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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Ainda divagando sobre "determinado" Spinoza


   Louis Althusser  dizia, em Ler O Capital, que "[Spinoza] é o único ancestral direto de Marx".
  No artigo Is it simple to be Spinozist in Philosophy? (https://www.radicalphilosophyarchive.com/article/is-it-simple-to-be-a-spinozist-in-philosophy), a autora Katja Diefenbach, apresenta de modo interessante a visão de Althusser sobre Spinoza, no que concerne a sua relação com o marxismo. 
  Vejamos a parte em que o filósofo franco-argelino "critica" Marx por ele não ter captado um ponto importante da teoria spinozana:
      "At strategic points in Reading Capital, Louis Althusser introduces Spinoza's idea of an immanent cause as the decisive concept that is absent from Marx's discourse. For the Althusser of 1965, Spinoza's model of causality is the great missing link in Marx'se thought, a philosophical omission and lacuna of symptomatic force. It explains the whole detour that Marx was forced to take through Hegel's system of thought. Because Marx was neither aware of the concept of immanent causality in Spinoza nor produced it himself, the idea of the effectivity of structure is foun only in practical state in the complexity with which Marx depicts the social reproduction of economic relations in Capital".
   

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Ideologia (2)


   Antes de tratar do conceito de "ideologia" como o percebemos rotineiramente hoje em dia, gostaria de registrar que sempre penso em algum termo que possa exprimir melhor a essência do mesmo. Gosto de "idealidade", sugerido, sem grande explicação, por Emmanuel Renault, em seu Vocabulário de Karl Marx, justamente no verbete "Ideologia". 
   Vejamos seu texto no verbete em questão, com grifos meus.
   "Ao conceber a ideologia como 'a linguagem da vida real', o objetivo de Marx é explicar as IDEALIDADES por seu contexto histórico [...]. O conceito de ideologia é, com efeito: a) o do condicionamento das IDEALIDADES por interesses materiais; b) o da dimensão política da consciência e da teoria (as idealidades aparecem como meio de garantir a dominação de uma classe sobre outra [...]". 
   Há uma sequência, com mais dois significados, para, depois, ser apresentado um resumo: "Logo, a ideologia pode ser identificada às ideias dominantes no sentido das ideias dominantes numa determinada época, no sentido das ideias que produzem uma dominação e no sentido das ideias que justificam uma dominação".
   Ou seja, "ideologia" estaria associado a um conjunto de ideias... que poderíamos traduzir melhor como "idealidade". Pelo menos, é o que penso.

Ideologia


   Sempre me incomodou muito o conceito de "Ideologia"... mas de uma maneira distinta daquela que alguns teóricos sentem. 
   Meu incômodo é essencialmente etimológico. 
   O que é Biologia? Simplificadamente, é a ciência que tem por objeto os seres vivos (bios). O que é Psicologia? Resumidamente, é a ciência que tem por objeto a mente/alma (psyche). E por aí vai...
   Temos sempre um objeto que é estudado e explicado por um discurso (logos), o que poderia ser pensado como um saber organizado ou uma "ciência". 
   Então, o que seria Ideologia? Seria a ciência das ideias. 
   Mas é isso? Lógico que não é assim que percebemos o conceito de "ideologia" hoje... porém, já foi.
   Anthony Giddens dá a seguinte explicação:
  "O conceito de ideologia foi usado pela primeira vez na França ao final do século XVIII para descrever uma suposta ciência das ideias e do conhecimento - uma ideia-logia. Nesse sentido, a ideologia deveria ser uma disciplina próxima da Psicologia [...]. Nas décadas de 1930 e 1940, Karl Mannheim tentou recuperar essa ideia em sua Sociologia do Conhecimento, que associava modos particulares de pensamento às suas bases sociais".
   A versão "neutra" do conceito de "ideologia" não se tornou o mais aceito. Ficamos, então, com a categoria marxiana de "ideologia"... motivo para outro post.
   

