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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sobre Marx, ainda...


   Neste mesmo Curso livre Marx-Engels: a criação destruidora, há uma informação interessante:
  "A 'Crítica da filosofia do direito de Hegel - Introdução' é um texto necessário para qualquer um que queira conhecer o marxismo".
   Mãos à obra, então...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Assim, eu desisto...


   Marx é incontornável para qualquer um que queira tratar de Sociologia e Política... aliás, de Ciências Humanas em geral. Então, temos sempre que voltar às suas ideias - ou àquelas que foram atribuídas a ele. Dito isto... estava eu a ler Arqueomarxismo - comentários sobre o pensamento socialista, de Alvaro Bianchi, publicado pela Alameda Casa Editorial - mais especificamente o artigo "Lenin como filósofo" -, quando me deparei com a seguinte nota: 
   "Vale lembrar o famoso aforismo formulado por Lenin no Conspecto do Livro de Hegel Ciência da Lógica: 'Não é possível compreender plenamente o Capital de Marx e particularmente o seu capítulo I sem ter estudado A FUNDO e sem ter compreendido TODA a Lógica de Hegel. Por conseguinte, meio século depois nenhum marxista compreendeu Marx!!'" (Grifo nosso)

   Assim, desisto de compreender Marx... afinal, estudar Hegel a fundo e compreender toda a sua lógica está além da minha capacidade intelectual. Lembrando que A Fenomenologia do Espírito diminuiu meu CR (coeficiente de rendimento) na graduação de Filosofia. Rssss.
   É brincadeira. Continuarei tentando. 

terça-feira, 29 de maio de 2018

Revoluções russas


   A revista Sociologia, em seu número 74, traz um artigo intitulado "PCB, PCdoB e PPS - cizânias hierárquicas, teóricas e burocráticas", de autoria de Alessandro F. Figueiredo e Fábio Metzger. 
  O texto é muito bem escrito, com várias referências que lhe dão a consistência necessária. Com certeza, vale à pena fazer algumas citações aqui.
  Antes, porém, gostaria de comentar uma coisa que me pareceu estranha. O autor começa o texto dizendo "Com a vitória da Revolução Marxista-Leninista no antigo Império Russo [...]" e registra numa nota:
   "O termo 'Revolução Marxista-Leninista' em português é o mais apropriado para o episódio histórico visto que a expressão 'Revolução Russa' é utilizada internacionalmente para um acontecimento anterior a esse, ocorrido em 1905, e que não deve ser confundido com ele".
   Acho um certo preciosismo do autor esta observação. Decerto que a expressão "Revolução Marxista-leninista" esclarece melhor o leitor a respeito do tipo de orientação ideológica que conduziu o processo revolucionário. Mas, em hipótese alguma, parece absurdo o uso de "Revolução de 1917" ou "Revolução Russa", que, mesmo internacionalmente, ao contrário do que afirma o autor, são reconhecidas como equivalente da que foi escolhida. 
   De qualquer modo, há uma explicação sucinta, mas que vale à pena ser lida. Lá consta:
   "O termo 'Revolução Comunista ou Marxista' meramente também não se enquadra, uma vez que as atividades revolucionárias não ocorreram de acordo com a teoria marxista. Já o conceito 'marxista-leninista' deixa em evidência o principal teórico e líder da revolução (Vladimir Illitch Ulianov Lenin) e de sua reinterpretação singular da teoria marxista para o então Império Russo de 1917, um país atrasado em relação às potências centrais. O leninismo é uma doutrina política que busca a organização de uma vanguarda partidária revolucionária para a implementação da ditadura do proletariado como pressuposto para o estabelecimento do socialismo. A teoria marxista, por sua vez, indica a revolução para a saída do capitalismo somente para os países mais desenvolvidos, o que não era o caso do Império Russo, assim como nega a participação e até mesmo a existência do campesinato na revolução".
       

terça-feira, 27 de março de 2018

O Capital


   Todos conhecem a extensão da opus majus de Karl Marx (1818-1883), mesmo quando se trata apenas do volume publicado durante a vida do filósofo alemão. Muitos desejam compreender melhor as ideias marxianas indo diretamente à sua obra, mas acabam por se intimidar diante do "tijolo" que é o livro. Normalmente, essa dificuldade é contornada com o uso de textos que resumem diretamente O Capital ou daqueles que explicam as teorias de Marx e, indiretamente, tratam dos seus escritos. Particularmente, acho uma boa saída. Mas... há um pequeno livro chamado Compêndio de O Capital, de Carlo Cafiero, que pode permitir esse acesso.
   Em princípio, essa poderia ser apenas mais uma sugestão de leitura, mas ela carrega um valor diferente de outros "resumos" ao Livro I de O Capital. Carlo Cafiero (1846-1892) foi um filósofo político italiano, que desenvolveu uma série de estudos sobre o anarquismo e o comunismo. Mas, especificamente no caso deste compêndio, houve certa "chancela" do próprio Marx. Vejamos esta estória.
   Cafiero enviou a Marx seu compêndio, junto com uma carta, em 23 de julho de 1879, concluída assim: "[...] recorro a vós para pedir o favor de dizer se, no meu estudo, consegui entender e comunicar a exata concepção de seu autor".
   Marx responde, dizendo que já tomara contato com tentativas de resumo de sua obra, e cita alguns defeitos destas. A aprovação da obra de Cafiero vem quando Marx escreve que as "tentativas pareceram fracassar em seu principal objetivo: despertar o interesse do público para quem os livros eram destinados. E é aí que está a enorme superioridade do vosso trabalho".
   A tradução brasileira foi publicada pela Hunter Books, em 2014
   

