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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Feuerbach


    Ludwig Feuerbach (1804-1872) é um filósofo mais conhecido pela influência gerada sobre Karl Marx. Por enquanto, não pretendo mudar essa imagem. 
   No entanto, dando uma olhadinha rápida em Teses provisórias para a reforma da Filosofia (1842), que, confesso, nunca tinha lido, encontrei referências tão diretas a Spinoza, que me interessei. Uma delas, por exemplo, diz:
   "Spinoza é o verdadeiro criador da moderna filosofia especulativa; Schelling é o seu restaurador e Hegel levou-a ao pleno cumprimento".
   Não sei se, para Spinoza, é bom negócio estar citado ao lado de Hegel, nem ser dado como o "criador da moderna filosofia especulativa". 
   Talvez, pior ainda, seja  julgar que "A filosofia da identidade [que aparentemente ele atribui a Hegel] distinguiu-se da filosofia spinozista tão só por ter insuflado à coisa morta e idolente da Substância o espírito do idealismo", porque, afinal, para Spinoza, a Substância não é uma "coisa morta"... muito pelo contrário.
   De qualquer modo, queria registrar uma citação que julgo interessante de Feuerbach, que diz:
   "A verdadeira filosofia consiste não em fazer livros, mas homens".




quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Assim, eu desisto...


   Marx é incontornável para qualquer um que queira tratar de Sociologia e Política... aliás, de Ciências Humanas em geral. Então, temos sempre que voltar às suas ideias - ou àquelas que foram atribuídas a ele. Dito isto... estava eu a ler Arqueomarxismo - comentários sobre o pensamento socialista, de Alvaro Bianchi, publicado pela Alameda Casa Editorial - mais especificamente o artigo "Lenin como filósofo" -, quando me deparei com a seguinte nota: 
   "Vale lembrar o famoso aforismo formulado por Lenin no Conspecto do Livro de Hegel Ciência da Lógica: 'Não é possível compreender plenamente o Capital de Marx e particularmente o seu capítulo I sem ter estudado A FUNDO e sem ter compreendido TODA a Lógica de Hegel. Por conseguinte, meio século depois nenhum marxista compreendeu Marx!!'" (Grifo nosso)

   Assim, desisto de compreender Marx... afinal, estudar Hegel a fundo e compreender toda a sua lógica está além da minha capacidade intelectual. Lembrando que A Fenomenologia do Espírito diminuiu meu CR (coeficiente de rendimento) na graduação de Filosofia. Rssss.
   É brincadeira. Continuarei tentando. 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Aristóteles vs. Spinoza, Hobbes, Hegel e Marx


   O enfrentamento desses sujeitos do título da postagem é "briga de cachorro grande". Quem o propõe é o especialista no Estagirita, o professor Enrico Berti, no livro Perfil de Aristóteles. 
   Quando trata do conceito de razão prática, em Aristóteles, Berti explica: "[...] o seu [da razão prático-poiética] é tudo aquilo que depende do homem, da sua proposição [proaíresis] ou de algum modo da sua intervenção, ou seja, as ações e as produções humanas, a 'história' [...]. A característica de tal objeto é ser constituído pelas coisas que podem estar diferentemente de como são [ou seja, dos contingentes] [...]. Portanto, ele resulta ser [...] aquilo que poderíamos chamar o reino da liberdade. Dada a margem de indeterminação que contém, essa liberdade não permite conhecimento propriamente científico, isto é, demonstrativo, dos objetos por ela caracterizados. Isso significa que, para Aristóteles, não há conhecimento científico das ações e das produções humanas ou da 'história': em síntese, não há ética ou política dotada da mesma necessidade própria das ciências matemáticas ou físicas, como pretenderão filósofos como Spinoza e Hobbes, nem história cientificamente determinável, como pretenderão os filósofos dialéticos modernos (Hegel e Marx) ou os positivistas".

quinta-feira, 28 de março de 2013

Jacob Burckhardt (3)

   Desculpem-me da insistência no Sr. Burckhardt, mas eu não poderia perder a oportunidade de assinalar uma última coisa em relação a ele, que só aumenta minha simpatia.
   Ainda da Introdução de Peter Burke:
   "Ao contrário de muitos historiadores praticantes, Burckhardt não era filosoficamente iletrado. A despeito de alegar-se inepto para a especulação e o pensamento abstrato, estava bastante familiarizado com as ideias de Hegel e Schopenhauer, bem como com as do jovem Nietzsche, com quem costumava sair a passear e discutir ideias".
    Essa passagem demonstra que o pensador maduro Burckhardt conseguia "trafegar" pelos caminhos da Filosofia. Certamente isso é muito interessante, mas o que me chamou mais atenção foi outra passagem da Introdução, que narra uma opinião mais "juvenil" do historiador suiço.
   "Ainda estudante da Universidade de Berlim, expressou por escrito seu pesar pelo fato de que a filosofia da história fosse ensinada por seguidores de Hegel, 'a quem sou incapaz de entender'".
   Senti-me feliz por compartilhar, com alguém tão importante para a História do pensamento humano, essa "incapacidade de entender Hegel".
   Ufa... Que alívio! Não sou só eu. Rsss

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Notas Filosóficas de agosto

   Ontem, pude participar de mais um Notas Filosóficas... ainda bem!
   Tivemos, como sempre, a competência do Silvério desenvolvendo o tema proposto, além da ótima música de Lulu Santos. Quanto a esse último ponto, mal acostumado que estou com a música ao vivo, senti a exibição apenas de vídeos.
   Como ponto negativo, apenas, um grande contratempo com nossa amiga Faiga, que foi resolvido a contento, graças à sua competência.
   Desta vez, Silvério foi muito corajoso, arriscando-se em apresentar Hegel para nós. Já não seria fácil fazê-lo num curso formal, menos ainda numa só palestra, menos ainda para não especialistas, em uma apresentação com o "formato" do Notas Filosóficos, que é extremamente leve.
   Apesar de todas essas dificuldades, Silvério escolheu uma "ancoragem" - a dialética hegeliana - e seguiu sua exposição... junto com Lulu. 
   Desta vez, como seria de se esperar, não tivemos um tempo final para as perguntas e comentários. De minha parte, já encerrado o evento, eu disse que gostaria de lembrar a ideia de que Hegel reconhecia que todo filósofo tem duas filosofias, primeiro a de Spinoza, e só depois a sua própria. 
   Queria, então, registrar meus parabéns para a execução do plano ousado do nosso professor, principalmente por perceber o quanto ele "suou" para transmitir algumas das ideias hegelianas.
   A próxima - que manterei em segredo, por questões de respeito aos nossos queridos organizadores -, será mais fácil, com certeza.

PS. Nosso amigo Bruno de Oliveira chamou minha atenção para um possível "escorregão" em relação à informação de que Hegel teria dito que "todo filósofo tem duas filosofias, primeiro a de Spinoza, e só depois a sua própria". 
   Realmente, do jeito que ficou, a afirmação está com a cara de uma frase de Henri Bergson - "Todos os filósofos têm duas filosofias: a sua e a de Spinoza". A sentença hegeliana, a bem da verdade, é a seguinte: "Ser um seguidor de Spinoza é o começo de toda filosofia".
    Correção feita, e agradecimentos registrados ao nosso querido amigo Bruno. Valeu!