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terça-feira, 7 de maio de 2019

O preço da eleição


   Ainda no mesmo livro do post anterior - no mesmo trecho, aliás -, Saturnino Braga fala sobre os serviços dos especialistas em ciência da psicologia eleitoral.
   Diz ele:
  "Tais serviços profissionais, prestados via de regra por toda uma equipe, custam somas vultosas que só os candidatos endinheirados podem pagar. E somas ainda muito maiores custa a cobertura noticiosa que os candidatos conseguem ter nos meios de comunicação, e que constitui outro fator absolutamente decisivo de êxito. A tal ponto que se pode hoje afirmar que o dinheiro é o fator mais importante numa decisão eleitoral de uma democracia moderna."
   Ou seja, por trás da lógica da manipulação "afetiva" dos profissionais em psicologia eleitoral, há o interesse de grandes grupos econômicos.

O voto


   Estava lendo um livrinho de Roberto Saturnino Braga, Entre séculos - textos políticos, publicado pela Contraponto, e me deparei com algo que já discutimos aqui, sobre a questão da racionalidade do voto.
   O texto expressa uma opinião que já defendi. Diz o seguinte:
"... a decisão do voto não é um ato puramente racional do eleitor esclarecido; é influenciada por um conjunto de impressões, emoções e sentimentos que os candidatos vão suscitando em seu espírito no curso da campanha. E a ciência da psicologia eleitoral formou profissionais especialistas na apresentação de candidatos cujos serviços produzem efetivamente resultados na cabeça do eleitor, principalmente no seu coração".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Por que se vota em alguém? (3)


   Esse tema ganhou um colorido especial quando foi comentado, aqui no blog, pelo Luís. Aliás, o diálogo sempre enriquece nossas posições.  
   A primeira coisa a dizer é que, dentro de uma democracia, a motivação do voto - ou do não-voto - pertence ao eleitor. Vimos, em posts anteriores, algumas propostas de análise das motivações dos votantes, no que se referia a uma valorização da influência social, em oposição à escolha mais autônoma. De qualquer modo, a opção de votar em alguém ou de não votar em ninguém pertence ao jogo democrático. 
   Dito isto, passemos as ideias sobre o tema.
   Que nosso sistema representativo tem defeitos, disso eu não duvido. Aliás, alguns defendem que a própria ideia de representação já poderia ser colocada sub judice. A percepção é a de que o correto seria sempre uma participação direta do cidadão. Quem defende essa ideia, apela às inovações tecnológicas para viabilizar este tipo de participação.
   A mim parece que, se a própria eleição com a utilização de meios eletrônicos já é colocada em dúvida, com a alegação de que urnas eletrônicas - que, lembremos, são checadas e ficam sob responsabilidade de um grupo de pessoas escalado só para isso - são violáveis, a participação direta, por meio da internet, por exemplo, seria considerada muito mais vulnerável. Portanto, ainda acho utópica a democracia direta, quando tratamos de um contingente muito grande de cidadãos.
   Outro problema grave da democracia representativa - este, aliás, colocado pelo nosso companheiro Luís - é a não vinculação completa entre propostas pré-eleitorais e ações pós-eleitorais. Como não há, pelo menos no Brasil, o mecanismo de recall, os políticos ficam livres para praticar o chamado "estelionato eleitoral" durante seu primeiro mandato. Obviamente, a não recondução dos mesmos ao cargo para que foram eleitos inicialmente representaria a "punição" possível para este "estelionato". Mas isto requer do eleitor a espera pela nova oportunidade de exercer o voto.
    A questão que defendi junto ao Luís é que, com todos os defeitos - realmente existentes - do sistema representativo, alguém irá exercer esta representação. Lembro, inclusive, que há fake news circulando antes das eleições, dizendo que. se a maioria dos cidadãos não votar, elas teriam que ser anuladas. Ou seja, se quase todos os eleitores não votarem, nossos representantes serão aqueles que tiverem as maiores famílias, ou o maior número de amigos, por exemplo. Teremos, então, vereadores eleitos com cinquenta votos; deputados, com cem... um presidente com mil indicações - num país de mais de duzentos milhões de habitantes.
   Defendo, portanto, que deve haver a escolha. Alguém pode perguntar: "Mas o que fazer se todos os candidatos forem ruins?". Minha resposta seria: "Escolha o menos pior". 
   Em tese, os candidatos - e seus partidos - têm posições específicas em áreas diversas. Todos podem ser ruins, no cômputo geral, mas alguns terão, por exemplo, visões sociais mais adequadas do que outros. Dentre esses "ruins" que sobraram, alguns podem ter passado por cargos de gestor que possibilitaria ações mais adequadas, quando na função para que devem ser escolhidos. Destes "ruins" - agora em número mais restrito -, alguns podem pertencer a partidos que têm quadros mais gabaritados. E assim por diante. 
   A escala hierárquica do que será valorizado, nesta avaliação de quem é "menos pior", vai depender do eleitor, obviamente. Eu posso achar mais importante a visão social, enquanto outro cidadão acha mais importante a visão macroeconômica. Uns podem valorizar mais a escolaridade, enquanto outros o carisma. Mas, no fundo, o que quero dizer é que, se todos estão, na média, aquém do esperado, mas alguém irá NECESSARIAMENTE assumir a vaga, a questão é o critério para realizar a seleção.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Por que se vota em alguém? (2)