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Hegel em Marx


   Escrevi um post com o título "Assim, eu desisto...", onde citava a ideia de Lenin de que, para entender Marx, seria ter uma ótima compreensão de Hegel. Tal informação veio através da leitura do livro Arqueomarxismo - comentários sobre o pensamento socialista. 
   Pois bem... em outra leitura - agora Curso livre Marx-Engels: a criação destruidora, organizado por José Paulo Netto e publicado pela Boitempo e Carta Maior - encontrei o seguinte:
   "[...] indiretamente, Hegel marcou o início da trajetória de Marx. [...] Marx sempre foi contra Hegel e, por causa disso, está preso a todo o horizonte do velho pensador. Afinal, passar um tempo [...] falando de alguém quer dizer que esse alguém é sua referência, ainda que seja para dizer que não concorda com ele. [...] [E]sse é o jovem Marx, porque sua referência é o outro. Depois, em certo momento, ele abandona a negativa sobre o outro e passa a se concentrar em um 'sim', isto é, na afirmação de si mesmo."
   Em princípio, o trecho acima parece apontar para uma correção no pensamento de Lenin, mas... apenas no que se refere ao jovem Marx. Afinal, o texto indica que, amadurecido, há uma "afirmação de si mesmo", por parte do filósofo alemão.
   Então... continua valendo minha esperança de ainda compreender Marx.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Assim, eu desisto...


   Marx é incontornável para qualquer um que queira tratar de Sociologia e Política... aliás, de Ciências Humanas em geral. Então, temos sempre que voltar às suas ideias - ou àquelas que foram atribuídas a ele. Dito isto... estava eu a ler Arqueomarxismo - comentários sobre o pensamento socialista, de Alvaro Bianchi, publicado pela Alameda Casa Editorial - mais especificamente o artigo "Lenin como filósofo" -, quando me deparei com a seguinte nota: 
   "Vale lembrar o famoso aforismo formulado por Lenin no Conspecto do Livro de Hegel Ciência da Lógica: 'Não é possível compreender plenamente o Capital de Marx e particularmente o seu capítulo I sem ter estudado A FUNDO e sem ter compreendido TODA a Lógica de Hegel. Por conseguinte, meio século depois nenhum marxista compreendeu Marx!!'" (Grifo nosso)

   Assim, desisto de compreender Marx... afinal, estudar Hegel a fundo e compreender toda a sua lógica está além da minha capacidade intelectual. Lembrando que A Fenomenologia do Espírito diminuiu meu CR (coeficiente de rendimento) na graduação de Filosofia. Rssss.
   É brincadeira. Continuarei tentando. 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Aristóteles vs. Spinoza, Hobbes, Hegel e Marx


   O enfrentamento desses sujeitos do título da postagem é "briga de cachorro grande". Quem o propõe é o especialista no Estagirita, o professor Enrico Berti, no livro Perfil de Aristóteles. 
   Quando trata do conceito de razão prática, em Aristóteles, Berti explica: "[...] o seu [da razão prático-poiética] é tudo aquilo que depende do homem, da sua proposição [proaíresis] ou de algum modo da sua intervenção, ou seja, as ações e as produções humanas, a 'história' [...]. A característica de tal objeto é ser constituído pelas coisas que podem estar diferentemente de como são [ou seja, dos contingentes] [...]. Portanto, ele resulta ser [...] aquilo que poderíamos chamar o reino da liberdade. Dada a margem de indeterminação que contém, essa liberdade não permite conhecimento propriamente científico, isto é, demonstrativo, dos objetos por ela caracterizados. Isso significa que, para Aristóteles, não há conhecimento científico das ações e das produções humanas ou da 'história': em síntese, não há ética ou política dotada da mesma necessidade própria das ciências matemáticas ou físicas, como pretenderão filósofos como Spinoza e Hobbes, nem história cientificamente determinável, como pretenderão os filósofos dialéticos modernos (Hegel e Marx) ou os positivistas".