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"Manifesto do Partido Comunista"

   
   Obviamente, o título do post se refere ao livreto escrito por Karl Marx e Friedrich Engels.
   A versão que tenho é publicada pela Edipro, e conta com uma Apresentação, escrita por Annibal Fernandes, e um Prefácio, de autoria de Edmilson Costa - o primeiro é jornalista, advogado e cientista social, enquanto o último é economista e, também, cientista social.
   Não tenho competência específica nas áreas de Economia e Direito, como os autores dos textos que introduzem a versão que tenho. Contudo, por vezes, acho que é difícil deixar de estranhar algumas opiniões apresentadas. 
   Embora Annibal Fernandes privilegie a descrição do texto do livreto, há pelo menos um trecho em que ele se deixa levar pelo entusiasmo com o ataque ao Capitalismo, e parece exagerar na dose. Isto ocorre quando ele explica que o jornalista Carlos Chagas repercute uma notícia do New York Times, de 1996, sobre o aumento da miséria no mundo - obviamente, "empurrando a conta" para o Capitalismo. Annibal conclui que, antes de 2048, metade do gênero humano estará na indigência. Uma matéria da revista Exame, baseada em dados da ONU, indica que aproximadamente um terço da população mundial se situa na região da pobreza, ou na iminência da mesma. Isto é diferente da "indigência", que corresponde a uma "pobreza extrema". Só para que se tenha uma noção melhor, segundo a ONU, aqui na América Latina, calcula-se que, em 2014, haja 28% de pessoas vivendo na "pobreza", mas menos de 12% vive na "indigência".
   Além disso, houve, segundo determinadas estatísticas, uma redução da pobreza, durante certo período, com uma posterior estabilização. Entretanto, é verdade que os índices apontam para uma retomada do agravamento destes números. Não seriam estes os efeitos dos "ciclos" do Capitalismo, muito mais do que uma tendência de extermínio do mesmo?
    As opiniões de Edmilson Costa, penso, são mais problemáticas. Ele diz, por exemplo, que "a burguesia, apesar de rotineiramente decretar a morte do comunismo, sabe ela mesma que seu domínio histórico é transitório". Pergunto: Será que Edmilson realmente acha que os bilionários donos dos meios de produção pensam que seu domínio é transitório? E, se pensam, será por crer que o Comunismo vá substituir o Capitalismo no mundo?
   Diz também que "enquanto houver o capitalismo [...], a luta de classes permanecerá [...] e o Manifesto continuará tão atual quanto o era às vésperas da revolução de 1848 na Europa". Até aqui, nem vou implicar com nada. Mas, logo em seguida, ele registra: "Não se trata aqui de uma profissão de fé, mas, sim, de avaliar a história da humanidade", dando a entender que racionalmente se chega a essa conclusão. Contudo, se a análise da História pode mostrar o que veio antes, somente em certa medida poderá garantir o que virá depois. Este "exercício de futurologia" que Marx faz dá errado em vários momentos. Portanto, parece-me, realmente só uma profissão de fé permite aferrar-se cegamente às suas previsões. Aliás, em anexo, o exemplar traz o "Estatuto da Liga dos Comunistas", que, em seu Artigo 2º, indica "As condições para dela [da Liga] ser membro são: [...] 3º) profissão de fé comunista". Não há nada sobre "analisar criticamente o que está dado".
   Curioso é perceber que o próprio Edmilson reconhece alguns "furos" dos pensadores alemães, pais do Comunismo. Ele explica, por exemplo, que "Marx e Engels imaginavam que a revolução socialista irromperia brevemente pelo mundo"... o que não aconteceu. E também diz: "Outro enunciado que também não se verificou foi o desaparecimento das camadas médias". 
   De um modo geral, penso que os "marxistas" são muito crentes na futurologia de Marx, e que se recusam a reconhecer que os "pequenos enganos" do filósofo prejudicam, e muito, a sua visão sistêmica.
   Continuarei falando deste pequeno texto depois.