura (FAO), organismo pertencente à ONU, e também a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) traçam os limites da pobreza a partir da quantidade de calorias ingeridas pelos indivíduos.
Os valores também variam bastante. Em relação às calorias, a FAO utiliza como limite de pobreza uma dieta diária abaixo de 1.750 kcal, enquanto a Cepal usa o valor de 2.200 kcal.
Já no que se refere à parte econômica, a ONU fala em pobreza quando a renda diária média de uma pessoa está na casa de US$ 1,25; mas o Banco Mundial e o IBGE usam um valor maior do que este para identificar a "extrema pobreza", com US$ 1,90, e a pobreza estando entre US$ 3,20 (para países subdesenvolvidos) e US$ 5,50 (para países em desenvolvimento).
Mesmo admitindo que a referência à renda diária per capita é mais usual, ainda resta essa variação grande para administrar.
Diante desse fato, não é tão fácil discutir os números que são apresentados - e usados politicamente - sobre a pobreza e a extrema pobreza, no Brasil.
Utilizando uma tabela produzida pelo IBGE de Síntese de Indicadores Sociais restará estabelecido que US$ 1,90 demarca a linha da extrema pobreza, enquanto US$ 5,50, o da pobreza.
Procedendo assim, teríamos, em 2020, com uma população aproximada de 211 milhões de pessoas, cerca de 12 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de extrema pobreza, enquanto o total de brasileiros considerados pobres - descontados os que estão abaixo da linha da pobreza - seria algo em torno de 39 milhões. Ou seja, teríamos aproximadamente 51 milhões de brasileiros categorizados como pobres ou extremamente pobres.