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

"Manifesto do Partido Comunista" (2)


   Passado o momento pré-textual, vamos ao próprio escrito de Marx e Engels.
    Antes porém, sejamos sensatos o suficiente para reconhecer que o texto é panfletário - foi encomendado pela Liga Comunista - e que foi escrito por dois jovens - Marx tinha 29 e Engels, 27 anos de idade. E nenhum dois, ao que me parece, tinha o brilhantismo juvenil de um David Hume, que, lembremos, escreveu o incrível Tratado sobre a natureza humana também com apenas 28-29 anos.
   O livro Devaneios sobre a atualidade do Capital, de Clóvis de Barros Filho e Gustavo Fernandes Dainezi, registra a seguinte observação: "Marx, no Manifesto Comunista, permite-se simplificações que em O Capital ele não faz, e isso, evidentemente, para quem analisa a obra de Marx dentro de uma busca de coerência formal, sem considerar os contextos em que essa produção aconteceu, salta aos olhos como uma impropriedade ou incoerência".
   Levarei em consideração estes fatos - panfleto midiático, certa imaturidade e simplificações admitidas na obra -, esquivando-me de fazer uma crítica severa demais em relação ao texto. Até porque, com toda a sinceridade que me permito, admito que nunca lerei O Capital como obra de estudo - apesar de ter o texto num magnífico exemplar único, o que favoreceria muito a leitura. O que farei, e o que faço, é abordá-lo pontualmente, de acordo com necessidades específicas.
    Voltemos ao panfleto, então!
   Chama minha atenção logo a abertura do primeiro item (Burgueses e Proletários), onde se lê: "A história de toda a sociedade até hoje tem sido a história da luta de classes". Bem, essa é a "verdade" para os dois alemães, muito mais do que uma tese a ser justificada, via argumentativa. Contudo, a minha versão do texto apresenta uma "desculpa" de Engels para uma afirmação que parece se mostrar meio equivocada. O mais jovem dos dois filósofos, numa nota aposta à versão inglesa do texto, em 1888, diz: "Isto é, com exatidão, a história transmitida por escrito". Lembro, a setença inicial é apresentada não como tese, mas como verdade, tanto assim que Engels fala da "exatidão" do conteúdo. Mas... em seguida, o jovem alemão começa a indicar que, a partir de 1847, quando o Manifesto foi escrito, novas informações sobre as sociedades mais antigas foram apresentadas e, com isso, "descobriu-se que as comunidades aldeãs com propriedade comum da terra foram a forma originária da sociedade".
   Acho interessante Engels tentar explicar essa variação de perspectiva em uma nota. Contudo, fico a pensar que investigações mais antigas, ainda que talvez não acolhidas por uma Ciência formalmente estabelecida como "A História", já tinha chegado à conclusão de que sociedades mais primitivas se desenvolviam sob bases menos conflituantes, digamos assim. Tanto é que Rousseau, já em 1754, analisa o tema, em Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, e identifica o "surgimento" da propriedade privada como fundamento do "mal" na sociedade. Teria sido Marx zeloso demais, insistindo em desconsiderar as bases não científicas, e sim "meramente" filosóficas de Jean-Jacques?
   Depois, eu continuo...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"Marx estava certo"


