domingo, 2 de julho de 2017

Ainda sobre a Lava Jato (2)


   Na mesma linha da preocupação que apresentei, o sociólogo Bernardo Sorj parece ter se manifestado em O Globo, há já alguns dias. Em seu texto, ele diz:
  "Durante os últimos dois anos, os brasileiros acompanham, embasbacados, uma novela [...]. Mocinhos pertencentes ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e à Polícia Federal desmascaram políticos e empresários corruptos [...]. Acontece que a trama se complicou. Os mocinhos fizeram um serviço aplaudido por todos, mas no caminho foram destruindo possíveis saídas para a trama. [...] É necessária a entrada em cena de um novo ator, que indique a saída. Caso contrário, no lugar de uma novela brasileira, teremos um filme de Tarantino no qual todos se matam".
   Uma solução apresentada pelo autor é a criação de uma frente política, formada por políticos comprometidos com o bem público, que realizem as reformas necessárias.
   O problema é que esses tais "políticos comprometidos com o bem público", pelo menos hoje, não têm força para capitanear modificação alguma do status quo.
   Parece que, em algum momento, o pragmatismo dará um freio na Lava Jato, com os próprios operadores da mesma concluindo que será melhor algum governo, com alguns corruptos, do que nenhum governo, com nenhum corrupto. 
    

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