   Diante do que foi apresentado no post anterior, podemos sugerir que escolher um candidato não é um ato totalmente "racional" - mesmo segundo o critério da Escola Econômica. 
   Se resta pacífico que, do ponto de vista das escolas sociológica e psicológica, a tomada de decisão tem a ver com o caráter do indivíduo, o que envolve fundamentalmente perspectivas afetivas, no que diz respeito à Escola Econômica/Racional, esta dimensão também se revela importante, visto que os valores a que damos destaque para considerar o que é do nosso "interesse" também passam pelo afetivo. O aspecto puramente racional surgiria apenas como instrumental, isto é, como meio, a fim de alcançar um fim já dado afetivamente, digamos assim.
   Fujamos, então, de uma interpretação meramente racionalista da escolha daquele que merece nosso voto.

Por que se vota em alguém?


   Pesquisadores como M.M. Castro (Sujeito e estrutura no comportamento eleitoral), M. Figueiredo (A decisão do voto: democracia e racionalidade) e Angus Campbell (The American Voter) tentam responder à pergunta do título do post.
   Num resumo, poderíamos pensar em três tipos de escolhas de candidatos, que são explicados pelas seguintes escolas:

   1) Escola Sociológica - a escolha se baseia na identidade cultural do votante, ou seja, no contexto social do grupo ao que o eleitor pertence. Em alguma medida, de modo bastante simplificado, poder-se-ia pensar na "classe social". Para este tipo de votante, a campanha eleitoral tem pouco efeito, visto que não modificaria o pensamento da classe como um todo.

   2) Escola Psicológica - também chamada de Escola Emocional. Apesar de não negar a contribuição do grupo social do votante, considera-a insuficiente para explicar a motivação da escolha. Muito mais importante, segundo esta proposta teórica, seria o processo de socialização política do indivíduo. Este processo acaba sendo um amálgama de vários elementos, não apenas vivenciados de forma coletiva - como no grupo social em que se está inserido -, mas com forte viés das experiências individuais.

   3) Escola Econômica - também chamada de Escola Racional. Segundo esta escola, os eleitores, como alguém que procura um produto em um mercado, visam maximizar seus próprios interesses, através do voto, sendo movidos, portanto, exclusivamente por motivações egoístas.

   Apesar de a Escola Econômica ter ganho relevância na tentativa de explicar as motivações dos eleitores, admite-se que esses modelos puros são limitados para uma justificativa completa da escolha do eleitor. O melhor seria, então, definir proporções em que cada eleitor reage diante da possibilidade de escolha. Assim, poderíamos falar de tendências de seguir um padrão de escolha, muito mais do que a determinação de fazê-lo.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Eleições presidenciais


   Como é que a trágica morte do candidato Eduardo Campos mexeu com as intenções de voto, hein!
   A Dilma, com confortáveis 40%; Aécio com 20% e Campos, 10% - de modo aproximado -, era o cenário nas primeiras pesquisas, antes do falecimento do candidato do PSB. Agora, o Ibope apresenta: Dilma com 34%, Marina com 29% e Aécio com 19%.
   Minha observação não tem a ver com um juízo de valor sobre os candidatos envolvidos na eleição, mas com a falta de compreensão generalizada de que se deve votar em um programa de partido, e não em pessoas. É certo que essa minha crítica vale para os próprios partidos, que acolhem qualquer nome que lhes garanta votos. Lembro que o sistema atual concede os votos dos eleitores para os partidos - tanto assim que os votos de um Tiririca, por exemplo, acabam por garantir a eleição de outro companheiro de partido.
   A questão, portanto, não é dizer que o brasileiro não vota certo porque escolhe nomes errados, mas é indicar a mesma coisa, sob a justificativa de que não entendemos que nossos votos são dados - ou deveriam ser - primeiramente para o programa do partido. Dentro daqueles votos entregues ao partido, veem-se os candidatos que foram mais lembrados pelos eleitores, e estes são os que representarão o povo, de acordo com o coeficiente eleitoral e o número de vagas conquistadas pelo tal partido.
   Precisamos começar a nos preocupar com os partidos, avaliando se são apenas legendas de aluguel. Aí, sim, poderemos começar a escolher melhor - seja qual for o nome, dentro daquele compromisso com a ideologia do partido em questão, que pensarmos ser o melhor.
   Ainda que isto seja um tanto quanto utópico, acho que vale à pena insistir nessa ideia.