   Em alguma ocasião, neste blog, eu já citei o título deste livro - o que dá nome ao post. Na ocasião, acho que fiz o comentário de que a edição brasileira do livro de Terry Eagleton é prefaciada por Luiz Felipe Pondé - que sabemos não ter nenhuma ligação de simpatia com o marxismo -, e que este filósofo brasileiro comenta a importância da obra, "que serve tanto a marxistas quanto a não marxistas. [...] [sendo] um texto formador, servido aos homens de boa vontade". Segundo Pondé, "se você quiser aprofundar de modo atento e claro o pensamento do grande crítico do capitalismo Karl Marx, leia Eagleton". Mas adverte: "A pergunta que fica é: a desconstrução da caricatura de Marx não serviria como antídoto, não apenas para não marxistas, mas também para os próprios marxistas mais devotos?".
    Concluí a leitura do texto hoje. Achei o trabalho de defesa do pensamento de Marx, por parte de Eagleton, bastante interessante. Mas, sinceramente, pareceu-me menos eficiente do que se propunha. A forma, em si, é bastante interessante: cada capítulo contém uma crítica comum feita ao marxismo, e Eagleton refuta a tal oposição ao pensamento marxiano, em algo em torno de vinte páginas, na média. 
   Há alguns problemas, contudo. O principal é que, em alguns dos questionamentos, Eagleton acaba por apresentar textos de Marx que dão pleno apoio ao ataque que lhe é lançado. Cabe, então, ao seu defensor apenas apresentar outros textos em que o filósofo alemão se "desdiz", ou melhor, que apresenta visões distintas daquelas do outro texto.
    Um dos aspectos mais interessantes do livro, penso, é que saímos daquela mesmice de "Em O Capital, Marx disse...", sendo apresentadas reflexões de Marx contidas em vários textos seus. 
   Acho que o livro merece uma análise mais cuidadosa, o que pretendo fazer em outros posts. Por ora, gostaria de registrar apenas duas curiosidades terminológicas.
   A primeira é sobre o termo "proletariado". Em seu sentido primeiro, ele vem da palavra latina "prole", significando aqueles que eram tão despossuídos que não podiam oferecer ao Estado nada mais do que seus corpos para a produção de filhos, ou seja, de dar sua prole à sociedade como mão-de-obra. Desta forma, o "proletariado" era formado apenas por mulheres que cediam seu útero para o Estado.
   A segunda diz respeito à expressão "ditadura do proletariado" - etapa intermediária do socialismo, necessária, antes da conclusão do processo com o comunismo -, que, apesar de tão ligada a Marx, foi cunhada, na verdade, por Auguste Blanqui, parceiro de luta política de Marx, que rotulava um governo em nome de gente comum.
    Depois, escrevo mais sobre o livro.

sábado, 18 de agosto de 2012

"Marx estava certo"

   O título do post é o mesmo de um livro recém-lançado no Brasil, publicado pela Editora Nova Fronteira, de autoria de Terry Eagleton.
   Apesar de Marx estar um pouquinho ausente das minhas reflexões recentemente, quando ouço críticas ao capitalismo - venham de onde vierem -, não consigo deixar de pensar no velho alemão.
   Coincidentemente, por estes dias, enquanto participava de um seminário, ouvi uma das comunicações a respeito de Alain Badiou. 
   Como sabemos, Badiou é um defensor do comunismo. Segundo ele, o "fracasso" do que se viu na antiga URSS representa apenas UMA tentativa sem sucesso, e não o "insucesso em si" da ideia.
   Realmente, é possível pensar - pelo menos, em tese - que os ideólogos comunistas não teriam sido tão "espertos" quanto os liberais para ir "moldando", ou adequando, seu projeto à realidade do mundo em que se instalava.
   Eis que, com esse cenário em minha cabeça, me deparei com o livro em questão. E achei interessantíssima a proposta de Eagleton.
   Vejamos o que ele diz no Prefácio:
   "Este livro teve origem em uma única e extraordinária ideia: e se todas as objeções mais conhecidas à obra de Marx forem equivocadas? Ou, no mínimo, se não equivocadas de todo, o forem em sua maior parte?"
   E o livro se divide em capítulos que, inicialmente, apresentam uma determinada crítica conhecida às ideias de Marx, para, ao longo do próprio texto, tratar da questão.
   Não posso deixar de confessar que não li o livro, ainda. Mas uma olhada no rol de críticas e no começo das "defesas", fico com impressão de que o livro serve, pelo menos, para rebater algumas das oposições mais "ingênuas" a Marx.
   Vale conferir, galera!